Você acredita que alguma coisa extraordinária vai acontecer na sua vida? A pergunta é o enredo principal do filme “A Fera na Selva”, protagonizado e dirigido pelos atores Paulo Betti e Eliane Giardini. O longa-metragem está pronto e será lançado no dia 22 de agosto durante o 45º Festival de Cinema de Gramado. O lançamento, em Belém, deve acontecer na semana anterior ao Círio de Nossa Senhora de Nazaré.
O “A Fera na Selva” é um longa-metragem baseado na obra, de mesmo nome, do escritor americano Henry James, escrita no início do século 20. Há mais de 20 anos, Paulo e Eliane encenaram no teatro uma adaptação desse romance. “O envolvimento com o texto foi tão grande que decidimos transformá-lo em filme”, conta Paulo Betti, em entrevista exclusiva ao DIÁRIO, enquanto caminhava livremente pelas ruas do bairro de Nazaré, interrompido por um autográfo e outro.
O enredo narra a história de João e Maria, um casal vivido pelos dois atores, em que João é um homem obcecado pela ideia de que um dia alguma coisa extraordinária vai acontecer a ele. A questão é que esse pensamento o impede de curtir o presente e o casal acaba não conseguindo perceber o grande amor que existe entre eles.
De fundo filosófico-existencial muito profundo, o filme propõe uma reflexão sobre a dificuldade das pessoas em compartilhar o momento presente. “É uma história que mexe muito com a gente. É como se fosse uma chacoalhada que nos faz pensar: será que vai acontecer mais alguma coisa interessante na minha vida ou está bom agora?”, diz.
O enredo foi o assunto do bate-papo promovido pelo ator, na noite de ontem, no auditório do teatro Margarida Schivasappa, em Belém. A conversa foi aberta ao público e reuniu profissionais do audiovisual, fãs do ator e pessoas anônimas que gostam de falar sobre produção artística. Betti é adepto do princípio de que a arte deve estar próxima à comunidade e, segundo ele, a ideia de realizar o bate-papo sobre o filme surgiu quando ele apresentou uma peça em Belém, em março deste ano. Na ocasião, o público que participou do espetáculo sugeriu um momento para discutir a produção.
PERTO DO PÚBLICO
O encontro nada formal, que permitiu ao público uma aproximação muito intensa com o ator, quebra o distanciamento que normalmente há entre artistas e fãs. “Foi uma forma diferenciada e educativa que encontramos naturalmente de lançar o filme, fazendo com que o público conheça e aprenda sobre todas as etapas de produção e filmagem de A Fera na Selva”, explica Betti. Além disso, os participantes do bate-papo são convidados a realizar a leitura do livro e do roteiro adaptado. Cada um pode, se quiser, fazer uma espécie de curso à distância sobre o filme numa plataforma digital e escrever uma página sobre o assunto com garantia de certificado de participação.
Voltado totalmente para o lançamento do longa, Betti ainda não tem projeto de retorno a novelas. Seu último personagem foi o Haroldo, na novela “Rock Story”, mas o público ainda guarda boas recordações do inusitado Téo Pereira, o jornalista gay, interpretado pelo global na novela “Império”. “Foi um personagem engraçado, que me empolgava muito, mas já desencarnei”, diz ele.
(Leidemar Oliveira/Diário do Pará)
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