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AUTOR PUBLICADO

Profissionais dão dicas de como tirar seus textos da gaveta

Uma carreira como autor publicado pode começar de muitas maneiras, mas, essencialmente, depende de ter boa disposição e acreditar no próprio trabalho, como colocam vários profissionais da área. O editor e publisher Filipe Larêdo, que trabalhou nas editora

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Imagem ilustrativa da notícia Profissionais dão dicas de como tirar seus textos da gaveta camera Divulgação

Uma carreira como autor publicado pode começar de muitas maneiras, mas, essencialmente, depende de ter boa disposição e acreditar no próprio trabalho, como colocam vários profissionais da área. O editor e publisher Filipe Larêdo, que trabalhou nas editoras Globo Livros e Novo Século, além de ser fundador de duas editoras, a Empíreo e a Pyro, destaca que o caminho tradicional de publicação, por meio de editoras, pode envolver vários fatores, como a demanda do próprio mercado e do catálogo dessas empresas.

Entre as diversas formas de apresentar um original, ele alerta que enviar um e-mail com o original para a editora, como muita gente acredita que é a forma adequada, é “quase uma falácia”, porque dificilmente leva à publicação. “Eu nunca vi isso acontecer. A editora, quando investe, investe em um mercado muito melindroso, muito sofrido; as vendas não são garantidas. Você precisa acertar; e quando encontra um autor que nunca conheceu, você perde um pouco essa certeza”, explica.

Um possível caminho é a busca por agentes literários. Se você é autor de um livro de ficção, por exemplo, pode entrar em contato com um agente literário, que vai avaliar se ele tem potencial. “Se acreditar que tem, ele vai te representar, te levar para ser apresentado para as editoras adequadas ao seu trabalho. É um caminho interessante para quem está começando. É um profissional que pode te dar algumas orientações importantes”, aponta.

Outro caminho é a demanda da própria editora, que pode querer lançar uma biografia e encontrar um pesquisador já escrevendo sobre aquela pessoa. “Ela contrata você para escrever a biografia, trabalhar como um parceiro do projeto”, explica. Também são muito comuns as indicações, especialmente, no caso de editoras que estão começando. “Elas trabalham com sua rede próxima de contatos, amigos, ou entre eles mesmos. O editor, para compor catálogo, também escreve e publica”, explica.

E a autopublicação por meios gratuitos ou financiados do próprio bolso também podem acabar levando até uma editora. “Se eu preciso de uma obra de literatura fantástica de pirata para compor o meu catálogo, posso puxar publicações independentes e ver a desenvoltura desses autores nas redes. Se eu encontrar alguém que mostra um bom potencial, posso chamar para uma possível publicação”, diz Larêdo.

PARCEIROS

Há alguns casos em que a editora e o autor dividem os custos e lucros de uma publicação. Como isso irá ocorrer, depende de cada projeto. No Pará, uma das novidades da última Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes foi a criação da Editora Dalcídio Jurandir, da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa). Através dela, há quatro possibilidades de publicação, começando por um edital público, lançado anualmente.

Durante a sua edição 2019, o edital selecionou 12 autores, um de cada macrorregião do estado. Outro meio de publicação são parcerias com universidades para livros que envolvam pesquisa acadêmica. Há a linha de reedição de autores paraenses fora de catálogo, e a linha comercial, em que o autor pode ir até a editora apresentar o projeto e fazer um orçamento e contrato de publicação. É desejável que o livro esteja pelo menos digitado e revisado; e a editora pode colocar no formato, pensar na capa, fazer ajustes.

“O custo varia muito, depende da quantidade de exemplares, do número de páginas do livro, se preto e branco ou colorido, o tipo e o formato do papel, da capa. Tem livro que 200 exemplares custam R$ 2 mil; e outro que 500 exemplares custam R$ 3 mil. A gente faz um estudo do livro, mas geralmente assina uma parceria, com o autor financiando uma parte e a gente subsidia outra, dependendo da relevância do trabalho, já que a editora tem o objetivo de fomentar a cena literária”, explica Rodrigo Moraes, coordenador da editora.

