A praia de Marudá, distrito de Marapanim, no nordeste do Estado, serviu de cenário para uma disputa contemporânea entre “o bem e o mal”. O clássico enredo de uma turma de jovens que tem embates com outra, uma representada por comportados e outra por rebeldes, é o mote do filme “A Conquista da Praia”, com direção do paraense Wagner Júnior.
Com 61 atores vindos de Belém, Castanhal e do próprio distrito, o filme representa uma vontade conjunta de produzir cinema no Pará. A previsão é que o pré-lançamento ocorra até outubro, no Cinema Olympia.
Segundo o diretor, os atores também foram coprodutores do longa-metragem, que tem 70 minutos. O processo colaborativo se deu antes mesmo de se pensar o enredo, quando o diretor pôde trabalhar junto ao elenco, durante a Paixão de Cristo de Castanhal deste ano. Residindo atualmente em São Paulo, ele pensou em rodar o filme por lá, mas a vontade de trazer a produção para cá e compartilhar com os atores falou mais alto. Ele decidiu, então, expor a ideia aos colegas de trabalho e perguntar se juntos gostariam de realizar o filme.
“A gente ia rodar em Guarujá (SP), mas lá os custos são mais altos, ia sair em torno de R$ 250 mil. Reunimos, então, com os atores e falamos da vontade de fazer no Pará. Fizemos o levantamento de custos e rateamos entre a equipe. Cada ator correu atrás de uma cota de patrocínio, de pessoas e empresas. Além disso, a prefeitura de Marapanim nos ajudou com ônibus, auxílio nas locações. Isso serviu para quebrar alguns tabus, algumas coisas que a gente dificultava. Vimos que é possível fazer cinema. No total, gastamos R$ 14 mil”, informa o diretor.

(Foto: Carlão Lameira / Divulgação)
Como Wagner Júnior já conhecia os atores da experiência prévia do espetáculo católico e já havia feito o treinamento dos atores, foi mais fácil encontrar uma afinidade com o enorme elenco. Foram apenas três dias da preparação em uma residência de Marudá, na qual os atores apresentavam a cena, e mais quatro dias intensos de gravação na praia.
A experiência serviu como um treinamento também, já que durante as gravações os atores que não estavam em cena ficavam no set, observando os demais. A proposta era ser didático, por isso o trabalho fez parte do curso Worckcine, da produtora paulista Rosina Pagan.
“Foi um processo muito intenso, ficávamos mais de 12 horas gravando, de acordo com os núcleos. Todos ficavam assistindo, até quem não estava na cena. Acordávamos às 3h, tomávamos café e íamos para o set. Eles ficavam olhando e eu ia explicando o que significava cada orientação, para que eles pudessem aprender. Eu já tinha intimidade com a maioria e eles já sabiam minha didática, sou rígido com trabalho”, revela o diretor.
Dos atores que participaram das filmagens, 25 estão em São Paulo, ao lado do diretor, fazendo cursos de cinema. Ele espera que a iniciativa possa fortalecer o estado como produtor de audiovisual. Atualmente, o filme está em fase de finalização, com ajustes na sonoplastia e coloração.

(Foto: Carlão Lameira / Divulgação)
DISPUTA ENTRE BEM E MAL
A história da turma de playboys surfistas que luta contra a turma dos rebeldes maconheiros foi idealizada pelo diretor de fotografia do longa, Wagner Sampaio. A ideia de confronto já estava em mente e era preciso materializá-la. A primeira sugestão foi fazer uma disputa de esportes, tal qual os filmes de adolescentes norte-americanos, em uma colônia de férias. Mas depois eles viram que podiam trazer mais para a realidade local dos frequentadores das praias do Pará, a partir da tensão entre diferentes grupos jovens.
“A gente dividiu o elenco entre a turma do mal e a turma do bem, o primeiro com motoqueiros, maconheiros, que vivem em uma praia suja, e o segundo com surfistas, mauricinhos e patricinhas, a turma do bem, que frequentava outra praia. Então, a turma do mal estava cansada de viver na sujeira e passa a espiar a turma do bem para ver como eles se comportam por lá. E no dia de um luau, eles resolvem invadir a praia. Sabe aquelas cenas de filmes épicos medievais de batalhas, que têm cavalaria? Pensamos nesse tipo de cena para o embate”, diz o diretor.
(Dominik Giusti / Diário do Pará)
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