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Duas Marias e amor incondicional pelos filhos

Em homenagem ao dia das mães, o colunista Demax Silva traz a história de Maria, uma mãe nordestina que guarda em seu coração a força de vontade e a dedicação por sua família.

quinta-feira, 05/05/2022, 15:17 - Atualizado em 05/05/2022, 15:16 - Autor: DEMAX SILVA SARMENTO

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| DEMAX SILVA SARMENTO

Em homenagens a todas as mães, inclusive a minha…

O relógio marca 4h da manhã, Maria se levanta com o barulho do despertador. José, seu marido, já está de pé. Ao lado do fogão, ele prepara o café, bem forte como de costume.

Enquanto isso, Maria vai ao quarto dos filhos para ver se está tudo bem. Eles têm três filhos, Carla, de 16 anos, Paulo, de 6, e Renata, de 8. Antes de sair, Maria recomenda à filha mais velha, que deixe tudo organizado para que eles possam ir para a escola. Carla é quem leva os irmãos menores às aulas, antes de ir para a sua.

4h30 da manhã, Maria e José se encaminham para a parada de ônibus, o caminho é longo. Eles moram no distrito de Icoaraci, a cerca de 20 km da capital Belém, estado do Pará. Os dois têm uma banca de roupas na feira do Ver-o-peso.

De mãos dadas, eles seguem em silêncio, mas uma coisa em comum no pensamento: a gratidão a Deus por mais um dia de vida, e pedidos de proteção para seus filhos. José é evangélico daqueles fervorosos, Maria é católica, devota de Nossa Senhora de Nazaré. Mesmo de lados “opostos” na fé, eles seguem a caminhada com amor e respeito. É assim que criam seus filhos. 

Chegam à parada de ônibus, o relógio já marca 5h da manhã. Outras pessoas já esperam a condução. Lá vem o “Icoaraci-Ver o Peso”! Hora de embarcar no ônibus e dar início a jornada até o trabalho. Maria como uma boa nordestina, leva em uma vasilha duas fatias de cuscuz, que ela havia preparado na noite anterior. Esse será o café da manhã dos dois.

A História de Maria… Nordestina, nasceu numa cidade do interior do Maranhão, Bacabal, localizada a cerca de 240 km de distância da capital do estado, São Luís. Desde criança teve que aprender a se virar bem cedo. Seus pais eram agricultores, tinham uma pequena plantação. Juntos tiveram 5 filhos, três homens e duas mulheres. Maria era a filha do meio, sua infância não foi fácil (bem parecida com a infância de muitas crianças em nosso país), ela não tinha brinquedos. Suas bonecas eram feitas do sabugo de milho, que retirava da plantação de seu pai, mas isso não tirava a felicidade de seu rosto. 

Na adolescência trabalhou quebrando coco ou a amêndoa de Babaçu, para extração do óleo - babaçu é um tipo de palmeira encontrado em diversas áreas da América Latina, no Brasil, as maiores plantações se encontram nos estados do Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Piauí.

Depois de seu irmão mais velho ter ido embora para o estado do Pará, Maria entendeu que precisava fazer o mesmo. Então, ao completar 18 anos, não pensou duas vezes, fez suas malas e foi embora para Belém do Pará (uma rota que muitos nordestinos fizeram nas décadas de 60, 70 e 80, depois da abertura da rodovia "Belém-Brasília” no governo JK em 1960).

Na chegada à capital do Pará, morou na casa do seu irmão, que já estabelecido na cidade, possuía uma próspera venda de roupas, numa loja localizada no centro comercial. Além de ter trabalhado como vendedora de roupas na loja do seu irmão, trabalhou como empregada doméstica em algumas casas, depois, se aventurou no ramo de vendas de planos de saúde. E foi assim que num dia ensolarado e muito quente da cidade de Belém, que ao passar por uma rua, conheceu José, seu esposo.

Voltando… Enquanto os dois seguem viagem, Maria faz mais uma oração. Pede à Nossa Senhora que as vendas sejam boas, pois os dias não estavam dos melhores. Devido a uma grande crise no país, a economia havia “encolhido”, causando desemprego em vários setores. Mas Maria era otimista, e usava sua fé para vencer mais essa batalha. Sua força vinha de sua maior inspiração: A virgem Maria.

História de Maria, mãe de Jesus… Maria nasceu na cidade de Nazaré, no norte da antiga Palestina, hoje uma cidade de Israel de maioria muçulmana. Ela deveria ter por volta de 14 ou 15 anos, quando foi prometida a José, possivelmente um rapaz de 16 ou 17 anos.

O evangelho de Mateus conta que o mesmo anjo, Gabriel, que havia predito o nascimento do profeta João Batista, também foi enviado a Nazaré para predizer o nascimento de Jesus.

No período em que ficou grávida, Maria já estava desposada legalmente com José. O casal estava aguardando apenas a festa de núpcias e o início da vida em comum. Foi por isso que José teve dificuldade em aceitar a repentina gravidez de Maria.

Foi preciso que um anjo do Senhor lhe aparecesse em sonho para explicar-lhe o que de fato havia acontecido (Mateus 1:19,20). Após ter sido confortado e encorajado pelo anjo, José não hesitou em assumir Maria e a recebê-la como sua esposa (Mateus 1:21).

O evangelho diz que José e Maria foram para Belém na Judéia, e foi ali que Maria deu à luz a Jesus Cristo (Lucas 2).

Voltando novamente…  Em uma das mãos, Maria segura um terço. Na outra, segura a mão do seu esposo. O amor e a fé andam lado a lado com os dois. Falando em fé, todo ano, no segundo domingo de outubro, Maria sai às ruas de Belém. Ela se une a milhares de outras pessoas para agradecer à “mãezinha”, todas as bênçãos alcançadas, na maior manifestação de fé do Brasil. O Círio de Nazaré. 

O relógio andou. Agora, já quase por volta do meio-dia, Maria se prepara para voltar para casa. José ainda vai ficar, ele só deve voltar por volta das 16h. O dia de trabalho foi bastante proveitoso. Maria e seu esposo garantiram mais um dia de alimentação para seus filhos. Agora ela aguarda, juntamente com outras "Marias", a condução que a levará de volta para seu lar, de volta para seus filhos.

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Hoje contei a história da Maria, uma nordestina brasileira, que tem como inspiração outra Maria, nascida na cidade de Nazaré na Galiléia. Apesar das histórias se passarem em épocas distintas, as duas "Marias" têm muito em comum, pois trazem consigo a coragem, a força de vontade, e a dedicação por suas famílias. 

Todos os dias em nosso país, várias mulheres saem às ruas para trabalhar. Mulheres que vão à luta, que não medem esforços para pôr comida na mesa. Mulheres, que em muitos casos, enfrentam não só uma dupla jornada no trabalho, mas também em suas casas. Sendo pai e mãe ao mesmo tempo.

Que nesse dia das mães, possamos entender que, assim como Cristo, as mães possuem um amor incondicional, um amor capaz de suportar todas as dores. E assim como Maria, a mãe de Jesus, que esteve ao lado de Cristo em todos os momentos, nossas mães, sempre estarão ao nosso lado, em qualquer situação. Feliz dia das mães!


Demax Silva é colunista do podcast Outside

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