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Projeto exibe na internet curtas-metragens produzidos por jovens do Pará e Maranhão

As atividades em 2020 foram readaptadas e a apresentação para o público será no formato virtual.

quarta-feira, 20/01/2021, 09:01 - Atualizado em 20/01/2021, 09:39 - Autor: Michelle Daniel


A comunidade de Olho D’Água, em Pindaré Mirim, no Maranhão, foi um dos lugares que receberam o projeto “Cultura na Praça”, envolvendo jovens na produção audiovisual
A comunidade de Olho D’Água, em Pindaré Mirim, no Maranhão, foi um dos lugares que receberam o projeto “Cultura na Praça”, envolvendo jovens na produção audiovisual | Divulgação

Jovens de comunidades localizadas no interior dos estados do Pará e Maranhão produziram 16 curtas-metragens nos últimos dois anos, desenvolvidos como parte do projeto “Cultura na Praça”, que leva oficinas para regiões afastadas dos grandes centros e proporciona a oportunidade dos jovens produzirem os próprios filmes. Depois de pronto, o material é exibido em praça pública para os moradores, junto a filmes nacionais. No entanto, por conta da pandemia, as atividades em 2020 foram readaptadas e a apresentação para o público será no formato virtual. O trabalho está disponível a partir das 20h de hoje, no site do Cine Babaçu, na internet.

O projeto lançado em 2018 é itinerante, patrocinado pela Vale por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e tem como objetivo fomentar e valorizar o patrimônio cultural e imaterial das localidades beneficiadas, além de democratizar o acesso à cultura através do audiovisual. Gilberto Scarpa, coordenador do projeto, conta que cerca de 200 jovens já participaram das oficinas desde o início e mais de 2 mil pessoas já tiveram a oportunidade de assistir aos filmes nas praças.

Em 2020, aproximadamente 70 jovens, com idade entre 13 e 19 anos, a maioria meninas, de dez comunidades tradicionais de seis municípios do Maranhão foram contempladas pelo projeto, produziram e gravaram curtas a partir do tema “Uma videochamada para o futuro”. “Eles trabalharam em cima disso a partir da perspectiva deles, se posicionando a respeito do assunto. Alguns mandaram uma mensagem sobre a importância de preservar o rio; outro uma homenagem sobre preservar as mães... O material é fantástico!”, garante Gilberto.

Para que o conhecimento fosse repassado e os jovens conseguissem produzir os vídeos em plena pandemia, a estratégia também foi alterada, já que todas as oficinas eram realizadas presencialmente. “Tudo foi produzido em novembro e dezembro, acabou de sair do forno. Uma equipe nossa, reduzida e adotando todos os protocolos de segurança, passou pelas dez comunidades onde os jovens já haviam sido selecionados pelos líderes dessas regiões, repassou uma série de instruções sobre como usar o equipamento para o filme, distribuiu material didático e disponibilizou 18 videoaulas. Todos os grupos foram acompanhados via WhatsApp, depois recolhemos o material, levamos para Belo Horizonte para edição e, íamos trocando mensagens com eles sobre o formato final”, detalha Scarpa.

Caminho novo por novos olhares

Para Gilberto Scarpa, o projeto tem enorme responsabilidade social e cultural junto aos jovens. “Avalio como duas emoções diferentes. Nas oficinas e ao longo da produção, vemos o quanto eles absorvem tudo, possuem inteligência emocional gigante, com capacidade e resiliência de enfrentar seus problemas, de conversar e ter alegria ao mesmo tempo. A gente ensina e aprende muito. Depois é a fase da exibição, que é uma festa. A tela grande e projetor chamam a atenção dos moradores. Quando os jovens veem o que fizeram, a gente percebe a importância que é para eles tudo isso. A cidade reconhecendo os esforços e, de certa forma, se tornam pequenas celebridades. As comunidades se sentem privilegiadas. Além disso, a gente consegue movimentar a economia local, porque a gente contrata toda a estrutura da região”, diz.

 

Efeito sobre os jovens que participam do projeto é transformador, diz coordenador, e envolve a comunidade como um todo
Efeito sobre os jovens que participam do projeto é transformador, diz coordenador, e envolve a comunidade como um todo | Divulgação
 


O coordenador do projeto aposta em uma exibição pública no momento em que houver maior segurança diante do cenário de pandemia. Enquanto aguarda, pretende inscrever os curtas-metragens em festivais nacionais que forem lançados este ano. “Vamos ficar na torcida para que sejam reconhecidos e premiados. Confesso que é uma alegria fazer parte desse projeto. Dar voz para esses jovens é muito importante nesse momento em que vivemos. Se a gente quiser algo novo, precisa escutá-los. É uma opção que temos”, aposta.

EXIBIÇÃO

O Cine Babaçu, que estará disponível a partir das 20h de hoje no site do projeto, disponibiliza recursos de acessibilidade, como legenda, legendagem descritiva e audiodescrição. Nele, estarão abertas três salas. Na primeira, todos os 10 curtas-metragens do ano de 2020 produzidos pelas comunidades tradicionais de Quebradeiras de Coco e Ribeirinhos do Maranhão: Vila União (em Buriticupu), Serra (em Tufilândia), Vila Varig (em Bom Jardim), Olho D’água (em Pindaré Mirim), Barradiço (em Santa Inês); Riachão, Puraqueú e São Vicente (em Igarapé do Meio), Pimental e Bubasa (em Arari).

Na sala 2, os filmes de 2019 gravados em seis cidades do Pará e Maranhão - Ourilândia, Canaã dos Carajás, Parauapebas, Bom Jesus do Tocantins, Açailândia e Igarapé do Meio. Na última sala, estará disponível um recorte de um festival chamado “Primeiro Plano”, contendo quatro filmes estreantes. Todos os curtas possuem de 5 a 18 minutos de duração. Tratam-se de documentários, ficção e outros gêneros.

Veja

Lançamento do cinema virtual do projeto “Cultura na Praça - Cine Babaçu”

Quando: Hoje, às 20h

Onde: culturanapraca.art.br

Informações: Instagram da Cultura na Praça e Facebook da Cultura na Praça 

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