A história centenária de um dos mais conceituados clubes do Brasil está no livro “AP de Todos os Tempos”. A versão digital da obra estará disponível gratuitamente a partir de hoje, às 19h, no site da Assembléia Paraense (AP).
Escrita pelos jornalistas João Carlos Pereira, Carla Vianna e Vera Cascaes, a publicação marca os 104 anos de fundação do clube, retratando desde o seu início até os dias atuais. “A ideia do livro começou com Daniel Lopes, o antigo presidente do clube, e o novo gestor, Afonso Lobato, deu continuidade a esse projeto atribuindo uma dimensão bem maior a ele, com esse título, que remete a uma releitura do passado, uma atualização do presente e uma projeção para o futuro, que contempla as três vertentes no livro”, explica João Carlos Pereira.

“O livro tem história e memória. O clube é tão integrado à cidade de Belém, que é impossível pensar nela sem retratá-lo. Há 100 anos, ele está na vida da cidade. Eu agradeço muito a confiança do Daniel Lopes e do Afonso Lobato, que me convidaram para esta missão”, conta João, responsável por retratar o contexto histórico na obra.
João considera que o livro ultrapassa fronteiras e tempos, para perpetuar esse registro. “Ainda não inventaram nada como a perenidade do livro. Quem guardava informações no disquete, as perdeu. Quem tinha fita cassete, também perdeu. Mas o livro estará sempre presente. O livro saiu em versão digital, mas posteriormente sairá também na versão impressa. Ele sempre será fundamental para preservar a memória do homem”, considera o escritor.
João Carlos Pereira conta que suas impressões sobre a AP foram diferentes e isso contou muito para o resultado final. “Para mim foi honroso, porque não sou sócio da AP, diferente da Vera e da Carla, que são sócias, cheguei lá como convidado. E, como alguém de fora, a gente passa de carro na rua e não sabe que toda a água que a AP descarta, seja da cozinha ou do esgoto, só chega na rua depois de um tratamento. Eles não podem jogar ali por causa do manancial do Utinga. Todo pão da AP, é feito nos restaurantes que existem lá dentro, que são muitos. Eu passei a ter uma admiração por aquilo que vi, pelo trabalho dos presidentes. É uma visão de quem é de fora a partir do que viu durante todo o processo de pesquisa para o livro”, avalia.
João Carlos Pereira destaca dois fatos curiosos sobre a AP. “A primeira é que a palavra ‘assembleia’ perdeu o acento, segundo o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa. Por isso, muita gente se questionava o porquê deles manterem o acento. Eu fui à Academia de Letras, e obtive a explicação deles, que é a seguinte: como no cartório o nome da empresa foi registrado com o acento, eles são obrigados a continuar utilizando o acento”, explica o escritor.
“Outra coisa é que a Assembléia é um dos espaços que mais livros têm a seu respeito. Um foi escrito pelo Mário Teixeira, sobre a história da AP. Outro autor é o professor e historiador Clóvis Moraes Rego. Tanto Mário quando Clóvis, falecidos, pertenciam à Academia Paraense de Letras. Eu também pertenço. Então, podemos dizer que três dos autores que já escreveram sobre a AP têm seus nomes ligados à Academia de Letras”, enaltece.
Clube é recorte da história da cidade
Para a jornalista Vera Cascaes, a história de Belém se confunde com a da Assembléia Paraense. Por isso a importância de registrar tudo isso em um livro. “Qualquer outra maneira de se festejar um século de história se limitaria a ser recordada numa foto, num registro ou em uma publicação. O livro resguardará o que foram os cem primeiros anos, para as gerações que farão a AP nas próximas décadas. Enquanto nos debruçávamos sobre o acervo, pensamos em como seria, daqui 50, 100 anos, pesquisar como a AP começou, como eram as sedes, os eventos, esportes, gastronomia e os muitos ‘porquês’... Esse século, nós já contamos. Que venha o próximo!”, enfatiza a autora.

Ela aponta outra dimensão de fazer essa pesquisa, para quem, como ela, cresceu junto com o clube e carrega uma memória afetiva nessa construção. “Como associada desde a infância, o trabalho teve um significado especial, foi carregado de emoção. Ao ver o resultado, é inegável que a sensação foi de ver um ‘filho’ pronto. Conhecer a AP por dentro e contar essa experiência foi gratificante. Fico imaginando minhas netas, que frequentam o clube desde os primeiros meses de vida, conhecendo essa história e lembrando de quando estávamos todos lá!”, afirma.
MELHOR DO BRASIL
A jornalista Carla Vianna, que completa a trinca de autores, enaltece a sofisticação e a atuação da AP nesses 104 anos, que para ela fica evidente com a conquista do prêmio de melhor clube social em 2018, concedido pela Federação Nacional dos Clubes (Fenaclubes). “A AP tem suas atividades, piscinas e esportes com várias modalidades. Sendo membro da Federação, passou por muitos critérios avaliativos que lhe deram essa conquista do melhor clube entre os cem do Brasil. Teve algumas cerimônias, e eles foram receber a premiação em São Paulo”, conta.
“O leitor é levado a fazer um passeio pelos 104 anos de história do clube, desde quando sua sede ficava localizada na avenida Presidente Vargas, e depois se instalou na Almirante Barroso, que é a que conhecemos atualmente. É interessante conhecer as pessoas da época, o que fizeram, o passeio que se dá na história e em Belém. O clube era, então, um reflexo do que se passava na cidade. Tem a parte histórica, mas também os grandes eventos, como o ‘Rainha das Rainhas’, em que a primeira edição foi na AP”, aponta Carla.
A jornalista conta que diversos quesitos dão à AP uma visão de clube com papel social destacado na capital paraense. “Nas artes, a AP se destaca com um acervo bem grande hoje, com artistas respeitados, como Geraldo Teixeira e Jorge Eiró, que fazem a curadoria do acervo. Tem a parte de esportes, que conta com todas as modalidades possíveis, que vão do beach tênis ao skate. As equipes de futebol competem nacionalmente. O clube tem vários atletas que se destacaram e já vestiram a camisa da seleção brasileira, nas modalidades do voleibol, basquetebol e até futebol feminino”, ressalta.
PARA DOWNLOAD
“AP de Todos os Tempos” - João Carlos Pereira, Carla Vianna e Vera Cascaes
Onde: Versão digital disponível a partir das 19h, no site assembleiaparaense.com.br
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