Desde grandes editoras até menores e públicas, podem trabalhar com publicações em parceria com o autor, como é o caso da Editora Dalcídio Jurandir. No Pará, pode-se citar ainda a Editora da Universidade Federal do Pará (ed.ufpa), que publica obras de interesse acadêmico, científico, artístico e cultural, originais ou reeditadas, seja de autor vinculado ou não à universidade. No site deles é possível encontrar orientações quanto ao envio de material para publicação e de parcerias com a editora.

Prêmios literários abrem portas e chancelam obra

Os prêmios literários também podem levar à edição. É o caso do Prêmio Sesc de Literatura para autores inéditos em todo o país. Além de incluir os selecionados em programações literárias do Sesc, os livros vencedores são publicados e distribuídos pela editora Record, uma das grandes do mercado editorial. E o Prêmio Kindle de Literatura, da Amazon, em parceria com a Editora Nova Fronteira, que reconhece alguns dos melhores romances inéditos autopublicados pela plataforma Kindle Direct Publishing (KDP), e este ano abrirá sua 5ª edição, no segundo semestre.

Entre os autores paraenses, um especialista no assunto é Airton Sousa. Os seus primeiros livros foram todos publicados de maneira independente, com ele custeando as publicações, juntando o dinheiro das vendas dos próprios livros. “Só algum tempo depois é que fui aprendendo outras questões em torno do livro e das possibilidades de publicar”, diz ele. Além de viabilizar a publicação, ele lembra que prêmios nacionais podem levar o autor a leitores fora de seu estado.

Segundo ele, há pelo menos três questões básicas neste processo. “O primeiro tem muito a ver com a própria obra. Eu sugiro que esse material passe por um processo de correção. Que os escritores ou escritoras procurem outras pessoas para ler seu material e que contribuam no processo de melhorar o livro. O segundo passo é buscar os editais, saber da credibilidade do prêmio. Em seguida, procurar ler atentamente o edital e seguir todos os princípios dele, incluindo o envio de documentos necessários, entre outros trâmites”.

No entanto, o mais importante que Airton tem a compartilhar é que o escritor não se deixe vencer pelo resultado final do prêmio. “Às vezes, quem participa e não vence acaba desanimando nas primeiras tentativas. O importante é encarar tudo isso como um processo de aprendizagem e sobretudo de oportunidade em ser lido. É assim que encaro até hoje, mesmo já tendo vencido mais de 70 prêmios literários”.

Conhecendo a importância que uma premiação pode ter para fomentar essa cena e dar oportunidades, Airton é também o idealizador e curador do Prêmio Amazônia de Literatura, que já realizou duas edições. “Ele é anual. Com inscrições gratuitas. E abrange tanto escritores quanto estudantes, em categorias separadas. Nesse ano vamos realizar a terceira edição, no segundo semestre”, avisa. No ano passado, foram quase 500 inscritos. Os vencedores são publicados em uma antologia.

Financiamento coletivo, pré-venda: os meios da autopublicação

A jornalista e escritora Monique Malcher fez uma oficina recente para mulheres no Sesc Ver-o-Peso sobre autopublicação. “Às vezes, a pessoa acha que o valor literário só está embutido no livro publicado. Mas existem outros caminhos, como zines, plaquetes, o financiamento coletivo - que tem várias plataformas em que as pessoas compram o livro antes, como uma pré-venda, e o dinheiro é usado para fazer o livro”, explica.

Dois bons exemplos, são a rapper e poetisa Shaira Mana Josy, convidada para diversas feiras literárias em 2019 após lançar o livro “PoEuSia”, produzido de forma completamente artesanal. E Gidalti Moura Jr., que ganhou o Prêmio Jabuti, o mais relevante da literatura brasileira, com sua graphic novel “Castanha do Pará”, fruto de financiamento coletivo pela internet, no sistema de pré-venda e recompensas.

Quando pensa em autopublicação, também é importante articular ações como os clubes de escrita. “Nesse curso surgiu um clube, e as mulheres estão se organizando para fazer seus próprios eventos literários, mostrarem juntas seus textos”, orgulha-se Monique.

A própria internet tem muitos modos de uso. A autora tem uma newsletter semanal pela qual envia textos e poemas para seus inscritos. “Essas outras formas de publicação ajudam a fugir da ideia de só me intitular escritora quando tiver um livro publicado. Isso é besteira”, enfatiza.

