Saudade. Palavrinha única, que só existe na nossa língua e expressa a falta que algumas coisas e pessoas fazem, ou mesmo a nostalgia por alguma época que ficou na memória. O clássico brega “Ao Por do Sol”, de Teddy Max é uma das canções mais festejadas nos bailes da saudade pelo Pará. E na voz de Cleide Moraes, ela fica ainda mais romântica do que já é e leva os casais a dançarem coladinhos pelos salões.
“Quando as estrelas/no céu despontarem vão dizer/ que a lua, eu fiz pra você/E então eu serei amor/ o sereno e o luar será você/ ardente de paixão/ que raia no meu coração...”, canta a intérprete, intitulada a rainha da saudade, em entrevista por telefone. Cleide, que é filha de ‘crooner’ – seu pai, Jacó, cantava num grupo de bailes sucessos de Martinho da Vila e João Nogueira – conta que estudou contabilidade e tentou seguir outra carreira, mas a música estava no sangue. “Eu cantava com meu pai desde os 10 anos, acompanhava ele nos bailes e quando completei 20, comecei a das ‘canjas’ em show pela noite de Belém. Aos 22, lançava meu primeiro álbum, Românticas, que já determinou que estilo eu ia seguir”, lembra.
A voz grave privilegia interpretar canções que falem de paixão, da ideia do amor romântico. “Eu gosto de cantar sobre mulheres amadas, canções como ‘Mulher nova, bonita e carinhosa’, que o Zé Ramalho escreveu quando era casado com a Amelinha, ou ‘Iolanda’, do Chico Buarque”, cita Cleide. Em 28 anos de carreira, Cleide já embalou muitos romances e gosta de agradar o seu público, que classifica como ‘pequeno, mas fiel’. Para ela, que se prepara para hoje a noite fazer um show comemorativo a sua carreira, não é fácil viver de música por aqui, mas o que importa é que ela faz o que gosta.
“Me sinto bem vendo as pessoas dançarem e se divertirem nos meus shows. Comecei num grupo de chorinho, cantando sambinhas e bossa nova, mas na época existia uma demanda por cantores e grupos que cantassem em bailes, em festas de 15 anos e formaturas. Fui mudando o meu estilo, para um repertório que abrange cúmbia, brega, flashdance, forró, lambada, mas aonde o forte é o bolero”, frisa a cantora. Foi o bolero, o passional ritmo de origem espanhola, que fez Cleide se tornar tão festejada pelo público que gosta de músicas românticas, mais cadenciadas.
Versatilidade
A intérprete também dá nova forma a canções, como “40 e 20”, da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó, que na entonação grave de Cleide, se tornou uma música dramática, que ela canta como se estivesse contando a história de um casal que vive um romance proibido, por conta da diferença de idade.
Em seu mais recente DVD e CD “Cleide Moraes, a rainha da saudade”, ela interpretou estilos diversificados e transformou seu show numa grande festa para casais, efeito que poderá ser conferido hoje, com a participação do pai do ‘Gererê’ Nelsinho Rodrigues, mostra que também tem a ‘verve’ do romance. “Nos conhecemos há anos e ele, que foi aluno do tecladista Rubenito, também é um artista muito eclético. Vamos cantar algumas pérolas dos meus dez CD’s e especialmente as canções brega românticas. O público vai curtir muito”, avisa Cleide Moraes. Para quem não a conhece, uma ida à Casa da Seresta nesta sexta é oportunidade de descobrir os grandes sucessos do cancioneiro romântico que ela interpreta de maneira ímpar.
Pra dançar
Show de 28 anos de carreira de Cleide Moraes, com participação especial de Nelsinho Rodrigues. Hoje, a partir das 23h30, a Casa da Seresta (Trav. Ferreira Pena, nº 354, esquina da travessa 14 de março). Vendas de Ingressos, Mesas e Camarotes: 3230-2370 e 9983-8213 (Diário do Pará)
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