A artista plástica paraense Rafa Moreira apresenta em Belém a sua nova exposição individual, “Trans Amazônica”, que reúne as séries produzidas em 10 anos de trajetória. Nesta nova mostra - a segunda em Belém depois de “Como pintar uma travesti?”, do ano passado - ela traça uma linha do tempo das suas fases criativas, passeando por diferentes nuances das narrativas sobre a vida e os corpos transgêneros femininos da Amazônia, seu foco de trabalho. A Galeria Benedito Nunes, da Fundação Cultural do Pará (FCP), recebe “Trans Amazônica” com vernissage na próxima quinta-feira, 12 de fevereiro, às 19h.
A exposição fica aberta à visitação de 13 de fevereiro a 27 de março, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h. Entrada franca.
Rafaela Moreira, que assina as suas obras como Rafael Matheus Moreira, é uma artista trans que reverbera a realidade e os sentimentos de si mesma, como de suas “irmãs” em opção de gênero. “Essa exposição é sobre percursos, sobre o lugar que habito e o lugar que me habita. Essas obras só foram possíveis porque a cidade de Belém, em seus rostos, azulejos, pichações, narrativas e rios construíram quem eu sou. Essa paisagem me afetou, e, a partir disso, a cidade criou uma poética travesti comigo”, aponta a artista.
Sob a curadoria do Doutor Eduardo Bruno e do Mestre Waldiro Castro, a exposição foi contemplada pelo Prêmio Branco de Melo 2025, da FCP. A exposição reúne 37 obras pertencentes a cinco séries: “Registros Gerais”, “Encantarias Idílicas”, “O Nascimento das Tupiniquins”, “Quebras” e “Trans Amazônica”, que dá nome a esta nova exposição.
Em “Registros Gerais”, Rafa Moreira apresenta o rosto de mulheres trans em tinta e vidro, em formato de fotografia 3x4, para estimular a reflexão sobre identidade e fragilidade social. Em “Encantarias idílicas”, a artista cria um espaço onírico onde as mulheres trans possam ter a liberdade e o direito de viver e sonhar, sendo que essa série foi produzida em parceria com o artista Allyster Fagundes. Já “O Nascimento das Tupiniquins” aborda a terapia hormonal para transição de gênero e as expectativas sociais que pesam sobre os corpos femininos.
A série “Quebras” traz à tona questionamentos sobre uma vida possível sem a marginalização de mulheres trans. “Aqui eu quebro, destruo as narrativas de desumanização para criar outras possibilidades para nós”, ressalta Rafa. E na série “Trans Amazônica” - que dá nome à exposição -, ela consolida a mensagem artística de um percurso realizado que fala “sobre quem somos, o momento da nossa história e as vidas que estão aqui”, finaliza.
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Curadoria
“Em ‘Trans Amazônica’, a técnica não é um fim, mas um campo de disputa e um território atravessado por tentativas, apropriações e reinvenções. Assim, pintura, fotografia e performance surgem como meios porosos, continuamente reconfigurados a partir das urgências do corpo, da memória e do território”, descrevem os curadores Eduardo Bruno e Waldiro Castro. “Ao deslocar a pintura, materiais associados à tradição colonial, como o azulejo, e dispositivos burocráticos de identificação, como a fotografia 3x4, a técnica da artista constrói o embate entre o herdado e o que precisa ser quebrado, entre a norma e a possibilidade de reescritura”.
Segundo eles, a nova exposição de Rafa Moreira “evoca a rodovia que corta a floresta como promessa de integração” e de modernidade do período da ditadura militar, mas a artista vai além, estabelecendo um “jogo semântico, no qual ‘Trans Amazônica’ se torna um neologismo para pensar percursos subjetivos e artísticos que se constroem em trânsito, conectando corpos e territórios nortistas e nordestinos à história da arte”.
Trajetória de sucesso
Rafa Moreira é formada em Licenciatura em Artes Visuais, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com especialização e mestrado na área. Teve o talento reconhecido pelos principais salões de arte de Belém. No Primeiros Passos, do Centro Cultura Brasil-Estados Unidos (CCBEU), ganhou Menção Honrosa, em 2016, e as premiações de 3o lugar, em 2017, e de 1o lugar em 2019. Já no Arte Pará, da Fundação Romulo Maiorana, ela venceu em 1o lugar em 2024.
As premiações no Pará foram o início de uma trajetória de sucesso. Rafaela já realizou exposição individual no Rio de Janeiro e outra em Belém, teve uma obra incorporada ao acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP), o maior do país, além de ter sido convidada a participar de uma mostra no próprio MASP, na qual retratou a deputada federal Érika Hilton, em um trabalho bastante elogiado, inclusive, pela própria parlamentar, que é um ícone nas redes sociais.
“Tudo ainda parece um sonho. Participei de exposições na Colômbia, na Argentina e em Londres, além de retratar a Érika Hilton em uma exposição histórica no MASP, isso tudo com 29 anos ainda. Além disso, ano passado também recebi o título de mestra pela UFPA. Me sinto realizada!”, comemora.
SERVIÇO
Exposição “Trans Amazônica”, de Rafa Moreira
Vernissage: Quinta-feira, 12 de fevereiro, às 19h
Exposição: de 13 de fevereiro a 27 de março, de segunda às sexta-feira, das 9h às 17h
Local: Galeria Benedito Nunes, do Centur (Av. Gentil Bittencourt, 650, bairro de Nazaré)
Entrada franca
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