Os finais de semana podem ser um convite a conhecer e reconhecer espaços que até fazem parte do dia a dia, mas que muitas vezes acabam não vivenciados na capital. Mesmo para quem mora em Belém ou que já visitou os museus e igrejas que compõem o Centro Histórico da cidade outras vezes, um feriado como o de agora, pode ser uma boa oportunidade para experimentar o que a própria cidade guarda.
Quando se circula pelas ruas estreitas dos bairros da Cidade Velha e Campina, deve-se ter em mente as várias camadas de memórias e usos que se aglutinam ao longo do tempo e que fazem o presente daquele espaço. “Se aqui começou como um lugar de fundação da cidade, lá em 1616, ligado a uma questão de estratégia militar de ocupação do território amazônico frente as ameaças estrangeiras, hoje ele se torna esse espaço que acumula um sentido de tradição, de turismo, de lazer e, também não podemos esquecer, de residência”, explica o historiador André Andrade.

André acredita que a própria pandemia da Covid-19 acabou gerando uma reflexão sobre os usos de espaços como os que compõem o Centro Histórico. “Quando a gente se vê limitado, o interessante é que a gente passa a olhar de uma maneira diferente para esses lugares que antes a gente tinha uma liberdade maior para frequentar”, considera. “A importância [do centro histórico] está relacionada a justamente ao fato de ele ser polissêmico. Tem gente de fora que vem para conhecer a cidade; tem gente que mora aqui, mas não conhece e tem gente que conhece, mas que quer continuar conhecendo mais”.
Contribuindo com as experiências de quem já conheceu o espaço em algum momento, o historiador destaca o importante papel dos espaços museológicos presentes no centro histórico de Belém. Na medida em que renovam periodicamente parte de suas exposições, os museus recriam também as possibilidades de uso e visitação por parte do público.
“Nesse espaço nós temos o Museu de Arte Sacra, o próprio Museu do Estado, a Casa das Onze Janelas, que têm suas exposições permanentes, mas que também recebem novas exposições”, destaca. “Esses museus estão sempre renovando a história, trazendo elementos de outros lugares para que a gente tenha sempre razões para estar aqui porque o sentido do centro histórico é e precisa ser sempre renovado para que a gente não caia na falsa ideia de que aqui é um lugar de passado. Não, pelo contrário, é um lugar de presente mesmo”.
Para além dos museus tão característicos do Complexo Feliz Lusitânia, André ainda destaca a paisagem privilegiada pela Baía do Guajará e a possibilidade de se permitir vivenciar experiências que vão além do entorno da Praça Frei Caetano Brandão.

“Acho que também as pessoas têm que se permitir. Eu sinto que ainda existe uma visão estereotipada de espaços que não têm essa beleza mais clássica, mas que têm uma importância muito grande relacionada aos seus usos”, considera. “Então, por exemplo, é interessante se permitir vir conhecer a Feira do Açaí e o próprio Ver-o-Peso. São espaços aos quais ainda é atribuída uma imagem muito negativa e acho que isso parte unicamente de um pré-conceito. São visões que atrapalham que a gente conheça a nossa própria cidade”.

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