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CINEMA

A Bela e a Fera: um conto de fadas renovado

O conto de fadas da redenção pelo amor fez de “A Bela e a Fera”, lançado em animação da Disney em 1991, um dos mais emblemáticos enredos do cinema infantil. Tanto que naquele ano o longa concorreu ao Oscar de Melhor Filme. Passados 26 anos, o estúdio lanç

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O conto de fadas da redenção pelo amor fez de “A Bela e a Fera”, lançado em animação da Disney em 1991, um dos mais emblemáticos enredos do cinema infantil. Tanto que naquele ano o longa concorreu ao Oscar de Melhor Filme. Passados 26 anos, o estúdio lança a adaptação da narrativa no formato “live-action” - quando o filme é feito com atores -, mas desta vez com uma nova historinha, permeada por questões sociais, além de novos elementos estéticos, canções e cenas inéditas, com a direção de Bill Condon - da saga Crepúsculo e de “Kinsey - Vamos Falar de Sexo”. O filme entra em cartaz nesta quinta-feira, mas terá pré-estreia em Belém na madrugada de hoje para amanhã.

Na história, a moradora da pequena aldeia francesa de Villeneuve, Bela (Emma Watson), tem o pai capturado por uma Fera (Dan Stevens, de “Downton Abbey”). Ela resolve entregar sua vida ao estranho em troca da liberdade do pai. Aprisionada no castelo em que a Fera mora, Bela se depara com vários objetos mágicos e descobre quem de fato ele é: um príncipe que precisa que alguém o ame verdadeiramente até que a última pétala de uma rosa caia para voltar à forma humana.

Há uma polêmica em torno da relação entre a moça e o seu algoz que a aprisiona: a atriz britânica Emma Watson é militante feminista e foi questionada sobre uma possível Síndrome de Estocolmo, caracterizada pela paixão de uma pessoa sequestrada pelo seu sequestrador. Em entrevista ao site Entertainment Weekly, rebateu as críticas. “A Bela argumenta e discorda ativamente com a Fera, ela não tem nenhuma das características similares a alguém com essa síndrome, porque ela mantém a sua independência de pensamento. Mas tem um lado bonito de uma história de amor, eles criam uma amizade primeiro, o amor se constrói disso, o que em muitas formas eu acho que seja mais significativo do que muitas histórias de amor à primeira vista e você está lidando com várias projeções”, defende a atriz.

A atriz explicou que ela própria alterou o perfil psicológico da protagonista a fim de lhe conceder traços de maior independência feminina. “Queria criar uma história para ela. Você tem pistas sobre ela, do porquê ela não se encaixa: ela gosta de ler livros, não é a fim do Gastão [personagem que a corteja]. Por que ela é diferente, por que sente que não se encaixa muito? Nós a transformamos nessa inventora meio doida, que foi originalmente seu pai nesse papel (na animação), e isso disse mais sobre a Bela. O pai, Maurice, se tornou esse pai meio nervoso, cuidadoso, sensível. Agora é a Bela que está criando, ela está fazendo o protótipo de uma máquina de lavar roupas, para que ao invés dela sentar e lavar, ela possa ler, enquanto a máquina toma conta de tudo”, finaliza.

BOICOTE

Não foi só o pastor Silas Malafaia que conclamou fiéis a não assistirem “A Bela e a Fera”, por conta do personagem LeFou, interpretado por Josh Gad, o primeiro personagem efetivamente gay da história da Disney. O estúdio foi obrigado a adiar a estreia do filme na Malásia depois que as autoridades muçulmanas locais censuraram a cena polêmica entre Josh Gad e Luke Evans, o vilão Gaston no filme. Em Cingapura, o clero cristão acusou a Disney de se “desviar de valores saudáveis e dominantes”. E na Rússia, a mesma cena – cujo peso muitos críticos já minimizaram – rendeu ao filme a censura de 16 anos.

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Mesmo com a polêmica sobre Bela, que para muitos reforça a ideia de que o amor pode mudar uma relação abusiva, a militante feminista paraense Lívia Duarte, que é advogada e estudante de psicologia, acredita que trazer uma nova história em torno do papel da mulher, quando se discute intensamente sobre direitos, é uma forma de alcançar públicos diversos, por meio da arte.

Ela comemora que o assunto esteja das mídias de massa e vê uma mudança em relação ao perfil das princesas “recatadas e do lar” produzidas anteriormente no cinema. “As artes costumam ser interpretações do cotidiano da sociedade. O cinema toma esse lugar na nossa vida, então é importante que a arte reflita sobre essa mudança social do papel feminino e do perfil da mulher. Isso também traz uma carga de popularização da agenda feminista. É muito bacana que a Emma (Watson, intérprete da personagem Bela) tenha popularizado essa nossa pauta, inclusive num circuito comercial, para que as meninas vejam que são sujeitos da sua história”, analisa Lívia, referindo-se à mudança no perfil de Bela, que ganhou mais nuances no novo filme, segundo Emma Watson.

Sem entrar na pauta feminista ou gay que trouxeram polêmicas para o filme, o crítico de cinema Marco Antônio Moreira diz que o novo “A Bela e a Fera” já traz uma expectativa unicamente por ser uma releitura de um clássico. “É uma superprodução. Espero que esteja à altura dessa versão dos anos 1930 (a para as telas, de Jean Cocteau, lançada em 1932)”, opina.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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