Tomas é um médico bem sucedido que vive em Belém, mas por conta de inúmeros problemas tenta o suicídio. Como ele não consegue tirar a própria vida, o fato passa a ser um divisor de águas na sua história: após o ocorrido, ele muda-se para Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó, onde passa a atuar voluntariamente. O protagonista do filme “Órfãos”, primeiro longa-metragem do paraense Gustavo Quintela, busca trazer ao cinema discussões sobre questões universais, como o sentido da vida. A estreia do filme ocorre hoje, às 21h, no Cinépolis do Boulevard Shopping.
O diretor, que também é o roteirista da produção de 97 minutos, revela que foi difícil abordar o assunto no cinema, por ser um tema delicado. “A gente fez uma pesquisa e uma das categorias em que mais existe suicídio é na classe médica. O protagonista vive uma situação extrema e aí o filme começa. No momento em que tenta o suicídio, tudo muda. Quando chega a Cachoeira do Arari, é o salvador da pátria, muito querido pela população, vai reconstruindo a vida”, adianta Gustavo Quintela.
As gravações foram realizadas em 2015, entre a capital paraense e a cidade marajoara, durante quase três meses. No elenco, o personagem principal é vivido pelo ator Alex Reis – que já atuou no filme “Muita Calma Nessa Hora”, de Bruno Mazzeo, e em “Malhação”. Cláudio Barros, Paulo Fonseca, Paula Ferrari e Sílvia Quadros completam o time de atores, sob a coordenação da diretora artística Ana Luiza Veiga.
O diretor já tinha experiência com a direção de curtas-metragens realizados durante eventos como casamentos e 15 anos, já que atua como empresário do ramo da fotografia. E nos salões de festas e bailes da vida, ouviu muitas histórias. Mas desta vez, ele assumiu a vontade de também contar uma história de sua autoria, por meio do cinema, através da produtora GQ Estúdios.
“Toda semana a gente registra histórias e tivemos essa vontade de poder contar também. E foi um passo a mais, pretendo viabilizar essa ação com cinema, é um sonho que se realiza. Foi um desafio concluir, vemos tantos projetos que ficam parados, então fico muito satisfeito de ter concluído. Já estou escrevendo o roteiro para o próximo filme”, diz.
O diretor explica que o filme “Órfãos” é sobre os limites da vida e os contrastes entre riqueza e miséria, depressão e euforia, exploração financeira e voluntarismo, uma vida agitada e uma vida pacata.
SEM ESTEREÓTIPO
Uma das propostas de Gustavo Quintela com o longa-metragem é poder mostrar a ilha do Marajó e a capital paraense de forma diferente, fora dos clichês. “Quero apresentar o nosso olhar sobre nosso cenário, mas não o que as pessoas de fora imaginam, de folclore, lendas, estereótipos indígenas. Quis quebrar um pouco isso. De certa forma, seria um pouco como falar por uma causa. Vejo o Norte e o Marajó como regiões muito abandonadas em relação a outras do Brasil. E isso me motiva a fazer alguma coisa”, comenta o diretor.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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