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Livro destrincha censura no Pará na ditadura

Lá se vão mais de 30 anos desde que a ditadura militar brasileira se desestabilizou. Na abertura política, o país vivia um período de redescoberta, do sentimento de nacionalidade política e de união com o objetivo de escrever um novo capítulo da história

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Lá se vão mais de 30 anos desde que a ditadura militar brasileira se desestabilizou. Na abertura política, o país vivia um período de redescoberta, do sentimento de nacionalidade política e de união com o objetivo de escrever um novo capítulo da história nacional.

Hoje, em meio a uma nova crise política, o jornalista Paulo Roberto Ferreira ajuda a refrescar a memória sobre os tempos de escuridão, limitação das artes e censura. Ele lança hoje o livro “A Censura no Pará – A Mordaça a Partir de 1964”, reunindo relatos de músicos, escritores, dramaturgos e estudantes sobre o cenário político da época. As histórias voltam a discutir o período de aprisionamento de ideias e de expressão para apresentar o quão nociva é uma ditadura.

O livro surgiu de uma dissertação de mestrado apresentada na Universidade de Évora, em Portugal. O autor acredita que, apesar dos problemas que o sistema apresenta, a democracia ainda é o melhor modelo político que já tivemos, apesar de ter sido constantemente interrompida, com governos militares que remontam ao período regente, o governo de Getúlio Vargas, na década de 1930, e depois o golpe de 1964. “É importante que as pessoas tomem conhecimento e que todos nós estejamos vigilantes para que isso não aconteça novamente”, declara o jornalista.

A obra narra as dificuldades de veiculação de ideias, na produção artística e na comunicação. Histórias do ator e diretor Cláudio Barradas, do poeta João de Jesus Paes Loureiro, do compositor Paulo André Barata, do dramaturgo Nazareno Tourinho, do publicitário Pedro Galvão, entre outras, descrevem a dureza como censura impedia que obras fossem a público.

O livro também narra manobras que os artistas promoviam para propagar ideias e também a arte contra o regime. Personagens constantes, os infiltrados eram motivo de tensão.

“Em cada capítulo, procuro dar dados para mostrar o que era aquela realidade sobre a produção intelectual e artística. Porém, alguns levantamentos foram feitos com arquivos oficiais do Estado, que não registraram algumas produções”, explica Paulo Roberto.

(Gustavo Aguiar/Diário do Pará)

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