É comum ver personagens femininas sendo escritas e descritas de maneira estereotipada por dramaturgos homens, o que reforça cenários machistas, sexistas e misóginos, mesmo que de maneira inconsciente. Por isso, surge o questionamento: quem são as dramaturgas que descrevem e escrevem sobre mulheres nas histórias clássicas e atuais que ouvimos até hoje?
Esse é o mote do projeto “Meu Nome Não É Amélia”, idealizado pela artista Eliane Gomes, que busca o local de fala da mulher dentro de uma dramaturgia, mesclando ficção e realidade. O projeto é fruto de uma extensa pesquisa que revisa a importância de debater questões feministas dentro da escrita teatral, principalmente pautada por mulheres.
A dramaturgia tem como ponto de partida uma personagem feminina que está sendo criada por um dramaturgo homem. Logo de primeira, temos um grande embate histórico: o Criador versus a Criatura. Esta personagem recebe o nome de Amélia - fazendo referência à música “Ai que saudade da Amélia”, que constrói um tipo ideal de mulher submissa tão presente em nossa cultura machista.
“São raros os nomes femininos ligados à escrita dramatúrgica que constam na historiografia teatral brasileira. Nomes como Josephina Álvares de Azevedo, Maria Angélica Ribeiro, Júlia Lopes de Almeida e Maria Jacintha são pouco estudados ou sequer conhecidos. Pode-se perceber, então, que os estudos sobre teatro são focados na escrita dramatúrgica realizada por homens”, explica Eliane Gomes.
“Essa desvalorização não se dá somente na dramaturgia e nem é algo exclusivo do campo teatral: é uma realidade que assombra o cenário brasileiro todos os dias”, continua a artista.
“Durante o percurso da história da humanidade, as mulheres sempre foram postas à margem dos acontecimentos relevantes. Desde sempre, silenciadas e invisibilizadas através da diminuição intelectual, subjugação perante homens e constantes assédios moral e físico. ‘Meu Nome Não É Amélia’ é um espetáculo livre, autoral, que pretende atingir o máximo de mulheres e, principalmente, homens”, conclui Eliane.
O espetáculo foi contemplado no edital de Teatro da Lei Aldir Blanc, através da Secult/Pa, pela artista Eliane Gomes. A direção é de Leonardo Sousa e Kate Por Deus, a dramaturgia e iluminação são de Eliane Gomes. A produção é de Lauro Sousa, a assistência de Produção é de Jadylson de Araújo, o figurino e a maquiagem são de Thaís Sales, a cenografia é de Breno Monteiro e a sonoplastia é de Leonardo Sousa.
O elenco é composto por Breno Monteiro e Eliane Gomes. O projeto tem apoio do Espaço das Artes de Belém e da Companhia Paraense de Potoqueiros.
O espetáculo vai ao ar neste domingo (26), às 20h e ficará disponível no site do Espaço das Artes de Belém (www.espacodasartesdebelem.com.br).
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