Há algumas semanas, centenas de mulheres vêm compartilhando em seus perfis nas redes sociais, relatos do primeiro assédio sofrido. Textos curtos e longos, são descritos até com uma riqueza de detalhes por elas que sofreram, na infância ou adolescência, algum tipo de assédio.
Na tarde deste sábado (31), a cantora Gaby Amarantos compartilhou através de seu perfil no Facebook, uma mensagem sobre o movimento #MeuPrimeiroAssedio.
Entre as palavras, Gaby lembrou dos tempos que andava de ônibus pelas ruas de Belém, e sofria todos os dias. "Quando me pus a vasculhar estas lembranças, por alguns minutos eu senti o mesmo medo que sentia antes e rapidamente dei pra trás, TRAVEI e ñ consegui compartilhar meu 1º assédio", comentou a cantora em um trecho do texto.
Leia na íntegra o texto compartilhado por Gaby Amarantos:
Tenho acompanhado o movimento #MeuPrimeiroAssedio e achei maravilhoso, logo pensei em contribuir, sempre que vejo algo legal que pode melhorar a sociedade eu compartilho, mas fiquei confusa, como ajudar? Claro que a sugestão é contar o 1º "causo" porém, ah porém... foram tantos que eu ñ sabia se contava algum assédio da infância (ñ estamos falando de violência infantil mana) então vamos pra adolescência ou será que divido algum caso de violência que sofri de meus "ex mai loves"?Mas ser for o meu parceiro é assédio? Quantas dúvidas sobre este assusto dona Gaby?
Automaticamente me remeti a infância e lembrei dos diversos casos de assédio e violência que vivi e presenciei. Bem, vcs sabem que eu sou uma mulher com berço na periferia então podem imaginar o que se passa no bairro considerado um dos mais perigosos de Belém desde sempre, era de certa forma normal se ouvir falar de um estupro coletivo ou de um pai pedófilo que violentava as filhas bem ali na vizinhança então, fiquei mais perdida. Daí lembrei de quando eu andava de "Jurunas/Marambaia" um busão bem decadente que era a nossa diversão por darmos voltas nele pela cidade em nossa tentativa de ver o mundo mas, assim como em qualquer transporte coletivo, a mulherada é presa fácil e eu sofria todos os dias, quando me pus a vasculhar estas lembranças, por alguns minutos eu senti o mesmo medo que sentia antes e rapidamente dei pra trás, TRAVEI e ñ consegui compartilhar meu 1º assédio. Só em pensar nos abusos que sofri dos ex-parceiros me vem um pânico, eram violências verbais, humilhações, agressões, ameaças e aff... CHEGA, ñ tenho a coragem dessa mulherada que tá expondo cada história de dar nó na garganta. Me perdoem se eu ñ estou me abrindo, é muito difícil então resolvi agradecer a todas as mulheres e homens que estão engrossando o caldo desta discussão com meu **MUITO OBRIGADA**
Eu ñ faço ideia de quem criou essa tag mas gostaria de dar um forte abraço nestas manas, devem ser pessoas incríveis de se conhecer e ter como por perto, bom saber que estamos juntas e ler o depoimento de vcs que botaram a "cara no sol" me foi de grande valia. Espero que essa união seja algo que cresça verdadeiramente, que nós possamos nos fortalecer e nos aceitar quanto seres livres pra fazer o que bem entendermos. O maior poder que nós FÊMEAS temos é a percepção de que podemos sim fazer deste mundo um lugar onde os machistas não passarão de fato, e isso consiste em educarmos nossas filhas e filhos para serem bons e respeitosos uns com os outros. Tenho um filho de 6 anos que ama ser amigo das meninas e eu desde já digo a ele pra respeitar as MINA tratando-as como igual. Meu companheiro atual (e espero que para a vida toda) é inglês, um homem educado por seus pais a respeitar e olhar a mulher de forma bilateral, ñ quero parecer prepotente ao dizer isso mas percebo a diferença entre os homens de acordo com a sua educação e cultura, por isso digo com toda a consciência de que há exceções que os homens Brasileiros têm muito a aprender e melhorar, ñ se magoem com a minha crítica meninos, eu já andei por vários lugares e o jeito com que a maioria de vcs nos tratam pelas ruas, baladas, vida real ñ é legal, apenas reflitam e melhorem! #MachistasNãoPassarão #Meuprimeiroassédio #Gratidao
Leia também: Roger, do Ultraje, ironiza campanha contra assédio.
Outra famosa que também compartilhou sua experiência, na web, foi a atriz Letícia Sabatella. A atriz fez a postagem na última quarta-feira (28). Veja:

(Foto: reprodução)
Na última semana, internautas se revoltaram contra comentários pedófilos, compartilhados pelo Twitter, sobre o primeiro episódio da temporada “MasterChef Júnior”, exibido pela Band. O programa é protagonizado por crianças na faixa de 9 e 13 anos.
(DOL)
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