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TEATRO

Saudade e herança afetiva entre mãe e filho conduzem peça

A dramaturgia é inspirada em dona Mira, líder comunitária do bairro do Jurunas, em Belém, vítima da covid-19

sexta-feira, 24/09/2021, 19:40 - Atualizado em 24/09/2021, 19:40 - Autor: DOL


Adilson em cena com as memórias afetivas da mãe, dona Mira
Adilson em cena com as memórias afetivas da mãe, dona Mira | Divulgação

A relação entre saudade e herança afetiva sobre mãe e filho conduzem o solo de Adilson Pimenta.

“Mira tudo que passa, Mira o amor que fica" será encenado neste sábado (25) na casa onde dona Mira, mãe do autor e dramaturgo, viveu.

No mesmo dia, no local será inaugurado o Espaço Cultural Dona Mira, voltado para manifestações artísticas periféricas, pretas, lgbtq e amazônica.

O espetáculo traz como indutor a saudade, os dias que seguem após a partida da mãe do ator, uma líder comunitária na passagem Jacob, no bairro do Jurunas, em Belém.Ela foi uma das vítimas da covid-19 em março de 2021 e que fazia da própria residência uma espécie de consultório popular, com atendimento quase 24h por dia.

O atendimento na vizinhança era que quase 24h na casa dela, uma espécie de consultório popular.  A porta sempre estava aberta ou apenas com o ferrolho passado.

O projeto contemplado pela Lei Aldir Blanc, edital de Teatro, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do Pará, tinha a princípio o título " Já assinou o abaixo assinado", que narraria as histórias de quatro lideranças comunitárias e a importância delas dentro das comunidades dos bairros de Icoaraci, Bengui, Marco e Jurunas.

Dona Mira era a voz que iria representar o Jurunas, bairro onde ela era moradora, há mais de 50 anos.

O espetáculo " Mira que passa, Mira o amor que fica", fala dessa personalidade.

“A inspiração do projeto foi a minha mãe. Sobre a importância de líderes comunitários na comunidade. Com a morte dela eu deixo de falar da trajetória dos outros representantes de outros bairros e foco na trajetória da Dona Mira”, explica Adilson, que além de atuar é responsável pela dramaturgia ao lado de Wellington Romário e Luciano Catanhede. A direção é de Maurício Franco.

“A sua partida nos fez ver que o espetáculo era ela, a inspiração era ela, desde do início. E também é um processo natural do teatro, a gente começa com um pensamento disparador e o processo vai criando vida própria. E entra o processo do ator de tirar da dor da ausência a poesia da vivência, do amor do afeto. E tirar de todo esse caos que vale a pena viver. E depois de seis meses construindo esse processo nasceu o espetáculo. É uma louvação aos amores que perdemos neste. E um grito contra a pandemia. Que retirou as pessoas que amamos”.

 

Serviço: Espetáculo “Mira tudo que passa, Mira o amor que fica”

QUANDO: sábado 25/09

ONDE: passagem Jacob, 54, Jurunas Belém- PA

HORA: 19h

Informações e Reservas: 981972017

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