“É um festival em rede, uma rede social e real, uma rede cultural real, uma rede que se articula como conjunto da sociedade. Essa rede é uma rede de produção, intelectual, de tecnologia e por trás existem vários projetos”, define o organizador do 2º Festival Internacional de Cinema do Caeté, Francisco Weyl. O evento, realizado em Bragança de hoje até sexta-feira, 11, com programação que tem mostra competitiva de filmes de diversos estado brasileiros e de outros países, mesas de debates e diversas outras ações, será aberto às 19h, no campus bragantino da Universidade Federal do Pará, com “Órfãos do Eldorado”, de Guilherme Coelho, que teve produção realizada no Pará e no Amazonas, seguido de bate-papo com o ator Adriano Barroso, que integra o elenco.
A programação conta com 26 produções de filmes em longa, média e curta-metragem, de ficção, experimental ou documentário, vindos do Rio de Janeiro, Pará, São Paulo, Rio Grande Norte, Goiânia, Rio Grande do Sul, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Espírito Santo, Piauí, Ceará, Estados Unidos, Portugal e Cabo Verde. Eles concorrerão a prêmios de Melhor Documentário, Melhor Longa-Metragem, Melhor Média-Metragem, Melhor Curta-Metragem, além dos prêmios Imagem-Tempo (categorias: cenografia, figurino, fotografia, maquiagem - independentemente de tema, tempo e/ou categoria), Imagem-Movimento (categorias: trilha sonora, montagem, roteiro, direção - independentemente de tema, tempo e/ou categoria) e Júri Popular.
Toda a lógica de produção e de propagação cultural e educacional do movimento é feita com base no colaborativismo e para o desenvolvimento cultural da região, formando novos públicos e desenvolvendo outros projetos em cadeia. Segundo Weyl, visando na cidade uma potencialidade histórica, cultural e turística, o evento incentiva a produção fora do circuito dos grandes centros urbanos e das grandes capitais, o que é influenciado também por outros municípios do interior paraense, como Parauapebas, que também desenvolve um trabalho de cinema alternativo.
“Agora o Ficca começa a querer se consolidar, aumentando a sua rede e trazendo essas pessoas para fazer um diálogo com o [ator] Adriano Barroso, a [jornalista e produtora] Luciana Medeiros, por exemplo, para fazer um debate com as comunidades”, comenta o coordenador.
Além de cinema, o evento também promove ações que elevam culturalmente as práticas do carimbó na região, além de dialogar com a cultura quilombola, provocando encontro entre comunidade, universidade, produtores e diretores de cinema e público. Mas a expansão do evento sonhada por Weyl ainda não é fácil. Para ele, a principal dificuldade ainda está na barreira geográfica, da distância, mas também existe uma falta de políticas próprias para a cultura no município - o evento quase não ocorreu por falta de patrocínio.
“A questão de uma ausência de política cultural definida no Estado é um problema, e a gente deveria ter uma política mais clara, porque é uma atividade econômica que gera emprego e desenvolve o turismo”, finaliza.
(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)
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