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DA ESCURIDÃO, A LUZ

Artistas refletem sobre a pandemia em exposição virtual

A busca da reflexão e por se conectar com os outros durante a quarentena inspirou o ensaio, em preto e branco, do fotógrafo Miguel Chikaoka, intitulado “Por que a escuridão é necessária para experimentar a plenitude da luz”. A obra está entre as seleciona

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Imagem ilustrativa da notícia Artistas refletem sobre a pandemia em exposição virtual camera Leona Vingativa foi convidada pelo Instituto Moreira Salles a fazer um vídeo sobre a quarentena com muito humor, como já é sua marca | Renan Carmo/Divulgação

A busca da reflexão e por se conectar com os outros durante a quarentena inspirou o ensaio, em preto e branco, do fotógrafo Miguel Chikaoka, intitulado “Por que a escuridão é necessária para experimentar a plenitude da luz”. A obra está entre as selecionadas pelo programa de incentivo artístico do Instituto Moreira Sales, lançado em abril último, que aqui no Pará também selecionou o trabalho da artista e youtuber Leona Vingativa. Eles estão entre os cerca de 60 artistas e coletivos convidados a produzirem novas obras para publicação no site da instituição.

Com roteiro, imagem, som, e edição de Miguel Chikaoka, o ensaio “Por que a escuridão é necessária para experimentar a plenitude da luz” reflete sobre a luz, elemento básico da fotografia, de forma filosófica, e como ela pode ser observada em meio ao período de quarentena. “Isso é uma coisa que pauta meu trabalho, que é esse sentimento que norteia minha atividade enquanto educador”, diz Chikaoka, paulista de Registro, radicado em Belém desde os anos 1980, onde idealizou a criação da Associação Fotoativa, fundamental para a educação do olhar e a definição da capital paraense como um forte polo da fotografia nacional.

“Trato de uma questão de formação cidadã e até mesmo planetária do ser humano, que deve pensar espaço e tempo muito além da vida. Esse confinamento não necessariamente é um isolamento, mas talvez seja uma oportunidade de conectar uns aos outros, e não ficar isolado. O barco é o mesmo, o universo é esse em que todos estamos suspensos e interligados”, diz o fotógrafo.

Nesta primeira fase do programa, foram convidados artistas para produzir algo que dialogasse com esse momento de quarentena. “A ideia básica norteadora é que receberíamos uma ajuda de custo para produzir uma obra para inserir neste programa. Quando eu aceitei, claro que uma das condições era que a gente não saísse da nossa casa, exatamente para cumprir nossa condição de confinamento. Quando criei, pensei no que poderia transmitir, pensei em meus cursos e trabalhos. Gravei um vídeo de movimentos que visa pensar não só nesse momento, mas a fotografia que foi o elemento da minha inspiração, que permeia meu trabalho. Um respirar que retrata um universo interior também”, conta Chikaoka.

Rindo, mas com respeito

Leona Vingativa foi convidada pelo Instituto Moreira Salles a fazer um vídeo sobre a quarentena com muito humor, como já é sua marca
📷 Leona Vingativa foi convidada pelo Instituto Moreira Salles a fazer um vídeo sobre a quarentena com muito humor, como já é sua marca |Renan Carmo/Divulgação

Miguel Chikaoka diz que o tema tratado em seu trabalho selecionado pelo Instituto Moreira Salles pode ser enxergado como atemporal. “Eu podia ter feito esse mesmo trabalho em outro momento, porque ele tem uma certa atemporalidade. Porque nessa questão de fluxo, no espaço do universo, falo de tempos que extrapolam de longe nossa existência. Essa luz está no universo, fluindo apesar de sua rapidez e velocidade. Esse tempo espacial e cósmico é infinito. Não podemos nem imaginar, mas nunca chegaríamos lá por nossas forças. Esse lugar do tempo e do espaço é, numa certa medida, intangível”, explica.

O título “Por que a escuridão é necessária para experimentar a plenitude da luz” transmite uma ideia que pode ser entendida como pergunta e, ao mesmo tempo, uma afirmação. “É um pouco de tudo. É uma afirmação, mas ao mesmo tempo, uma indagação. A gente aprende muito com os erros. A gente cai para levantar, isso é da vida, da natureza. Quando coloquei o título, pensei que a condição necessária para a plenitude da luz é esse silêncio. O valor real e profundo das coisas a gente só acaba conhecendo quando está do outro lado, quando perde”, afirma.

LEONA

Além dele, outra artista representante do Pará também foi convidada para participar do programa. Diferente da poética e do tom intimista da obra de Chikaoka, Leona Vingativa, que foi uma das primeiras youtubers do Brasil, apresentou um vídeo de humor sobre a quarentena. “Recebi o convite da organização do programa e fiquei muito feliz em dividir minha história sobre a quarentena com meus fãs. De poder mostrar como está sendo esse período e também saber como eles estavam. No começo de tudo, eu não estava postando Stories e recebi muitas mensagens carinhosas. Mas foi muito gratificante falar da importância de as pessoas continuarem em casa, levando conscientização nas minhas mensagens, como sempre fiz em toda a minha carreira. Só tenho a agradecer a organização por ter lembrado de mim. Me sinto uma privilegiada por isso”, conta Leona.

Mulher trans e artista multimídia, ela ficou conhecida ainda criança quando viralizou nas redes, aos 7 anos, com a personagem de uma novela que depois tomou para si como nome artístico. Desde o começo usando o humor e o escracho como elementos, a voz de Leona ganhou amplitude ao levar crítica social ácida sobre temas comuns a ela enquanto moradora da periferia de Belém e ativista LGBTQ. Entre suas obras, estão os videoclipes “Eu Quero um Boy” (2014) e “Frescáh no Círio” (2015), e o curta “Atrack em Paris” (2017), dirigido por André Antônio e Paulo Colucci.

ONDE VER

ims.com.br/convida

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