Contém spoilers!
Se o primeiro episódio de American Gods foi marcado por algumas críticas do público em relação ao ritmo lento da narrativa, o segundo capítulo não enfrentará desse mal. Contudo, Bryan Fuller e Michael Green apostam ainda mais fundo na sensação de estranheza que querem transmitir.
O tom político, que exaltei na última semana, continua firme e forte nessa segunda parte da história baseada no livro homônimo de Neil Gaiman. A exaltação das diferenças fica um pouco de lado e Fuller decide tratar do racismo que se encontra nas raízes dos EUA — para isso, ele mistura o velho e o novo. Jazz dos anos 20 tocando em 1697, uma escolha acertada, já que o gênero musical surgiu dos negros do sul do país. Dessa vez o discurso é mais explícito, apontando coisas que aconteceram naquela época e fatos que estavam nos jornais há poucos meses — a mistura serve para mostrar que, apesar de acreditarmos piamente que somos mais civilizados, continuamos cometendo os mesmos erros e injustiças.

Intitulado “The Secret of the Spoons”, o capítulo também aproveita para fazer algumas críticas, ainda em tom leve, da nossa relação com a mídia e a informação, no melhor estilo Black Mirror e com Gillian Anderson dando um show como uma das encarnações da Mídia. Outro destaque vai para Orlando Jones como o Mr. Nancy, incisivo, explosivo, espetacular. A trilha sonora continua marcante e dialogando com a trama. Dessa vez, a escolha mais acertada foi “A Hard Rain’s A-Gonna Fall”, de Bob Dylan, que prevê a tempestade que permeia o resto da narrativa que vem por aí.
A loucura estética de Bryan Fuller chega a outro nível, com órgãos genitais pulando na tela e até mesmo aparecendo nas estrelas — contudo, a estilização exagerada presente no primeiro episódio foi um pouco menos acentuada nessa sequência. Ainda sim, pode não ser algo que agrade uma parcela significativa do público.
American Gods chega ao Brasil pelo Amazon Prime Video, com novos episódios às segundas-feiras.
Fonte: Jovem Nerd
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