Além de uma série de fatores de inadequações ao mercado e oscilações de inspiração, os compositores veteranos têm de lidar ainda com a dificuldade de fazer até seu público fiel prestar atenção ao que fazem de novo. Certo desprezo por "Carioca" (2006), de Chico Buarque, é um exemplo. Ao ouvir "Íntimo", de Ivan Lins, fica impressão parecida. Ivan tem uma coleção respeitável de êxitos que a concorrência das novidades com o que ele próprio compôs de mais relevante é dureza.
Aqui ele retoma a fértil parceria com Vitor Martins e se renova na companhia lírica de Chico Buarque (o samba "Sou Eu"), Celso Viáfora, Abel Silva, Francisco Bosco e Jorge Drexler. O uruguaio é um dos que dão expressivo reforço vocal ao CD, que tem nomes fortes do jazz como Laura Fygi, Jane Monheit, Till Brönner e Take 6, além do astro pop latino Alejandro Sanz. São participações coerentes com caráter internacional da música de Ivan, que gravou o CD na Holanda e na Bélgica com orquestra e tudo.(AE)
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