Um flerte com a finitude: assim poderiam ser definidos dois dos momentos mais icônicos na carreira de Max von Sydow. O primeiro deles, em 1958, quando o ator sueco interpretou Antonius Block, o cavaleiro que joga xadrez com a Morte em “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman. Já em 1973, assustou milhões de pessoas ao redor do mundo em “O Exorcista”, clássico do terror em que deu vida ao arqueólogo e padre Lankester Merrin.
Nascido em Lund, em uma família de acadêmicos, Von Sydow estudou teatro na escola de drama nacional da Suécia. Ele conheceu Bergman em 1955, ficando internacionalmente conhecido por seus papéis nos filmes do cineasta, como “Morangos Silvestres” (1957) e “No Limiar da Vida” (1958). Juntos, realizaram mais de dez longas.

Von Sydow também se aventurou bastante por Hollywood, onde, segundo o próprio ator, encontrou dificuldades para trabalhar. Em entrevista ao “The New York Times”, em 1983, uma década após o sucesso de “O Exorcista”, desabafou: “Eu gostaria de ter um leque mais amplo de opções de papéis oferecidos pelas produções americanas, como acontece na Europa. Infelizmente os executivos dos Estados Unidos só oferecem cópias de personagens que já interpretei antes”.
Outras participações memoráveis de Von Sydow no cinema americano incluem “Duna” (1984), de David Lynch, e “Hannah e Suas Irmãs” (1986), de Woody Allen. Ele também esteve em empreitadas mais populares: em “Flash Gordon” (1980), viveu o vilão Ming; em “Conan, o Bárbaro” (1982), apareceu como o rei Osric. Já em 2002, esteve ao lado de Tom Cruise em “Minority Report”, como o diretor Lamar Burgess.
Uma das últimas aparições de Von Sydow foi na série “Game of Thrones”, como o Corvo de Três Olhos, personagem mítico que tem um papel fundamental na trama de fantasia. Outra participação recente foi em “Star Wars: O Despertar da Força”, em 2015. Naquele ano, o crítico Terrence Rafferty, da revista “The Atlantic”, escreveu que o ator experimentava o fim de carreira que os grandes nomes do cinema tendem a viver. “Ele vai aparecendo em uma ou duas cenas de projetos comerciais que precisam de uma dose de refinamento e densidade artística”, elogiou.
Ao longo de sua prolífica carreira, o ator participou de mais de 120 produções de 12 países diferentes. Foi indicado ao Oscar duas vezes, por “Pelle, o Conquistador” (1987) e “Tão Forte e Tão Perto” (2011). Von Sydow foi casado com a atriz Christina Inga Britta Olin entre 1951 e 1979. Os dois tiveram dois filhos. Em 1997, se casou com a produtora francesa Catherine Brelet. O ator adotou a nacionalidade da mulher, tornando-se cidadão francês. Max von Sydow morreu no último domingo aos 90 anos de idade. A morte, cuja causa não foi divulgada, foi confirmada por Catherine ontem.
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