Uma corrente de orações, energias positivas, postagens usando suas músicas e fotos com pedidos de recuperação ganharam as redes sociais durante quase um mês em que o cantor, compositor e produtor cultural Nilson Chaves ficou internado, para o tratamento da Covid-19. Há também lives que vários colegas músicos têm feito para ajudar financeiramente no tratamento dele em casa, que inclui várias terapias. A força de toda essa união em prol da saúde dele ainda ecoa no coração do artista, que continua se recuperando das sequelas da doença.
“Essas pessoas, graças ao desejo de Deus, me fizeram voltar. Estou muito feliz de voltar, mas vou voltar com muitas reflexões sobre a minha vida e com coisas boas valorizadas, como a descoberta do amor que esse Brasil tem por mim”, relata Nilson, cuja alta médica foi marcada por uma apresentação do coral de funcionários do hospital cantando “Sabor Açaí”, uma de suas mais conhecidas canções. Todo esse amor, conta, o tocou e fez toda a diferença para a recuperação.
Ícone da música popular paraense, Nilson, de 69 anos, deu entrada no Hospital de Campanha do Hangar no dia 4 de novembro, com quadro de tosse, fraqueza e febre. Após passar por tomografia, foi atestada uma infecção no pulmão. Com a piora do quadro, decidiu-se por sua transferência para a UTI da Santa Casa, onde o cantor teve altos e baixos, a ponto de ser vítima de fake news que garantiam a sua partida, causando extrema comoção entre artistas, amigos e fãs.
Em entrevista ao Você, Nilson fala de seu processo de recuperação, que ele espera estar bem adiantado até janeiro. Fala também sobre a importância da família e a certeza de uma mudança em sua vida no pós-Covid. Confira a seguir algumas reflexões do cantor.
RECUPERAÇÃO
“A minha recuperação está indo muito bem. Estou conseguindo recuperar os movimentos, lentamente claro, mas estou conseguindo, e a perspectiva é que lá pelo dia 15 de janeiro eu já esteja inteiro, com a graça de Deus.”
FAMÍLIA
“Estar na minha casa, com as pessoas que me amam, como a minha mulher e meu filho Kauê, é de uma importância extraordinária, e isso me faz ficar mais forte, mais carregado de fé e de certeza que tudo vai melhorar. A família, acima de tudo, é a coisa mais importante que a gente tem na vida, e o amor deles me ajuda a acreditar mais ainda na recuperação.”
REFLEXÕES
“Tenho muitas reflexões sobre isso tudo e acho que Deus até me devolveu para o planeta porque, com tanta reza, oração, de todos os segmentos religiosos, Ele acabou atendendo os pedidos dessas energias. Acho que Deus me deu uma nova missão, que eu vou no caminho começando a entender, perceber, mas Ele pode também estar me dizendo: ‘Olha, eu estou te devolvendo para tu perceberes quantas pessoas te amam nesse país, te respeitam e te admiram’. Passando agora o medo de partir, a gravidade da minha situação, hoje eu tento transformar tudo isso numa dádiva, porque eu voltar e perceber o amor de todas essas pessoas me fez entender talvez a minha importância como artista e ser humano também, e mais ainda, um merecimento de voltar. É impagável tudo isso que eu vi e percebi, tudo isso que eu recebia no hospital e que ainda estou aqui recebendo.”
MUDANÇA
“Acho que muita coisa na minha vida vai ser mudada naturalmente, porque quem passa por uma situação como a que eu passei, os valores acabam sendo revistos, né? Talvez eu tivesse esse merecimento, acho que isso é uma das coisas que me fizeram voltar. Vi a live dos meus amigos músicos, companheiros de palco, e o que eu mais ouvir falar ali foi da minha força coletiva, do meu desejo de generosidade, isso foi uma coisa muito inteira na minha vida e vai continuar sendo. Mas acho que tem outras mudanças, os pensamentos estão aqui fervilhando, buscando respostas. A minha proximidade com Deus já está sendo mais inteira, todo dia agradeço pelo novo dia. Estou voltando, tentando melhorar alguns valores importantes e revendo outros erros, muitas falhas, é assim que eu vejo o Nilson pós-Covid.”
PLANOS
“Não estou pensando neles ainda. Estou pensando na minha recuperação, talvez este seja, neste momento, o meu maior desejo. Nem pegar o violão eu pego. Já peguei um pouquinho só para ver se eu estava melhor, e realmente eu estou bem melhor, mas o momento não é de pensar em compor alguma coisa, o momento é da minha recuperação.”
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