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Entrevista com o fotógrafo Octávio Cardoso

Cardoso é um dos cinco paraenses selecionados ao 18º Pirelli/Masp Em meio ao corre-corre diário da rotina de fotojornalista, Octávio Cardoso encontrou calma e silêncio em lugares imaginários, oníricos, construídos em tons de cinza. Do seu olhar subjeti

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Cardoso é um dos cinco paraenses selecionados ao 18º Pirelli/Masp

Em meio ao corre-corre diário da rotina de fotojornalista, Octávio Cardoso encontrou calma e silêncio em lugares imaginários, oníricos, construídos em tons de cinza. Do seu olhar subjetivo emergem paisagens particulares, que se nutrem de delicadeza e minúcias que às vezes escapam ao olhar desatento. "A fotografia foi a maneira que encontrei de tentar organizar meu mundo, criar um lugar calmo, silencioso, quase perfeito", explica, com sua voz pausada.

“Eu Vejo Tu Sonhas”, série de pequenos flagrantes cotidianos, compôs sua primeira exposição individual, em 1998. Eis que depois de 12 anos, estas imagens, resultados de passeios sem destino, passam a integrar a Coleção Pirelli/Masp de Fotografia, uma das mais importantes seleções de fotografia contemporânea do país.

Ao lado de Octávio, os paraenses Alberto Bitar, Mariano Klautau Filho, Guy Veloso e Alexandre Sequeira também somam-se ao acervo, que já incluía trabalhos de Luiz Braga, Miguel Chikaoka, Paula Sampaio, Walda Marques, Flavya Mutran e Dirceu Maués. Acompanhe um bate-papo com o artista sobre a sua trajetória, seu processo criativo e a importância da seleção.

As obras selecionadas compuseram "Eu Vejo Tu Sonhas", em 1998. Como foi pra você ver esse trabalho selecionado para a coleção?

A coleção Pirelli / Masp é, sem dúvida, um dos mais importantes acervos de fotografia contemporânea brasileira, não dá para não ficar contente e orgulhoso com isto. Eu realmente não me dedico muito a mostrar e divulgar meu trabalho, mas quando o reconhecimento vem a gente fica feliz. 'Eu Vejo Tu Sonhas' resulta de passeios sem destino, tentativas de construir um lugar particular, só meu.

Apesar de ter se aventurado pela cor recentemente, em ‘Lugares imaginários’, você nunca escondeu a predileção pelos tons de cinza. Qual a importância do P&B na sua produção autoral?

O P&B foi o início, a descoberta, talvez ainda inconsciente, de que eu poderia criar, me expressar. Mas não posso mais de dizer que prefiro o P&B à cor. Estou agora namorando com a cor (risos).

Um tema recorrente em seu trabalho é a tentativa de construir um lugar particular, subjetivo. Como isso se deu em ‘Eu Vejo Tu Sonhas’?

Agora, passado todo esse tempo, vejo que desde o início, seja em "Eu vejo tu sonhas" que é P&B ou agora em "Lugares Imaginários", que a fotografia foi a maneira que encontrei de tentar organizar meu mundo. A maneira de organizar as coisas, criar um lugar calmo, silencioso, quase perfeito. Como isso nao é possivel no mundo real, a fotografia passou a ter essa função na minha vida. Só que, de vez em quando, as coisas escapam de nosso controle e aparecem fotos como a do barbeiro (ao lado) que tem mais tensão, confronto.

A edição deste ano exalta o lado autoral de fotógrafos publicitários e fotojornalistas. Como a sua trajetória nesses campos interfere no seu trabalho pessoal? Ou esse cruzamento não existe?

A minha experiência tanto no fotojornalismo quanto na fotografia publicitária acabam influenciando de certo modo a produção autoral - uma me deu agilidade, a outra, apuro técnico. Trabalhei em dois jornais e dediquei anos à publicidade, e gosto que minha relação com a fotografia tenha se dado dessa maneira, com várias possibilidades, vários caminhos. Mas, particularmente, sou melhor fotógrafo do que fotojornalista (risos). O jornalismo exige uma postura mais agressiva às vezes, exige que se entre na vida do outro... eu, particularmente, não sou muito afeito a esse tipo de coisa.

Você disse certa vez numa entrevista que transitar pela fotografia digital exige certa cautela. Por quê?

Existe um certo perigo de ser engolido por tantos recursos tecnológicos. A fotografia digital e colorida corre o risco de virar cartão postal, uma mera exibição de possibilidades técnicas, dado o excesso de programas de manipulação e complexidade das câmeras. Penso que os recursos técnicos têm de ser o meio, e não o fim do processo.

LINK

www.colecaopirellimasp.art.br

Versão eletrônica da Coleção Pirelli/MASP, com um acervo de mais de mil obras, biografias e catálogos.

SERVIÇO

Coleção Pirelli/MASP de Fotografia – 18ª Edição

Em exposição: Até 3 de outubro, na Galeria Horácio Lafer, 1º andar (MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand). (Ecleteca)

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