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Hilda Hilst: leitores podem mergulhar no universo da autora com mostra online

Autora de obras como “Kadosh”, “Com Meus Olhos de Cão”, além de “A Obscena Senhora D.”, várias vezes adaptada para o teatro, hoje, Hilda Hilst completaria 90 anos. Nascida em 21 de abril de 1930, em Jaú, ela morreu em Campinas, em 4 de fevereiro de 2004.

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Autora de obras como “Kadosh”, “Com Meus Olhos de Cão”, além de “A Obscena Senhora D.”, várias vezes adaptada para o teatro, hoje, Hilda Hilst completaria 90 anos. Nascida em 21 de abril de 1930, em Jaú, ela morreu em Campinas, em 4 de fevereiro de 2004. Por ocasião de seu aniversário, muitos de seus trabalhos e outros inspirados nela estão disponíveis pela internet esta semana. Em especial, a versão digital da 22ª mostra “Ocupação”, realizada em 2015 no Itaú Cultural, em São Paulo.

Novos e antigos leitores podem encontrar no site da mostra uma grande variedade de materiais, como entrevistas, textos e anotações, várias fotografias e alguns de seus admiradores, como a cartunista Laerte Coutinho, declamando seus poemas. Há ainda um link para a Enciclopédia Itaú Cultural, onde é possível encontrar sua biografia completa, e acesso aos espetáculos derivados de suas obras, além de artistas que a influenciaram, como Gregório de Matos, sua amiga Lygia Fagundes Telles e Caio Fernando Abreu.

Na verdade, é possível apreciar a autora e sua obra a partir do ponto de vista de vários artistas, pesquisadores e jornalistas. Em um dos vídeos, a atriz Iara Jamra fala sobre o processo de encenação de “O Caderno Rosa de Lori Lamby”, adaptado para o teatro, com direção de Bete Coelho. Em outro, é possível assistir à atriz Suzan Damasceno em um trecho do monólogo “A Obscena Senhora D.”, adaptado em 2013, com direção de Donizeti Mazonas e Rosi Campos.

É possível entender como ela se dedicou completamente a construir uma obra literária, desde sua primeira publicação, “Presságio”, em 1950, até trabalhos como “Fluxo-Floema”, em 1970, quando estreou na ficção. É possível ir compreendendo como tudo brota de suas entranhas e faz de seus livros claramente uma parte dela, de seu olhar sobre temas como o amor, o desejo e a morte. “Talvez eu tenha escrito com muita complexidade porque a própria vida é complexa… Não há simplicidade nenhuma no ato de existir”, disse ela.

Jurandy Valença, jornalista e poeta, conta em um dos vídeos que ela lia de oito a 12 horas por dia. A artista visual Olga Bilenky descreve seu processo criativo como laborioso. “Ela trabalhava como se fosse um operário”. E como relatam os jornalistas Humberto Werneck e Luiza Mendes Furia, ao ler os seus escritos em voz alta para os amigos, ali mesmo ela já fazia alterações, aperfeiçoava seu trabalho. Por meio de anotações é possível perceber isso, a obra de Hilda sendo produzida.

Entre os materiais disponibilizados pela mostra on-line, também são imperdíveis detalhes de sua infância e relações de amizade e amor, que fazem olhar mais de perto a mulher por trás de palavras tão memoráveis. É possível ver como herdou a força e dramaticidade da mãe, que tentou matar o marido três vezes; ver pelos olhos do irmão, como ela foi corajosa em suas escolhas como escritora, quando poderia ter se dedicado a ser uma advogada circulando pela alta sociedade paulista.

CASA DO SOL

Há ainda o passeio dos sonhos de seus leitores, por dentro da famosa “Casa do Sol”, onde Hilda Hilst se fez reclusa para se dedicar à leitura, escrita e o pensamento. Em forma de um minidocumentário é apresentado como ela teve a ideia de construí-la e como a casa está presente também em seus livros. Os relatos vêm de Olga Bilenky, Daniel Fuentes e Jurandy Valença, que chegaram a morar com ela. E há deleites como registros da rotina feitos pela própria escritora, em forma de lembretes em agendas, sonhos anotados e fotos.

Também é possível seguir para o site do Instituto Hilda Hilst (IHH), cuja sede é na Casa do Sol, em Campinas. O ambiente dedica-se hoje, além de salvaguardar a obra da escritora, a abrigar residências artísticas e espetáculos teatrais. Por lá, também é possível tornar-se assinante do clube “Obscena Lucidez”, que envia uma caixa mensal com reproduções exclusivas do acervo do instituto, livros e outros mimos; além de permitir a inscrição para cursos realizados na casa, voltados ao teatro e a literatura.

SERVIÇO

90 anos de Hilda Hilst

Conteúdo: Material da mostra “Ocupação Hilda Hilst”, pelo Itaú Cultural

Para acessar

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