Se vivêssemos em um universo ficcional, hoje seria o aniversário de 33 anos do fatídico dia que Andrew, Brian, Bender, Claire e Allison foram mandados para a detenção. Em O Clube dos Cinco, clássico de John Hughes, fica estabelecido que os cinco jovens cumpriram detenção no dia 24 de março de 1984. Embora o filme tenha sido lançado cerca de um ano depois da data, os fãs sempre lembram desse dia com carinho.
O longa mostra um grupo de cinco adolescentes que precisam passar um sábado na escola em detenção. Com o passar das horas, eles descobrem mais sobre si mesmos e passam a enxergar melhor os colegas, que até então eram vistos como clássicos estereótipos de escolas dos EUA: um nerd, um marginal, um atleta, uma patricinha e uma esquisita.

O Clube dos Cinco logo se tornou um dos filmes mais importantes dos anos 80 e do cinema adolescente, lançando um novo olhar sobre uma juventude que ainda então não tinha voz. No começo do século XX e até a década de 50, a cultura popular não tinha produtos voltados aos jovens entre os 12 e os 17 anos — tudo era direcionado às crianças ou aos adultos. Isso tudo mudou no período pós-guerra, quando surgiu a Geração Beat e posteriormente o rock ‘n’ roll.
Os Beats eram um grupo de autores dos EUA que decidiram romper com diversas convenções impostas pelo meio literário do país e trouxe consigo um grito de liberdade, uma ânsia pela independência e a negação de comportamentos e costumes determinados pelos engravatados da época. Entre seus membros estavam Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William S. Burroughs e Neal Cassady, que deixaram para o mundo obras como On the Road, Uivo e Almoço Nu. A postura deles era considera rebelde, não raramente, os textos e as experiências pessoais de cada um envolviam sexo, drogas, álcool e longas viagens pela América.
Apesar de não ser um movimento adolescente na concepção pura, os Beats foram essenciais para a formação da cultura jovem no final da década de 50 e nos loucos anos 60 que finalmente culminaram na atmosfera que vemos em O Clube dos Cinco e no cinema dos anos 80. Os filmes dessa época também transformaram a imagem dos jovens na cultura pop: as figuras engomadinhas que faziam o tipo Vivien Leigh e Clark Gable naquela estética …E o Vento Levou ficaram de lado e surgiram ícones como James Dean e Marlon Brando, que encabeçaram a chamada Juventude Transviada, com seus altos topetes, jaquetas de couro e ar de indiferença perante o mundo.
E, com leves transformações com o passar dos anos, por muito tempo os adolescentes eram vistos dessa forma: rebeldes sem causa, sem juízo e que precisam de “maturidade” na cabeça. Quando chega John Hughes com O Clube dos Cinco, o cinema americano começa a enxergar o jovem como uma pessoa complexa, com alegrias, tristezas, contradições, conflitos e algo de relevante a dizer — e essa talvez seja a maior contribuição do filme e da obra do diretor para a Sétima Arte.
E essa percepção está explícita na trama central do filme, já que toda a narrativa gira em torno da desconstrução de estereótipos dentro do universo adolescente — coisa que acontece entre os próprios protagonistas num primeiro momento e posteriormente com a margem de reflexão deixada para os adultos na famosa carta escrita por Andrew ao professor que tomou conta dos cinco durante o dia:
Prezado Sr. Vernon:
Nós aceitamos o fato de que tivemos de sacrificar um sábado inteiro na detenção por qualquer coisa que fizemos de errado, mas nós o achamos louco por nos fazer escrever uma redação te dizendo quem nós pensamos que somos. Você nos enxerga como quer enxergar. Nos termos mais simples e nas definições mais convenientes. Mas nós descobrimos que cada um de nós é um nerd, um atleta, uma esquisita, uma patricinha e um marginal.
Isso responde sua pergunta?
Atenciosamente, o Clube dos Cinco
Em termos cinematográficos, O Clube dos Cinco não foi um divisor de águas em termos técnicos e nem levou grandes prêmios da indústria. Mas certamente deixou sua marca em boa parte de seu público e influenciou toda uma série de obras que tratam do universo adolescente de forma mais humana, entre elas: As Vantagens de Ser Invisível, Cidades de Papel, Quem é Você, Alasca?; Meninas Malvadas; Jovens, Loucos e Rebeldes; e O Maravilhoso Agora.
Se você nunca assistiu ao filme, ele está disponível na Netflix. Se você já assistiu e quer rever, hoje seja um bom dia para isso!
Não é sempre que cinco adolescentes fazem História. Mas estes fizeram. E talvez continuemos a falar deles por mais 33 anos.
Fonte: Jovem Nerd
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