Trazer à tona obras inéditas de artistas consagrados e já mortos é uma tentação e um grande perigo.
Em “Henri Cartier-Bresson - O Século Moderno”, livro-catálogo da mostra realizada este ano no MoMA, em Nova York, Peter Galassi, curador-chefe do departamento de fotografia do museu, consegue se equilibrar entre revelar novas imagens e informações.
Mais do que as fotos inéditas -que surgem editadas com as imagens clássicas-, a maior preciosidade do livro são as informações que Galassi conseguiu ordenar a partir de anotações do meticuloso e poético escritor que Cartier-Bresson ocultava.
No texto de 67 páginas, Galassi consegue detalhar a relação do fotógrafo com os editores das revistas ilustradas, como a “Life”. Expõe, também, a dicotomia entre o fulgurante artista de viés surrealista dos anos 1930 em oposição ao fotojornalista do pós-Guerra.
O fato é que se os rompantes surrealistas de Cartier-Bresson o inscreveram em definitivo na história da arte, e a sua posterior função como repórter “gerou a mais completa, variada e convincente descrição do século moderno que um fotógrafo já nos deu”, como diz Galassi. (Folhapress)
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