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Série paraense estreia na internacional Amazon Prime

“Diários da Floresta” é o nome da série produzida no Pará e que agora pode ser assistida pela Amazon Prime Video, uma plataforma de streaming disponível no Brasil, Estados Unidos e mais cinco outros países.Inspirada na vida e cultura dos índios Paiter, no

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Imagem ilustrativa da notícia Série paraense estreia na internacional Amazon Prime camera Luiz Arnaldo Campos dirigiu “Diários da Floresta” | Jorge Bodanksy/Divulgação

“Diários da Floresta” é o nome da série produzida no Pará e que agora pode ser assistida pela Amazon Prime Video, uma plataforma de streaming disponível no Brasil, Estados Unidos e mais cinco outros países.

Inspirada na vida e cultura dos índios Paiter, no estado de Rondônia, no final da década de 1970, pouco tempo depois do primeiro contato deste povo com o chamado mundo civilizado, a série é dividida em cinco episódios. A produção apresenta a história de Cecy Brik, uma jovem antropóloga que submerge no universo dos índios paiter. Em plena selva amazônica, ela enfrenta pastores evangélicos, participa da luta contra os invasores de terras e mergulha de cabeça numa sociedade com costumes, segredos e cosmovisões que aos poucos se apossam de seu coração.

Baseada no livro homônimo da antropóloga Betty Mindlin, vivida pela atriz Rita Carelli, a série é ficcional e foi gravada em 2017, com locações nos municípios de Belém, Breu Branco e Tucuruí, sudeste paraense, onde foi construída uma aldeia indígena cenográfica.

Em entrevista ao DIÁRIO, o diretor e roteirista da produção, o paraense Luiz Arnaldo Campos celebra esta nova fase que se encontra a série, com visibilidade mundial. “É o primeiro trabalho paraense que está em plataforma internacional, em inglês e espanhol”, comemora.

“É uma encruzilhada de destinos, em que o povo naquele contexto da década de 1970 estava sendo atingido pela chamada civilização e, por outro lado, a antropóloga também é seduzida por esse processo de indigenização, com suas práticas, rituais e um universo que para ela era totalmente fascinante. Ela vai fazer essa travessia, essa imersão na cosmovisão do povo paiter”, conta o diretor.

MARCANTE

Envolvente, a cultura e esse universo indígena também foram para o próprio diretor o que mais lhe marcou. “Foram dois meses de filmagem e foi uma experiência muito bonita. A gente já tinha tido experiência com outros povos indígenas. Um pouco antes dessa filmagem, eu e (roteirista e diretora) Célia Maracajá fizemos um longa-metragem sobre o povo Aikewara [ou suruís-aiqueuaras] que habita os municípios de Marabá, São Domingos, Brejo Grande e São Geraldo do Araguaia. Durante a Guerrilha do Araguaia, eles tiveram suas terras ocupadas pelos militares, que achavam que os índios eram mancomunados com os rivais”, explica o realizador.

Ele conta que teve contato com a antropóloga Betty Mindlin em outro audiovisual indígena. “A gente comunga dessa paixão pelos povos indígenas. A gente se conheceu em um barco de um projeto chamado Ifnopap [O Imaginário nas Narrativas Orais Populares da Amazônia Paraense], da Universidade Federal do Pará. Estava trabalhando no filme ‘Descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados’, de 2009, que é um documentário com atores e encenações sobre o Tambor de Mina- a religião ancestral afro-amazônica que através da Encantaria sincretiza vodus daoemtanos, entidades indígenas. Naquele encontro, Betty me deu um exemplar de seu livro ‘Diários da Floresta’ e nos tornamos amigos. Depois, lendo o livro, eu fiquei fascinado para a possibilidade de realização do filme na época”, recorda.

Os filmes de Luiz Arnaldo abordam temas relacionados à população negra, como “Chama Verequete”, “Rio Funk”, “Mãe de Pedra” e “Terra de Negros 2” .

“Estamos com a expectativa muito grande que as pessoas acessem a versão com legenda porque parte da série é falado em paiter. Quero que as pessoas vejam e gostem para gente fazer uma segunda temporada”, diz o diretor.

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