A pandemia da Covid-19 gerou cenários desoladores para os amantes da cultura: teatros esvaziados e salas de espetáculos fechadas. Mas, sabe-se, a arte resiste, renova-se e chega sob novas formas ao público cativo. Neste domingo, por exemplo, a obra de um dos maiores contistas mundiais, o russo Anton Tchekov, poderá ser apreciada on-line, na segurança da residência de cada espectador, em uma releitura com inspirações bem paraenses.
O médico russo Tchekhov (1860 - 1904) é considerado um dos maiores e mais influentes contistas da literatura universal, além de ter se destacado também no campo cênico, com peças como “A Gaivota”, “As Três Irmãs”, “Tio Vânia” e “O Jardim das Cerejeiras”. A comédia “O Urso”, do autor, será encenada pelos atores Breno Monteiro, Celso Taynan e Ketellen por Deus.
Os artistas irão recontar a história da viúva Popova (interpretada por Breno Monteiro), que se martiriza - por meses - devido à morte do marido, mas tem o luto bruscamente interrompido pelo rude credor Smirnoff (Celso Taynan), que chega para cobrar algumas dívidas do falecido. Popova - que tinha como único consolo as cavalgadas no cavalo Toby - terá a ajuda do criado Luka (Ketellen por Deus) para tentar driblar as cobranças de Smirnoff e conseguir um final feliz para a situação delicada.
O espetáculo será transmitido pelo IGTV do Instagram do Espaço das Artes de Belém (@espacodasartes.belem), às 20h. O projeto - dirigido por Luana Oliveira e Nilton Cézar - foi criado pelo artista Lucas Belo e aprovado no Edital de Teatro da Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural através da Secretaria de Cultura (Secult/PA). “O Urso” tem produção de Lauro Sousa e Breno Monteiro, além do apoio do Espaço das Artes de Belém e da Companhia Paraense de Potoqueiros.
PANDEMIA
A realização de espetáculos dentro do contexto da pandemia, além de implicar na ausência do calor do público, coloca todos os envolvidos frente a novos desafios que modificam até mesmo as dinâmicas técnica e corporal.
“A maior dificuldade de construir um espetáculo em meio a uma pandemia é a questão do distanciamento entre os atores, a relação que precisa ser fixada dentro de um processo teatral. Posso citar também o uso da máscara que limita a articulação vocal e a respiração dos atores”, comenta a diretora Luana Oliveira.
“Tivemos que elaborar metodologias pensando nessas limitações físicas a todo momento, por causa da preocupação de contágio entre toda a equipe técnica”, complementa a diretora.
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