Se você pudesse voltar ao passado, para que ano iria? O que faria? E se pudesse ir até o futuro, qual sua maior dúvida sobre os próximos 10, 50, mil anos? E se essa chegada ao futuro fosse a bordo do DeLorean, o carro de Marty Mcfly na trilogia do “De Volta para o Futuro”, que popularizou o gênero de ficção científica e a tentativa de concretizar o nosso pensamento sobre o futuro? O primeiro filme, lançado em 1985, completa 30 anos em 2015, mas uma data faz tudo ser mais especial. No segundo filme da franquia, o protagonista Mcfly (Michael J. Fox), na parceria do cientista louco Dr. Emmentt Brown (Christopher Lloyd), viaja no futuro para o dia 21 de outubro de 2015. No caso, hoje. A ocasião tem movido milhares de fãs para as salas de cinema em todo o Brasil, que comemoram a data com uma maratona especial dos três filmes. E, em Belém, esse encontro será no Cinépolis do Boulevard Shopping e no projeto “Cineliso” do Líbero Luxardo.
2015 era pra ser mais tecnológico
Dirigido por Robert Zemeckis e produzido por Steven Spielberg, a franquia narra um futuro 2015 otimista, com carros e skates voadores, e sapatos que se amarram sozinhos, numa tentativa de prever que o ser humano sonha alto e quer na tecnologia a resolução para seus problemas. Mas nem toda previsão foi furada.
Os filmes 3D, por exemplo, foram previstos no filme, assim como o uso das digitais humanas para reconhecimento de identidade. Para o jornalista Diego Andrade, um dos responsáveis pelo projeto de cineclube “Cineliso”, que vai passar a trilogia dublada nesta quarta, essa desconstrução do futuro pensado pelo diretor, há 30 anos, provoca certa comédia.
“É muito engraçado, porque eles pensaram o futuro com muito exagero e existem coisas que eles pensaram e que já existe, como robôs e a alta tecnologia. Mas, ainda assim, tudo era muito colorido”, opina o jornalista. Ele conta que a data já era pensada para realizar a sessão especial desde o ano passado, tentando reservar o Cinema Líbero Luxardo desde lá. Para o amante da sétima arte, “é sempre bom ver filmes antigos e se colocar no lugar dos espectadores daquela época e pensar o que eles estavam imaginando do futuro a partir daqueles filmes”, instiga Diego, que assistiu ao lançamento do filme ainda criança.
Frutos das reprises da “Sessão da Tarde”, ainda com o áudio dublado, os estudantes universitários Caio Oliveira e Léo Tavares são fãs dos filmes desde a infância, e se preparam para as sessões de hoje, que passam tanto no circuito alternativo quando no comercial. Caio destaca, muito além da pirotecnia, a lição final dos filmes.
“É difícil não gostar do filme quando criança. Cada episódio é único, com histórias que mesclam ficção científica, aventura, faroeste, romance... Poucos filmes do gênero, antes ou depois, conseguiram equilibrar essas coisas tão bem. Mas o mais marcante para mim é a mensagem de otimismo. Hoje, a moda é fazer filmes em que o futuro é sombrio. Filmes que apresentam o amanhã como um lugar perigoso. ‘De Volta Para o Futuro’ mostra justamente o contrário. Ele mostra que nós sempre podemos mudar o nosso próprio destino”, reflete o estudante. Já Léo gosta mesmo das referências tecnológicas e das mensagens subliminares da sequência de longas, e sonha em substituir o seu skate por um hoverboard.
“Eu acho que ‘boom’ da corrida espacial que eles viveram na época fez eles imaginarem um futuro mais tecnológico. Mas isso não é algo exclusivo do ‘De Volta Para o Futuro’. Isso deu uma boa inspirada em muitas empresas que tiveram produtos inspirados no filme”, comenta Léo Tavares.
Olhar para o passado e ver que filmes como esses, que datam a ideia de futuro e de aquisição de tecnologia, nos faz pensar não só no que somos hoje, mas no que pensamos do nosso futuro. A extensa franquia de “Planeta dos Macacos”, que teve início em 1968 e já acumula oito filmes, é um exemplo de como esse tema dá vazão às ideias na telona. “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (1968), uma obra de arte que impressiona até hoje pela qualidade de edição, criou a especulação de que o vídeo dos americanos chegando à lua tinha sido uma filme-trucagem dirigido por Stanley Kubrick a pedido da Nasa.
Filmes que datam o futuro não param de chegar às salas de cinema, imaginando aonde chegaremos com nossa inteligência exploratório e pesando o que queremos com ela. Se deparando com todas essas teorias loucas, mas emocionantes, o estudante Caio Oliveira deseja um futuro mais brando e aventuresco.
“Se imaginar vivendo em um mundo diferente é sempre legal. É isso que falta hoje em dia, imaginar como será o nosso futuro e ser otimista. E eu quero criar um mundo melhor para as futuras gerações. Quero que o futuro dos meus filhos seja um ‘De Volta Para o Futuro’, e não um ‘Jogos Vorazes’, finaliza.
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar