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Final de 'Sete Vidas' dispensa clichês e dá show

Sem precisar de sequestros, casamentos ou nascimento de bebês, a trama de Lícia Manzo emocionou com diálogos primorosos e cenas belíssimas. "É muita vida para caber num texto só". Essa fala de Irene (Malu Galli) resume bem o desafio que é falar de mais es

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Sem precisar de sequestros, casamentos ou nascimento de bebês, a trama de Lícia Manzo emocionou com diálogos primorosos e cenas belíssimas. "É muita vida para caber num texto só". Essa fala de Irene (Malu Galli) resume bem o desafio que é falar de mais essa obra maravilhosa de Lícia Manzo, que chegou ao fim no último capítulo de "Sete Vidas", exibido nesta sexta-feira (10). Está é uma novela que faz a reflexão profunda e delicada sobre os laços que unem a nova e contemporânea família, aqui retratada pelo protagonista Miguel (Domingos Montagner) e seus sete filhos.

Jean Paul Sartre disse que "o inferno são os outros". Mas a trama das seis, com seus pouco mais de 100 capítulos vai além, e mostra que na verdade o inferno somos nós mesmos. Com fraquezas, dúvidas, conflitos internos e desejos que se contrapõem; numa constante e desesperada tentativa de acertar, mas errando muito mais do que aceitamos que errem conosco.

Tão ou mais brilhante que em "A Vida da Gente", novela de estreia da autora, "Sete Vidas" não trouxe "grandes viradas ou reviravoltas", como disse a dramaturga em entrevista ao Purepeople, mas nem por isso deixou de provocar grande e fortes emoções em cada um de seus capítulos, tanto quanto no último. Combinando com maestria força e suavidade, Lícia desenha personagens que são o espelho de quem os assiste. Muitas vezes fallhos, noutras covardes, mas acima de tudo: humanos.
Um final feliz sem sequestro, casamento e gravidez... Será possível?

No último capítulo, diferentemente de 9 entre 10 novelas, não teve casório nem outros clichês. Houve o reencontro de Julia (Isabelle Drummond) e Pedro (Jayme Matarazzo), em duas sequências fantásticas. O incrível foi que os dois não chegaram a trocar uma única palavra. O reencontro de um casal que se apaixonou no primeiro capítulo e viveram uma odisseia até poderem finalmente viver esse amor. Apenas o olhar, a respiração e um beijo disseram tudo que havia para ser dito.

A frustração de quem torcia por Júlia e Felipe é compreensível. Mas talvez seja preciso lembrar, que na vida poucas vezes as coisas acontecem como a gente gostaria. Quem é que manda no próprio coração e decide por quem ele bate mais forte? Se a razão diz que aquele é melhor, é um porto-seguro confiável; a emoção vem e faz de tudo um caos, contraria o cérebro, faz de sua vontade a voz que grita mais alto. "PeJu" não tinha a maior torcida, mas certamente era mais próximo da vida real.

A coisa fantástica dessa história é a transformação pela qual todos os personagens passaram, cada um a seu modo. Miguel por exemplo, que começou a jornada como um lobo solitário, temina como pai amoroso de cinco filhos gerados por doação de seu sêmen, uma filha afetiva e um último fruto da paixão avassaladora e conflituosa que viveu com Lígia (Debora Bloch). Um homem livre da culpa e do medo. Se isso não é lição de vida, qual é? Vale ressaltar também que nem tudo acaba bem (novamente como na vida). Marlene (Cyria Coentro) se decepcionou mais uma vez com Durval (Claudio Jaborandy) e ficou sozinha no fim.

Arte que imita a vida

A partir da própria abertura, que foi criada com imagens reais da equipe que a produziu, a proposta da novela fica evidente. "A arte imita a vida e a vida imita a arte". Mas seria possível a telenovela, algo tão corriqueiro (e muitas vezes rechaçado) pelos brasileiros, alcançar tal nível de profundidade? Seria um produto de exportação, algo tão comercial, arte?

Lícia Manzo, elenco, direção e todos os envolvidos provam que sim. Raras novelas foram feitas com tanta entrega, tanto amor, a ponto disso extravazar para fora da tela. Elogiar a beleza do texto, das cenas, das interpretações, apontando nomes aqui e ali seria de uma injustiça atroz. O todo é mais forte que as particularidades, mesmo num folhetim com nomes como Regina Duarte, por exemplo, que se reinventou na pele de Esther, uma personagem com tamanha força transformadora no discurso e no olhar. Essa dramaturgia aponta para o futuro do gênero, que mais cedo ou mais tarde terá de se reinventar para continuar se sustentando.

Foi impossível assistir a um capítulo sequer de "Sete Vidas", sem ver ali estampado na tela nossas mães, pais, amigos, irmãos, tias, tios, avós, amores, desafetos... Nós mesmos. E para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, percerber a grandeza disso é uma epifania. A autora faz de seu ofício um instrumento poderoso para tocar pessoas. Para falar aquilo que é proibido ou polêmico dizer com uma naturalidade tão absurda que não causa nenhuma indignação. Assim ela falou de homo e bissexualidade, do tabu que é o incesto, de vício e perdão, traição, egoísmo, e até "cigarrinhos legalize" em Amsterdã... Tudo sem causar alarde ou revolta. Foi mais ousada que "Babilônia", mas não sofreu boicote.

'Será que a gente pode conversar?"

"Sete Vidas" teve como protagonista-mor o diálogo. Se há um bordão na trama é esse: "será que a gente pode conversar?". O que para alguns pode parecer chato e morno, na verdade é a solução mais indolor para todos os conflitos. Se pararmos para pensar, se não for pela conversa, como é que as coisas se resolvem? Isso mesmo, no grito ou pela agressão e na violência.

"Sete Vidas" merece reverências por ser uma fonte tão grande de cultura. Durante a trama, Fernando Pessoa, Saint-Exupérry, Paulo Leminski, Guimarães Rosa e Van Gogh, para lembrar alguns, foram citados nas cenas. Colocar artistas que só contribuem para o engrandecimento da alma humana dentro da casa de pessoas que muitas vezes podem não ter acesso a eles por outra via é um gesto no mínimo louvpavel. "Sete Vidas" vai deixar saudades. Só nos resta esperar ansiosamente pela próxima novela de Lícia Manzo, e torcer para que dêem logo o horário nobre a ela.

As informações são do site Purepeople.

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