Com o objetivo de registrar e valorizar a produção musical independente da Amazônia, o Selo Caquí lança o documentário “Marés”, que será exibido na próxima terça-feira (23), às 19h, no Sesc Ver-o-Peso, em Belém, com entrada gratuita. A produção audiovisual busca mostrar o universo do álbum homônimo lançado em 2025 e apresenta os bastidores do projeto, reunindo artistas paraenses que transformam as vivências, identidades e territórios em expressão musical.
Dirigido por Anna Suav, o documentário parte da perspectiva do artesão e artista Mestre Flávio Gama: “A Amazônia é um portal. Um portal. Ou tu chega na Amazônia, tu chega e fica, ou então tu vai logo embora, porque não é pra qualquer um aqui”. Usando esse recorte, o filme constrói um panorama da cena musical independente produzida na região.
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O projeto reúne os artistas Sidiane Nunes, Agarby feat. Layana, W Mateu-U, Paso, Lina Leão, Mist Kupp, Cout, Ressoa, Matheus Pojo e Jheni Cohen, além dos idealizadores do Selo Caquí, Leonardo Pratagy e Yuri Renner, e foi realizado a partir de seleção no edital Natura Musical, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Pará (Semear).
Segundo o produtor Leonardo Pratagy, a iniciativa tem como foco aproximar o público dos artistas. “Como produtor, acredito que a música é capaz de contar a história de cada artista. Quando você ouve uma música, é possível imaginar de onde aquele artista veio, quais suas vivências etc. Com o filme a gente quis ir além da música para mostrar quem são essas pessoas, dar cara aos artistas, o que acho que enriquece a experiência de escutar o álbum”, afirma.
A diversidade da produção musical amazônica é um dos eixos centrais do documentário, que destaca artistas mulheres cis e trans, pessoas LGBTQIAPN+ e oriundas de territórios periféricos. Entre elas, a artista Ressoa, intérprete da faixa “Amaré”.
A cantora ressalta o caráter coletivo e de resistência da obra. “É como receber um título de conquista, mas não uma conquista individual, e sim coletiva. Para mim, que sou uma pessoa trans não binária, cada nota cantada é um ato de resistência. Ter essa trajetória documentada significa eternizar que, apesar de todos os motivos para desistir, escolhi cantar. É um lembrete de que a união deste grupo é a nossa maior força", avalia.
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O documentário também buscar mostrar a música independente paraense como espaço de criação coletiva e resistência cultural. Para Pratagy, o documentário funciona como um registro histórico da cena. “O desejo do Selo Caquí é de criar um documento que possa ser revisitado daqui para frente, para quem quiser conhecer uma amostra diversa e bem eclética da música paraense e, é importante dizer também, de uma música paraense periférica, que está fora da lógica de consumo”, explica.
Serviço
Exibição do documentário “Marés” - Selo Caquí
- Data: 23 de junho de 2026 (terça-feira)
- Horário: 19h
- Local: Sesc Ver-o-Peso (Blvd. Castilhos França, 522/523, Campina)
- Entrada gratuita
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