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AMAZÔNIA REAL

Exposição em Lisboa reúne paraenses para mostrar Amazônia sem filtros

Dos 120 fotógrafos que participaram da convocatória Amazônia Viva, 59 nomes foram selecionados para a exposição homônima, que ocorrerá em abril deste ano, em Lisboa, Portugal. Dentre eles, vários fotógrafos paraenses ou atuantes no Pará, como Elza Lim

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Imagem ilustrativa da notícia Exposição
em Lisboa reúne paraenses para mostrar Amazônia sem filtros camera Registro do Círio de Boa Vista | Ivone Pimentel

Dos 120 fotógrafos que participaram da convocatória Amazônia Viva, 59 nomes foram selecionados para a exposição homônima, que ocorrerá em abril deste ano, em Lisboa, Portugal. Dentre eles, vários fotógrafos paraenses ou atuantes no Pará, como Elza Lima, Luiz Braga, Miguel Chikaoka, Paula Sampaio, Paulo Amorim, e Paulo Santos, entre outros.

Durante a realização do evento, será exibido um vídeo produzido pelo Coletivo Fotógrafos pela Democracia com fotos de todos os participantes. Também será impressa uma coletânea com todas as imagens enviadas para divulgação e venda. Metade do valor líquido da venda será destinado ao autor da foto.

Ney Marcondes foi um dos selecionados para a mostra e irá participar com duas imagens que fez durante uma reportagem especial há onze anos, quando era repórter fotográfico do DIÁRIO. “Optei pelas margens do Rio Guamá, a partir de uma matéria que fiz em 2009, pelo Dia Mundial da Água. Desse arquivo, selecionei três imagens e me inscrevi”, lembra ele.

Com o tema “Amazônia Viva”, Marcondes acredita que as fotografias expressavam tudo aquilo que ele queria mostrar, “que a Amazônia está viva”. “Eu tinha muito material sobre desmatamento, mineração, mas que para mim não representavam a Amazônia viva, e sim o assassinato dela. Optei em mostrar algo mais bonito e que retratasse a Amazônia como ela deve ser vista e respeitada”, considera.

“As minhas imagens representam o ribeirinho, a vista de dentro da água para as casas dos ribeirinhos e a vista da casa deles para o rio. Fica uma ligação entre os dois ângulos de visão”, descreve Ney.

Paulista de nascimento, Ney diz que participar de uma exposição sobre a Amazônia, lugar que, como ele diz, o acolheu e onde constituiu família, é especialmente gratificante. “Acredito que também para outros selecionados, por divulgar essa Amazônia que está sendo tão massacrada e dizimada, sendo alvo de uma visão distorcida sobre seus moradores, como se as pessoas que nela vivem fossem os vilões. E o Coletivo Fotógrafos pela Democracia, está nessa exposição nos dando a oportunidade de mostrar que quem vive aqui quer o bem da Amazônia e sua preservação, mostrando a Amazônia viva”, destaca.

Marcondes já participou de outras seletivas internacionais, como na Colômbia, onde participou com uma série sobre o trabalho cotidiano de mulheres ribeirinhas e como elas utilizam dos meios naturais para sua sobrevivência. Enquanto fotojornalista, ele já teve registros divulgados por jornais como “ The Guardian” e “Clarin” e, recentemente, do site 35 Awards, da Rússia, que o elencou entre os 100 melhores fotojornalistas.

O olhar dos ribeirinhos sobre o rio e vice versa está na poética foto de Ney Marcondes
📷 O olhar dos ribeirinhos sobre o rio e vice versa está na poética foto de Ney Marcondes |Ney Marcondes

OLHAR DE DENTRO PRA FORA

A escolha por uma Amazônia que pulsa e resiste também está na obra de Ivone Pimentel, selecionada com três fotografias do Círio de Boa Vista, escolhidas pela curadora portuguesa Tereza Siza. Segundo feedback dado pela organização à fotógrafa, as únicas imagens inscritas sobre manifestações religiosas que ocorrem nas águas dentro da floresta.

Com quase 30 anos de carreira, esta foi a primeira vez que Ivone foi selecionada em uma exposição fora do país, e conta que a fotografia para ela é “aprendizagem e, não competição”. “É a chance de eu conhecer pessoas, de estreitar relacionamentos. A fotografia, na minha vida, é suave, agradável. Outro dia uma pessoa me perguntou o que é mais importante para mim, e eu disse que são as pessoas que encontro pelo caminho, pois tudo passa, mas o que eu vivi permanece”, reflete.

Ivone começou a fotografar por meio de oficinas no Curro Velho e hoje é ela quem dá aulas sobre fotografia documental, em Castanhal, onde vive. “A relação que eu tenho com a fotografia é muito interessante, da mesma forma que tenho com o rio, que é onde eu passei a minha vida toda, que gerou em mim essa memória afetiva. Quando fiquei sabendo do regulamento pelo Ney, que era para representar essa região, fiquei muito feliz porque isso significa muito para mim”, diz.

Com a série de três fotos do Círio de Boa Vista, ela diz que destaca sua relação com o rio. “Esse rio, eu já frequento desde criança, lembro de quando eu tomava banho segurada pela minha mãe, no rio Apeú, eu com cinco anos, cercada de botos. Representar esse lugar para mim foi o maior prêmio. Acho que as imagens têm poesia”, conta.

OLHAR INDÍGENA

Morando fora do Brasil há 20 anos, o paraense Paulo Amorim está na exposição com uma fotografia sobre a Amazônia nos anos 2000. “Mesmo com muita experiência em participar de várias exposições coletivas ou individuais, isso é um reconhecimento para a fotografia paraense. É uma lista grande de fotógrafos de todo o Brasil, como Miguel Chikaoka, Paula Sampaio, Luiz Braga e tantos outros. A minha foto é de 20 anos atrás, chamada ‘A dança da menina moça: a iniciação da puberdade dos índios gaviões’, que foi feita durante os jogos indígenas em Marabá, nos anos 2000. Eu optei por essa foto porque é uma cultura que está bastante ameaçada neste momento que o Brasil está enfrentando. Isso representa a Amazônia na minha visão”, diz Paulo Amorim.

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