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MEMÓRIAS DO GOLPE

Exposição traça obras de arte e período da ditatura militar 

A exposição Memórias da Ditadura" abre nesta quinta-feira, 28, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, em Belém, como parte do seminário "60 Anos do Golpe Militar de 1964".

Imagem ilustrativa da notícia Exposição traça obras de arte e período da ditatura militar  camera Chacina, pintura de 1987, de Daniel é uma das obras da amostra. | ( Divulgação)

E rememoração ao golpe de Estado que ocorreu no Brasil no ano de 1964, a exposição “Memórias da Ditadura” abre nesta quinta-feira, 28, e pode ser visitada até o dia 07 de abril, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, localizado no bairro da Cidade Velha, em Belém. A mostra é parte integrante da programação do seminário “60 Anos do Golpe Militar de 1964”, que segue até o próximo dia 05 de abril, em diversos lugares da cidade. A abertura contará com as participações da secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal, do secretário de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos, Jarbas Vasconcelos, e da secretária adjunta da pasta, a historiadora Edilza Fontes, do diretor do Arquivo Público do Estado, Leonardo Torii, e do professor pesquisador Francivaldo Nunes, do Programa de Pós-Graduação em História da UFPA.

A exposição faz uma cronologia a partir do golpe civil-militar de 1964 até os tempos atuais, quando se deram os ataques ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal e ao Palácio do Planalto, em Brasília (DF), no dia 8 de janeiro do ano passado. “Nós achávamos que esse contexto da Ditadura havia sido superado com a redemocratização brasileira, mas percebemos recentemente, pelos acontecimentos, em especial do dia 8 de janeiro, que não foram superadas e o pior: retomaram com muita força, com uma tentativa de supressão das instituições democráticas no Brasil”, analisa o diretor do Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM), Armando Sobral, que assina a curadoria da exposição.

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Obras de oito artistas foram escolhidas para a mostra, dentre eles, Siron Franco e Emmanuel Nassar, sendo que algumas delas possuem uma relação direta com aquele período e outras foram contextualizadas pela própria curadoria. “Eles trazem conteúdo, digamos, gráfico, que a gente pode fortalecer o ato de pensar de forma crítica sobre a Ditadura Militar no Brasil. A cronologia do golpe passa por um acontecimento importante em Belém, com documentos originais, que foi o assassinato de um estudante, na UFPA, com elementos jornalísticos de época, retrabalhados e reorganizados em painéis”, detalha.

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De acordo com o curador, a proposta é fazer uma reflexão a respeito desse período histórico, buscando um diálogo entre os fatos do passado e do presente. “A ideia é dizer que a memória histórica também nos fortalece e nos preserva em relação às nossas resistências a esses retornos na história presente do Brasil. Tem um momento em que essa cronologia histórica dá espaço, na exposição, a sustentar o Brasil de hoje”, explica.

Duas questões são superimportantes na proposição da mostra. Uma delas é no campo simbólico. “Digamos que seja sobre o ‘sequestro’ dos símbolos da nação, que os movimentos da extrema-direita fizeram nos últimos anos, trazendo para si a bandeira do Brasil, que foi a mesma estratégia construída na época do governo ditatorial”, observa Queiroz.

“Outro destaque é uma obra em videoinstalação com imagens documentais da tentativa de tomada do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro. A exposição demarca um período histórico, mas joga uma reflexão profunda e crítica sobre o Brasil de hoje, através da história e da cultura, da arte e da cultura, e da arte e da história fazendo esses dois campos dialogarem nesse percurso que estamos propondo, buscando uma reflexão sobre a democracia no Brasil”, completa o curador.

Obras de arte ajudam a entender contexto da ditadura no Brasil

Algumas das obras remetem ao contexto ditatorial de uma maneira indireta, como é o caso da obra do artista Marquês de Sá que retratou o Pato Donald, em 1973. “O Pato Donald está próximo do conjunto das obras históricas do Golpe, porque ele é uma imagem americana, e os Estados Unidos tiveram um papel muito importante na consolidação do Golpe Militar, foram parceiros dos militares. Então esse artista também produziu esse trabalho na mesma época, em 1973, e é um trabalho que está diretamente relacionado a essa intervenção norte-americana nos desígnios da política brasileira dos anos 1970”.

Uma das obras em destaque é a do pintor, escultor, ilustrador, desenhista, gravador e diretor de arte Siron Franco, natural de Goiás. “A obra dele é uma representação de um presidente todo deformado, uma figura meio caricata, que também se remete à ideia desses presidentes [militares]. Siron Franco faz uma confrontação de frente a frente com o retrato do Garrastazu Médici pintado por Benedito Mello, na época em que Médici era presidente. A obra de Siron Franco tem um diálogo com essa representação caricata do presidente. É uma obra também de época, dos anos 1970, que tem um conteúdo político direto, em relação ao período da Ditadura Militar, dialoga com uma representação institucional do Médici, que integra o acervo do Estado e que estamos colocando na exposição”, relata Armando Sobral.

Obra de Siron Franco faz a representação de um presidente deformado, uma figura meio caricata que na mostra dialoga com retrato oficial do presidente Médici.
📷 Obra de Siron Franco faz a representação de um presidente deformado, uma figura meio caricata que na mostra dialoga com retrato oficial do presidente Médici. |( Divulgação)

“‘Chacina’ é outra obra de representação trágica e de violência, que também está próxima dos documentos que estão relacionados ao assassinato de um estudante, que aconteceu aqui nos anos 1960. Então, é nesse sentido que esse campo simbólico vai construindo toda uma percepção do passado e presente através da arte, através da história também”, conta.

O curador diz que foram muitos desafios para montar a mostra, porque é um tema muito sensível e ainda muito presente. “Ao mesmo tempo que nós temos esse distanciamento histórico de um período que aconteceu há 60 anos, estamos observando esses sintomas contemporâneos do Golpe. Escolher obras, analisar os textos, fazer as pesquisas documentais, aquilo que precisamente proporciona para a gente uma narrativa curatorial, na qual a gente possa apresentar e estimular o cidadão a um pensar crítico sobre a situação política do Brasil hoje. É sempre um desafio fazer uma exposição, porque você não faz para si, mas para o outro. Vamos ver até que ponto todo esse esforço potencializa e traz o sujeito para refletir sua realidade de forma crítica”.

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