Um novo dado foi revelado no relatório final da Operação Spoofing, que investiga vazamentos de dados dos celulares de autoridades. De acordo com o documento, policiais federais encontraram “uma série de diálogos” entre Walter Delgatti Neto, conhecido como o “Vermelho” e apontado como chefe do esquema, e o ator e comediante Gregório Duvivier.
A Polícia Federal (PF) diz que as mensagens mostram Duvivier perguntando se Delgatti, o hacker, havia “pegado alguém da Globo” durante as interceptações telefônicas. O "Vermelho" responde que sim e que chegou, por exemplo, às conversas do apresentador do Jornal Nacional, William Bonner. Porém, ele diz que não havia mensagens no aplicativo e que Bonner e “muita gente” costumam apagar os registros.
O comediante, então, segundo o relatório, teria citado os nomes de Ali Kamel, diretor de Jornalismo da Rede Globo, e de Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da emissora. Para Duvivier, o vazamento dessas conversas “poderia ser bem forte”.
Em seguida, ele também teria citado, como possíveis alvos de "Vermelho", o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e o juiz federal responsável pela Lava Jato no Rio, Marcelo Bretas. O relatório pontua, contudo, que não encontrou qualquer indício de que Kamel, Schroder e Witzel tenham tido dados vazados. Ao contrário de Bretas e Bonner, que foram, de fato, alvos.
Duvivier foi ouvido pelos policiais e não nega ter mantido diálogos com Delgatti, porém afirmou que em “nenhum momento” pediu que ele invadisse qualquer celular. Segundo o comediante, as perguntas teriam sido motivadas apenas por curiosidade e acrescentou não ter interesse em obter o conteúdo das mensagens.
O comediante também apresentou um pen-drive com as mensagens que trocou com Delgatti, contendo uma série de registros que haviam sido apagados por “Vermelho” no próprio celular.
Relatório
A PF indiciou todas as seis pessoas que foram presas na operação por formação de quadrilha: Walter Delgatti Neto, Gustavo Sousa, Danilo Marques, Suelen Priscila de Oliveira, Thiago Eliezer Martins e Luiz Henrique Molição. Esse último fechou acordo de delação premiada com o MP, mas não foi poupado do indiciamento.
Delgatti Neto, Martins, Santos e Marques também foram indiciados por invasão de dispositivos telemáticos e interceptações.
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