Um aviso aos que, pós SWU, ainda estão no clima de ecologia e sustentabilidade: a banda californiana de punk rock Green Day não foi batizada assim em homenagem à onda verde. Billie Joe Armstrong (vocal e guitarra), Mike Dirnt (baixo) e Tre Cool (bateria) tocam juntos há 20 anos sob a mesma alcunha, inspirada em uma expressão americana que significa um dia livre de obrigações e afazeres, dedicado a fumar maconha.
E o grupo, nascido antes da moda do ecologicamente correto, provou que preserva muito da rebeldia e do humor punk de seu disco de estreia, "39/Smooth" (1990). Em entrevista coletiva no hotel Intercontinental, em São Paulo, os integrantes do Green Day comemoraram sua volta ao Brasil após 12 anos e prometeram shows de três horas de duração, com um set list formado por canções de todos os seus discos, incluindo os mais recentes e políticos: "21st Century Breakdown" e "American Idiot". No Rio, o trio se apresenta nesta sexta-feira, no HSBC Arena, depois de ter passado por Porto Alegre e antes de seguir para Brasília e São Paulo.
- É como em um casamento. O segredo é manter o sexo sujo e as brigas limpas - ensinou Armstrong, dando a receita da longevidade do grupo.
Para o vocalista, a jornada é o que importa. Celebrar o prazer de tocar junto é que o trio pretende no Brasil, onde termina a turnê de lançamento de "21st Century Breakdown". O sonho é fazer música " a vida toda". Mesmo comparando a situação atual da indústria fonográfica com o velho oeste.
- Ninguém sabe o que vai ser. Ainda lançamos discos em vinil. Nosso primeiro disco só saiu assim. Fiquei chocado quando o segundo saiu em CD. Mas é inevitável. Hoje não há uma única maneira de consumir música - disse Armstrong, sem condenar ou aprovar a pirataria.
Sobre as mudanças do grupo em 20 anos de estrada - e se ainda cabem no rótulo de punk rock - o grupo prefere que seu som seja conhecido simplesmente como do Green Day, pois "qualidade vem antes de qualquer conceito".
- Nosso grupo passou por mudanças graduais, algumas naturais, outras conscientes, mas sempre devagar. Não acredito em reivenções. Você pode até polir um pedaço de merda, mas ele ser sempre um pedaço de merda - resumiu Armstrong.
E, para os fãs brasileiros, um pouco de esperança. A adaptação do disco "American idiot" em uma ópera punk rock de mesmo nome na Broadway, sucesso de público e crítica desde abril e laureada por dois Tony, pode chegar ao Brasil no futuro.
- Adoraria ouvir as músicas em outros idiomas - suspirou o vocalista. (Famosidades)
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