“Até agora eu sofro a humilhação pública diária de perder para a novela das 19 horas”. Essa foi uma das frases que marcaram a entrevista do autor Gilberto Braga, da novela “Babilônia”, publicada pelo jornal “O Globo” neste domingo (31).
A novela tem marcado 25 pontos, número considerado pela emissora muito baixo para o horário. Segundo o autor, o Brasil “encaretou”.
Por causa da baixa audiência, Braga e a equipe se viram “obrigados” a reduzir cenas do casal gay protagonizado por Fernanda Montenegro e Nathália Timberg, transformar o personagem do ator Marcos Pasquim em hétero e não desenvolver o tema da prostituição, da personagem de Sophie Charlotte.
“Elas tinham tesão pelo Pasquim e lamentaram o fato de ele ser gay na novela. Fiquei com pena das mulheres e botei ele para ser hétero”, disse.
Após as mudanças, Gilberto Braga destacou que audiência de “Babilônia” subiu em todos os estados brasileiros, menos na capital paulista, cidade considerada como o principal mercado para a TV.
“Depois das mudanças, a audiência não subiu em São Paulo. Paulista é esquisito. Um dos meus melhores amigos é o Silvio de Abreu. Ele fez o personagem Jamanta (em ‘Torre de Babel’, de 1998). Odeio Jamanta e falei: ‘Jamanta de novo?’ (quando ele voltou em ‘Belíssima’, em 2005). Ele disse: ‘É um fenômeno paulista. Fora de São Paulo ninguém suporta, mas lá é um sucesso. Por isso que eu botei’. Acho que o problema está aí. Não sei escrever para quem gosta de Jamanta. Meu universo é anti-Jamanta”, afirmou.
(DOL)
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