A própria história de Monique mostra que esses são caminhos que podem ser muito bem sucedidos. “Flor de Gume”, seu primeiro livro, será publicado em abril pela Pólen Livros, mesma editora de uma de suas autoras favoritas, a filósofa Djamila Ribeiro. “A curadoria foi da própria Jarid Arraes (fundadora da Pólen). Ela conheceu meu livro por causa do financiamento coletivo, que eu tinha iniciado para publicá-lo, e sempre que eu vinha a São Paulo, ia no clube de escrita que ela organiza. Ela me pediu para ler, gostou e decidiu publicar”, conta.

Monique diz que o que aprendeu de mais importante foi não esperar que alguém fosse pedir seus escritos e declará-la genial, pedindo para publicá-la. “O meio literário é muito difícil, mas você tem que se olhar como uma trabalhadora da palavra, mande seus escritos, dê para pessoas da área editarem, lerem. Tem que publicar da forma que for, aprender a não ter vergonha daquilo que faz”.

Plataformas digitais como a KDP podem ajudar a formar público

Para quem prefere se aventurar a iniciar e até manter uma carreira mais pelo ambiente virtual, também pode se espelhar em experiências como a da escritora Bruna Guerreiro, que começou também a publicar de forma independente. “Eu tenho ligações pontuais com editoras, na verdade, minha publicação é independente até hoje”, afirma. Ela começou a publicar o que escrevia em 2013, pela plataforma KDP, da Kindle/Amazon. “Não tenho dúvida de que houve uma grande virada da publicação independente com a KDP”, pontua.

Escrevendo desde a adolescência, ela já tinha textos e histórias prontas desde 2010 e um romance, de 2013. “Mas como não estava muito segura com o uso da plataforma, comecei publicando uma antologia de contos e fui aprendendo como funciona. Fiz tudo sozinha, inclusive quando lancei o romance (“Catarina”). Eu diagramei, revisei, fiz uma capa supercaseira. Fui fazendo desse jeito ao longo de 2014 e 2015. Só comecei a publicar impresso com a plataforma independente ‘Clube de Autores’. Ainda tenho livros lá”.

Ela publicou pela primeira vez com a pequena Editora WI, em 2016, a convite da dona, sua amiga dos tempos em que morou em São Paulo. Lançaram juntos uma série de livros e dois independentes. “Fiz acordo para a publicação do físico, mas o e-book continua sendo meu. Isso é interessante de alertar para quem está começando. Como o preço de e-book é baixo, se tiver que dividir com editora, se torna um valor ridículo”, diz ela.

Entre as novas plataformas e ferramentas, Bruna destaca também o Wattpad, em que é possível a publicação em capítulos ou livros inteiros. “Não é uma plataforma que dominei muito bem, mas acho importante a gente fazer um teste, tenho uns três contos lá. Tem gente que se sai muito bem começando por lá, depois de ter bastante leitura, lança o livro na Amazon”. Um livro já testado e lido por muita gente tem boas chances no mercado, inclusive com editoras fazendo busca por essa popularidade em rede para publicá-los, indica Bruna.

OPÇÕES

- Editora Dalcídio Jurandir/ IOEPA

Endereço: Travessa do Chaco, 2271 - Marco.

Telefone: (91) 4009-7800.

Funcionamento: Segunda a sexta, de 8h às 14h.

l Editora da Universidade Federal do Pará (ed.ufpa)

Site: www.editora.ufpa.br

E-mail: editora@ufpa.br

Telefone: (91) 3201-7994

- Prêmio Amazônia de Literatura

Fanpage: .facebook.com/Prêmio-Amazônia-de-Literatura

- Prêmio Sesc de Literatura

Site: www.sesc.com.br/ portal/site/premiosesc

- Prêmio Kindle de Literatura

Site: www.amazon.com.br

- Plataforma Kindle Direct Publishing (KDP)

Acesse: kdp.amazon.com

- Plataforma Wattpad

Acesse: www.wattpad.com

- Plataforma Clube de Autores

Acesse: clubedeautores.com.br

- Monique Malcher

Newsletter: tinyletter.com/ moniquemalcher

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