Ele foi um ídolo dos anos 1990, um símbolo sexual até. Xexéu, sempre reverenciado como um ex-Timbalada, à frente da banda baiana emplacou sucessos como “Namoro a Dois”, “Se Você se For” e “Toneladas de Desejo”, cantando para multidões em diversos países. Em 1997, saiu em carreira solo e gravou seu primeiro CD, “O Voo do Beija-Flor”. Mas logo no início desta que deveria ser sua melhor fase, Xexéu se envolveu com drogas, o que o afastou da vida artística por anos.
No período de retomada da carreira, chegou a morar em Belém, para onde pretende retornar com novos projetos, incluindo seu novo DVD, em fase de pré-produção. É sobre esses novos ventos que o levam que Xexéu fala em entrevista exclusiva ao Você.
Como foi viver em Belém?
Morei em Belém em 2009. Conheci um pouco da cultura, de como vive o povo paraense. É um povo lutador, guerreiro, porque viver numa cidade cercada por água é uma dádiva, mas também um desafio pelas distâncias e pelo o acesso a locais apenas por barco.
Fez amigos artistas aqui?
Gravei uma música com o Pinduca e a gente sabe que a maior cultura do Pará, além do açaí, do pirarucu, das tribos indígenas e da dança, é o Pinduca e o saudoso Verequete.
Qual sua melhor lembrança do tempo de Timbalada?
Vivi tempos em que a música era cantada com amor, tinha um propósito, vinha para trazer alegria, para fazer casais que não se conheciam se casarem. Me falam: “Xexéu, eu me casei por causa daquela sua música, ‘eu fui embora meu amor chorou’...” (cantarola).
E a música de hoje?
A gente vê a música perdendo um pouco da sua essência, da melodia, das letras, dando ênfase a coisas que não fazem parte da nossa cultura. Mas não estou desmerecendo ninguém, acho que cada um tem sua oportunidade de brilhar.
Você já afirmou que queria gravar outros ritmos. Ainda pensa nisso?
Quando a gente fala de música, fala de um caldeirão de ritmos, com sertanejo, axé, carimbó, lambada... Então, eu penso em fazer um DVD que não tenha só uma cara da Bahia, mas que seja universal. Até porque não é um DVD comercial, mas em comemoração aos 25 anos de história de um cantor que embalou os anos 1990, que deixou escrito um legado que ninguém vai apagar.
Qual foi o grande desafio na hora de seguir carreira solo?
Eu sou muito sincero, a única coisa que me atrapalhou foi a droga. Até porque eu saí com o disco solo mais caro que a Bahia já teve nos anos 1990, custou R$ 1 milhão para a gravadora BMG Ariola. A verdade tem que vir para que seja exemplo para outras pessoas. Ele podia ser o disco do ano – porque quando saiu já estava com 100 mil cópias vendidas. Recebi o convite de fazer minha biografia e aceitei justamente como forma de contar tudo o que passei.
Quando você percebeu que tinha passado do limite?
O primeiro ponto é fazer as pessoas que você mais ama sofrer. Outro ponto muito difícil foi não ter controle. Era uma substância que controlava minha vida ao ponto de eu usar e parar no hospital tendo alucinação, síndrome do pânico. Só tinha uma saída: ou eu parava ou ia ser parado.
Há quanto tempo você está “limpo”?
Faz oito anos que saí daquilo. Não fumo, não bebo, não tenho nenhum tipo de vício. E graças a Deus não perdi minha voz, continua com timbre bonito, bem postada. Sou um cara que vive feliz com a família e não desejaria nem para um inimigo o que passei.
Como é voltar aos palcos?
Tem hora que a ficha não cai, que você, ídolo dos anos 1990, precisa ter humildade de aceitar condições de tocar daquele jeito, de ganhar aquele dinheiro que não é a realidade do trabalho que você faz. Mas aos poucos eu fui buscando meu lugar ao sol. Talvez eu passe o carnaval todo com shows aqui no Pará. Estou muito feliz e faço questão de mostrar que a diferença está em você, no que você quer ser da sua vida.
(Diário do Pará)
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