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TALENTO

A Belém colorida nos traços de Helô Rodrigues

Designer, quadrinista e empreendedora, Helô já ilustrou para grandes empresas e instituições, retratando principalmente o cotidiano paraense

quarta-feira, 16/02/2022, 20:39 - Atualizado em 16/02/2022, 20:39 - Autor: Fernanda Palheta

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Ilustradora paraense, de 24 anos, fala sobre seu trabalho e compartilha dicas para iniciantes
Ilustradora paraense, de 24 anos, fala sobre seu trabalho e compartilha dicas para iniciantes | Arquivo Pessoal

É nas pouco mais de 410 publicações no Instagram, considerado o cartão de visitas de diversos artistas, que a ilustradora paraense Helô Rodrigues compartilha um pouco de sua essência, seus prazeres e seu talento em obras bem humoradas que retratam o cotidiano do papa-chibé. A profissional, de apenas 24 anos, trilhou e ainda trilha caminhos surpreendentes, colecionou contatos importantes e estabeleceu um histórico de trabalho impecável.

Tanta dedicação e habilidade são resultados de seu fascínio pelo trabalho do avô, que a inspirou ainda muito pequena. Aposentado da Marinha, dedicou o tempo livre para construir bicicletas. Helô diz que ele constrói até hoje, mas não tanto quanto antes. A inspiração começou quando o patriarca reservava um momento da construção para criar esboços das bicicletas que seriam criadas. Em meio a tantos rascunhos, lápis e borracha, o deslumbre foi imediato.

“Eu digo que sou autodidata. Eu aprendi fazendo, aprendi olhando, principalmente olhando. Depois de um tempo eu só fui aperfeiçoando em relação a cursos. Isso depois dos meus 17 anos, 18 anos. Eu fui procurar saber mais sobre técnicas, mercado”, observa.

KING KONG NO PARÁ?

Designer, quadrinista e empreendedora, Helô já ilustrou para grandes empresas e instituições, como Red Bull, Telecine, GNT, órgãos institucionais do Estado e shoppings da capital paraense. Seu mais recente trabalho, compartilhado nas redes sociais, traz um cenário bem conhecido pelo público: a torre da RBA como palco para o ataque do “King Onça”, uma referência à cena do clássico King Kong (1933), quando o primata escala o Empire State Building.

“Esse trabalho da King Onça é inteiramente digital. Eu comecei a trabalhar com a técnica quando ganhei uma mesa digitalizadora do meu amigo, que estava se mudando e quis me dar. Daquele momento em diante eu fui aprendendo um pouquinho sobre como desenhar no digital”, explica.

“E se o King Kong fosse do Pará? Para onde ele fugiria com aquela moça na mão?”, a pergunta que norteou a sua criação.

“O processo da criação veio muito da minha vivência em Belém. Eu passo por esses lugares, que possuem uma memória bem afetiva pra mim e há muito tempo eu já queria desenhar alguma coisa da Torre, mas nunca tive uma ideia legal. Dia desses eu parei, pensei e fiz com referência ao King Kong. Na minha cabeça, a primeira coisa que passou foi a torre da RBA, eu acho que ele iria pra lá”, afirma, sem pestanejar.

ILUSTRAÇÃO NÃO É PRA QUALQUER UM

Quanto cobrar? Como se apresentar para o cliente? Como expor seu trabalho para o mundo? É árduo o caminho de um artista até o reconhecimento desejável e, diferente do que muitos pensam, nada disso se resume apenas a um “desenhinho na tela digital”, um cabelo colorido ou um esboço amassado no papel. O que muitos curtem nas publicações e compartilham entre amigos é resultado de muito estudo e noites em claro em busca do melhor.

“Eu acho que não é pra qualquer um trabalhar com ilustração, com desenho, com animação. Não é pra qualquer um, mas é muito fantástico”, avalia, mas adianta em seguida. “Eu não tô tirando a coragem de ninguém, mas é um processo árduo e legal ao mesmo tempo. É muito legal conquistar certas coisas, te entrevistarem por causa do seu trabalho ou de estar em uma exposição com o teu trabalho. No final de tudo, você vê que vale a pena”, garante.

DICAS DE OURO

Muitos que começam de algum lugar desejam ter recebido aquela dica de ouro ou conhecer o pulo do gato “revolucionário” e para Helô, ao longo de sua caminhada, não foi diferente. “Eu cobrava muito barato no meu trabalho. Se tivesse alguém pra falar: ‘olha, faz esse orçamento dessa maneira, tenta ser mais profissional, faz um cartão de visita, faz um e-mail profissional também’. Essas coisinhas teriam ajudado bastante no começo, mas eu não me queixo porque, se eu tô onde eu tô, é por conta da minha trajetória das pequenas batalhas que eu tive que vencer”, avalia.

Claro que nada a impediu de compartilhar dicas, conselhos e sugestões que podem fazer a diferença na vida de quem está iniciando nesse mundo. “Pesquise o mercado. Verifique quanto um outro ilustrador cobra pelo trabalho, troque ideias com outros profissionais que atuam na área e que possuem uma noção”, aconselha.

“No meu instagram, vem muita gente perguntar, tirar dúvidas sobre como começar, quais as referências. Eles perguntam sempre do jeito deles e eu tento ajudar. No Youtube tem muitos conteúdos que falam sobre precificação, em sites com tabelas de preços de mercado, tem muito lugar para ir. Na época eu não tinha essa noção, eu não sabia. Hoje em dia eu vejo até que esse mercado está se fortificando”, diz.

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