Cerca de 6 mil pessoas passaram pelo cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte, para se despedir do cantor Wando. Ele morreu na manhã de ontem (9) após sofrer uma parada cardíaca, em um hospital de Nova Lima, região metropolitana, onde estava internado há 13 dias por complicações cardíacas. Muitos artistas lamentaram a morte do músico pela internet, mas poucos compareceram ao velório. Alguns enviaram coroas de flores, como a baiana Cláudia Leitte. Sobre o caixão, calcinhas levadas por fãs, e rosas, a flor preferida de Wando.
Por volta das 10h30, quando um padre amigo da família conduzia a cerimônia de corpo presente, houve um mal estar. O religioso pediu ao cantor Agnaldo Timóteo, um dos poucos colegas a comparecer ao velório, para prestar uma homenagem a Wando. Quando ele pegou o microfone, a filha do cantor protestou dizendo que Timóteo havia “falado muito mal” do pai durante sua vida.
Constrangido, o músico devolveu o microfone ao padre, que logo concluiu a cerimônia. Do lado de fora do saguão onde ocorria o velório, Agnaldo Timóteo lamentou a morte do suposto amigo, dizendo que a perda “era um desastre para a identidade brasileira”.
Por telefone, Agnaldo Timóteo contou ao jornal Extra que não foi expulso da solenidade, mas apenas respeitou a decisão dos membros da família: “Tem que respeitar o sentimento e a reação de uma família que perde o mito”, disse ele, por telefone. Ele explicou o motivo da confusão: “O Júnior (filho de Wando) está bravo comigo porque fui ao programa da Sônia Abrão (da Rede Tv!) na semana passada e disse que o Wando gostava da noite e de uísque. Foi um comentário sem maldade, mas infeliz. Eu tive a dignidade de reconhecer isso e enviar um bilhete para o programa com um pedido de desculpas, que a Sônia leu no ar. Pedi desculpas ao Júnior, mas a Gabrielle devia não saber disso e me impediu de falar”, explicou o cantor.
Agnaldo foi ao programa da Sônia Abrão repercutir a internação do Wando e a detenção de Rita Lee, após a confusão no show da cantora em Aracaju. Na entrevista, Timóteo diz que “Wando fuma bastante” e que “de vez em quando também gosta de um goró”, e complementa: “Eu nunca vi, sou apaixonado por ele.” Segundo o médico de Wando, ele tinha parado de fumar há muitos anos.
“Não queria ofendé-lo. Falei sem maldade e por querer o bem dele. Lamento se a família ficou magoada. Não queria isso”, finalizou.
TUMULTO
O velório seria fechado ao público, mas a família voltou atrás e decidiu abrir o funeral à visitação. No início da manhã, houve princípio de tumulto, e a visita foi limitada a três pessoas por vez ao lado do caixão. Muitos fãs não hesitaram em pegar a estrada para se despedir do ídolo, como a turismóloga Gerlane de Oliveira. Ela viajou por seis horas de Niterói (RJ) a Belo Horizonte, onde chegou na manhã deontem, para prestar uma homenagem ao cantor. Em mãos, fotos de vários shows. “Eu sempre ficava na primeira fila e ele já me conhecia. É muito triste”, disse, chorando. A irmã do cantor, a cabeleireira Maria das Graças Reis, 53 anos, chegou a desmaiar, mas se recuperou a tempo de acompanhar o enterro. (Agência Estado)
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