A fotógrafa paulista Milena Paulina começou a fotografar corpos de pessoas gordas por não se sentir representada. Hoje trabalha para desmistificar o tabu envolvendo a nudez desses corpos. Ela bate um papo sobre a temática durante o Café Fotográfico da Associação Fotoativa, hoje, às 19h, nas redes sociais da associação. O encontro contará com a mediação da artista e educadora Dairi Paixão.
“Estou bem animada para participar, nunca estive em Belém, mas tenho muitos amigos que são daí e tenho muita vontade de conhecer, fotografar, conhecer a natureza por aí. Foi um convite muito carinhoso, fiquei bastante feliz. Vou falar um pouco sobre como cheguei no trabalho que tenho hoje, do nu, da representatividade. Também um pouco sobre a arte manual que trabalho junto com essas fotografias, que é o bordado ou lambe, arte de rua”, adianta Milena.
A fotografia chegou para a artista como um resgate para quem já havia desistido da salvação, pois se considerava uma pessoa invisível aos seus próprios olhos. Observava seu corpo e não entendia nada sobre a existência dele, acreditando muitas vezes ser inferior apenas por morar nele. Até que a fotografia chegou, através de um ensaio da modelo Jacqueline Jordão, que ela viu na internet.
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“Foi a primeira vez que vi um corpo gordo, semelhante ao meu, em forma de arte, e então eu soube que era aquilo que eu precisava: representatividade. Fui descobrindo muito sobre mim trabalhando com essa temática, curando coisas que eu tinha em mim e principalmente lidando com o lado mais humano da fotografia”, relembra Milena.
Ela complementa: “Por mais que a gente esteja falando de um evento fotográfico, a minha foto sempre foi sobre a pessoa que eu estou fotografando e não tanto sobre as técnicas fotográficas. Então, esse papo vai ser totalmente sobre isso, sobre contar histórias e trocar com as pessoas que vão estar lá”.
Milena Paulina iniciou em 2017 seu primeiro projeto fotográfico, chamado “Eu, gorda” e com ele viajou o Brasil e fotografou mais de 300 pessoas gordas. Hoje busca representar sua arte em diversos materiais, formas e linguagens, sempre botando corpos marginalizados no centro de suas criações.
O Café Fotográfico é um projeto da Associação Fotoativa realizado desde 2008, com encontros abertos ao público, reunindo artistas, estudantes, pesquisadores e interessados na arte, para falare sobre pesquisas, projetos e processos artísticos no campo da imagem e da fotografia.

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