O encontro deste mês do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) terá como base o filme “Blade Runner”, de Ridley Scott, lançado em 1982. Um clássico da ficção cientifica, o roteiro se passa em 2019, quando uma geração de androides, chamada “replicantes”, criada por uma corporação para colonizar outros planetas, retorna à Terra de forma ilegal e é caçada pelo ex-policial de um esquadrão de elite, cujos membros eram conhecidos como “blade runner”. Quem toma a frente do debate é o professor doutor Ricardo Evandro Martins, da UFPA, hoje, com início às 18h30, na Casa das Artes. A entrada é franca.
Doutor em Filosofia do Direito, ensaísta e amante do cinema, ele criará um diálogo com o público a partir do tema “Blade Runner: a Filosofia das Lágrimas na Chuva”, em que interpreta temas filosóficos que aparecem no filme. “Não vou me deter em técnicas de direção, áudio, fotografia. Minha tentativa é de explicitar esses pressupostos, que muitas vezes estão presentes, independente da intenção do diretor ou do autor do livro que inspirou o filme”, diz, referindo-se ao romance de Philip K. Dick “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”.
Entre as questões abordadas está: “O que é ser humano?”. “A questão do humanismo, a relação do homem e tecnologia, meio ambiente, e destruição do meio ambiente por meio da tecnologia. Assim como a natureza foi transformada em recurso natural, o homem foi transformado em recurso humano. Mas também falaremos sobre a questão existencial, da finitude, morte e esse medo de morrer e não se saber para onde vão as nossas lágrimas porque elas vão se misturar com a chuva”, adianta o professor, referindo-se ao monólogo final do replicante Roy Batty (Rutger Hauer) que dá título à palestra.
Participante dos eventos do Centro de Estudos há algum tempo, foi Evandro Martins quem escolheu “Blade Runner” para o debate, num momento também em que se voltou a falar do filme, já que sua sequência, “Blade Runner 2049”, chegou aos cinemas, 35 anos depois, trazendo de volta o personagem de Harrison Ford, Rick Deckard, e reacendendo o interesse pela primeira história.
“‘Blade Runner’ é um filme que acho belíssimo: trilha sonora, imagens, os temas tratados são do meu interesse e estudo. Já o assisti várias vezes. Agora não é um filme do meu tempo. Nasci em 1988, mas acompanhei a redescoberta do filme no final dos anos 1990. Ele ganha importância com o lançamento de ‘Matrix’ e também ‘Quinto Elemento’, que faz uma série de referências ao ‘Blade Runner’. Acho que é um marco para a ficção científica e pelo tema cyberpunk”, considera.
O Centro de Estudos Cinematográficos foi criado em 1962, por Benedito Nunes, Maria Sylvia Nunes e Francisco Paulo Mendes, para incentivar o estudo do cinema na capital paraense. Há dois anos sob a coordenação do crítico e professor de cinema Marco Antonio Moreira, retomou suas atividades com palestras mensais e gratuitas sobre cinema.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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