Premiado pelo Festival de Música da RBA, pianista marca ótima fase de sua carreira Ainda que tenha precisado fazer isso incontáveis vezes, Tynnoko Costa ainda ri de si próprio diante da necessidade de soletrar seu nome. “Tive que mudar a grafia para evitar ser confundido com os sertanejos”, justifica, fazendo alusão a uma famosa dupla de cantores brasileiros e aos problemas que teve que enfrentar com a arrecadação de direitos autorais. Aos 61 anos, o pianista, compositor e arranjador paraense vive um momento especial em sua trajetória: seu virtuosismo deu-lhe o primeiro lugar no II Festival de Música Popular Paraense da RBA, com a canção “Iluminada”, que ganhou ainda mais beleza na voz da cantora Nana Reis.
E é exatamente para celebrar a boa fase que Tynnoko sobe ao palco do Centro Cultural Sesc Boulevard no final da tarde de hoje, em um show pouco convencional. Dedicada exclusivamente às composições de Tynnoko, a apresentação é permeada por conversas com o público, com mediação do jornalista Edgar Augusto Proença, assessor musical do Sesc Boulevard.
Sentado diante do piano, seu companheiro inseparável, Tynnoko quer conversar sobre sua trajetória, lembrar o início da carreira, dividir curiosidades sobre o seu processo criativo. “Eu nunca quis ser um simples pianista”, pontua. E não faltam histórias para contar sobre esses 46 anos que separam o garoto de 15 anos aficionado por música do pianista consagrado no qual ele se transformaria.
“Eu não queria só acompanhar cantores. Queria colocar pra fora o meu potencial na composição, nos arranjos. Fui estudar”, conta. Foi o que motivou sua viagem a Recife, nos anos 60, onde se especializou em música sacra e teve seu primeiro contato com a atmosfera particular dos festivais. Ao final dos anos 70, após ganhar uma bolsa de estudos, mudou-se para Campinas, interior de São Paulo, onde estudou regência, composição e arranjo, e se tornou habitué dos palcos ao lado de nomes como Nelson Gonçalves, Elizete Cardoso e Cauby Peixoto.
Saudoso de Belém, regressou em 1992. “Aqui é onde eu tenho a fonte do meu trabalho, as coisas que me inspiram, minha casa, meu chão. Hoje só sairia da cidade para uma breve temporada. Sou muito apegado às raízes”, diz.
DEDICAÇÃO
Quando atendeu a ligação do DIÁRIO, no início da tarde de ontem, Tynnoko estava em uma das inúmeras apresentações que preenchem sua agenda durante os sete dias da semana. Impossível ignorar os acordes que vinham do outro lado da linha: ele não parou de tocar enquanto conversava conosco. “É tudo uma questão de prática”, ri.
A intensa rotina como músico não é empecilho para a sua dedicação como pesquisador. Até hoje Tynnoko dedica as primeiras horas da manhã ao estudo da música, imerso em livros técnicos de arranjo e composição e numerosos discos, inclusive de trilhas para cinema.
“Eu sou muito metódico, tenho que reciclar. É a única coisa que posso fazer pelo meu trabalho”, defende. “Preciso passar esse legado ao meu filho”. Lukas Henrique, a quem ele se refere, já dá os primeiros passos como violinista.
SERVIÇO
Show de Tynnoko Costa. Hoje às 18h30, no Centro Cultural Sesc Boulevard (Castilhos França em frente à Estação das Docas). Entrada franca. Informações: (91) 4005 9578 / 4005 9587. E-mail: sescboulevard@pa.sesc.com.br.
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