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TEME PELA VIDA

Ex-doméstica acusa Deolane após ser ameaçada: "Dinheiro do crime"

Mulher diz que foi intimidada por membros do crime organizado.

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Imagem ilustrativa da notícia Ex-doméstica acusa Deolane após ser ameaçada: "Dinheiro do crime" camera Denise foi entrevistada pelo programa "Melhor da Tarde" e diz temer por sua vida. | Reprodução/Instagram/dra.deolanebezerra

Uma mulher que trabalhou como empregada doméstica para o filho da influenciadora Deolane Bezerra relata um calvário de ameaças e intimidações, dias após a prisão da advogada.

O caso revela supostas conexões entre a família da advogada e o crime organizado, conforme áudios apresentados à Justiça. Denise Rosane Bastos trabalhou como doméstica no apartamento de Kayky Bezerra, filho de Deolane Bezerra, no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo.

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Em novembro de 2025, ela foi acusada de roubar R$ 80 mil em dinheiro vivo do imóvel. A partir daí, sua vida mudou por completo. Primeiro, a própria Deolane a procurou e exigiu a devolução do valor.

Depois, homens que se identificaram como integrantes do crime organizado foram até Denise para cobrar o mesmo dinheiro.

Contudo, eles revelaram algo ainda mais grave: afirmaram que os R$ 80 mil não pertenciam à família Bezerra, mas eram recursos do crime destinados à lavagem de dinheiro.

As ameaças gravadas

Denise apresentou à Justiça áudios que comprovam as intimidações que sofreu. Em um deles, um homem identificado apenas como "John" deixa o recado de forma direta:

  • "Não acha que você roubou um dinheiro na caminhada com o filho da Deolane. Eles lavam dinheiro pra nós, dinheiro do crime. Devolve o nosso dinheiro."
  • "O dinheiro é oriundo do crime. Nós lavamos o dinheiro com os parceiros lá, a mãe do parceiro. Faça favor, devolve os 80 mil."

Além das palavras, "John" citou nos áudios o endereço de Denise e o de familiares dela. Isso demonstra que os intimidadores tinham acesso a informações pessoais da mulher.

Em outro trecho, ele acrescenta: "Se você meter o louco em nós, vai ser poucas ideias."

Invasão e revista no apartamento

As ameaças não ficaram restritas aos áudios. Segundo Denise, homens invadiram seu apartamento na Vila Maria, zona norte de São Paulo, e vasculharam o imóvel. Além disso, eles acessaram as mensagens do celular dela sem autorização.

O grupo também foi até Ribeirão Preto, cidade onde Denise mora, porém ela não se encontrava no local no momento da visita. Ela mantém o apartamento paulistano apenas para se hospedar durante as diárias de trabalho na capital.

Queixa-crime e disputa de competência

O caso chegou à Justiça em março de 2026, quando Denise, representada pelo advogado Hugo Amorim, apresentou uma queixa-crime contra Deolane Bezerra.

O objetivo declarado da ação é, segundo o próprio advogado, "limpar o nome e a índole" de sua cliente. Porém, Deolane ainda não foi intimada para se defender.

Isso acontece porque o processo está travado em uma discussão judicial sobre qual comarca tem competência para julgá-lo.

Os impactos na vida de Denise

As consequências do episódio foram severas para a trabalhadora. Ela perdeu a capacidade de encontrar emprego como doméstica em São Paulo.

Por isso, retornou a Ribeirão Preto, onde faz diárias e trabalha no estabelecimento comercial do pai. Em entrevista, Denise resumiu:

  • Sentiu-se ameaçada e prejudicada pela situação toda;
  • Afirmou que jamais desejou o dinheiro de Deolane

"Antes, queria que ela me pedisse desculpas. Hoje, não aceito mais desculpas", declarou Denise.

Prisão de Deolane e operação contra o PCC

O contexto do caso ganhou novos contornos com a prisão de Deolane Bezerra, ocorrida na última quinta-feira (22).

A operação foi conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo e teve como alvo um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC.

Os delegados responsáveis pelo inquérito afirmam que Deolane abriu 35 empresas nos últimos anos. Segundo eles, essas empresas faziam parte de um vasto esquema de lavagem de recursos do crime organizado.

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Além da prisão, a Justiça autorizou a apreensão de bens da advogada, entre eles quatro veículos de luxo avaliados em mais de R$ 5 milhões.

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