Uma banda inesquecível. Esta semana completou 20 anos que os integrantes da banda Mamonas Assassinas morreram após um trágico acidente de avião. O acidente deixou o país em choque e encerrou a carreira de um dos grupos que mais brincou e ironizou questões sociais no país. Encerrou? Passados os 20 anos, a certeza é de que não.
Com estilo próprio e músicas marcantes, Alecsander Alves, o Dinho; Júlio Rasec; Bento Hinoto e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli encantaram e animaram crianças, adolescentes e adultos. As músicas, que hoje em dia seriam vistas como "preconceituosas", carregavam na verdade mensagens irônicas contra vários preconceitos, sejam de região, cor, religião ou mesmo opção sexual.
Em uma época em que o Axé, capitaneado pelo grupo É o Tchan, e o pagode, com nomes como Raça Negra, Molejo, Soweto, entre tantos outros, dominavam todas as listas musicais, o rock pop o mesmo outro tipo de gênero, caso seja necessária a classificação, do grupo, foi um verdadeiro fenômeno. Entre 1995 e 1996, foram centenas de shows, dezenas de apresentações em programas de TV, mais de 3 milhões de discos (e fitas K7) vendidos e incontáveis reproduções das músicas em rádios no Brasil todo.

A capa do único CD dos Mamonas já mostrava a irreverência da banda. Imagem: Reprodução
Todo o sucesso durou poucos meses e com apenas um CD e 14 faixas lançados. Todas até hoje são consideradas "clássicas", como "Pelados em Santos", "Bois don't cry" e "Chopis Centis", para citar somente algumas.
Apesar do auge e a tragédia que findou a banda terem sido rápidas, a trajetória da banda teve início por volta de 1989, quando os irmãos Sérgio e Samuel conheceram Bento e decidiram montar uma banda chamada Utopia. O grupo basicamente apresentava versões de bandas como Titãs e Legião Urbana, ainda influenciados pelo auge do "BRock", isto é, da grande produção de rock na década de 1980.
A grande mudança viria durante uma apresentação em Guarulhos, a cidade natal de todos os integrantes: o público pediu "Sweet Child O’Mine", sucesso dos Guns N’ Roses. Nenhum dos três integrantes, no entanto, conhecia a letra. Um garoto que estava na plateia os "salvou": era Dinho, que depois foi convidado para ser o vocalista da banda e se tornou líder dos Mamonas. Com o tempo, eles mudaram de nome, o tecladista saiu e o último membro entrou: Júlio Rasec. Estava formado o grupo histórico.
Em 1995 veio o grande "boom" e os Mamonas passaram a ser a principal banda do país. Os cachês dos shows custavam cerca de R$75 mil reais, valor gigantesco se levarmos em conta que o salário mínimo naquele ano era R$100 e passou a ser de R$112 em 1996.
Tudo ia muito bem, até que na noite de 2 de março de 1996, a banda embarcou em um jatinho em Brasília com destino a Guarulhos. Por volta de 23h, devido a uma espessa neblina que cobria o céu e atrapalhou a visibilidade do piloto, a aeronave se chocou contra a mata da Serra da Cantareira, em São Paulo.
O avião ficou completamente destruído e todos os tripulantes morreram. Além dos cinco membros da banda, morreram ainda o piloto Jorge Martins, o copiloto Alberto Takeda, o segurança Sérgio Saturnino Porto e o primo de Dinho, Isaac Souto. O enterro do grupo aconteceu no dia 4 de março, em Guarulhos, e foi acompanhado por milhares de fãs. Milhões de pessoas acompanharam atônitos, pela TV, a despedida da banda.
O principal sonho da banda era fazer um grande show em sua cidade natal. Relembre:
Para muitas pessoas, apesar da tragédia, os Mamonas partiram quando ainda era possível fazer sucesso. É difícil de imaginar se a banda conseguiria manter o mesmo estilo e principalmente o mesmo sucesso com várias críticas hoje consideradas "politicamente corretas". Para muitas outras, a falta do humor inteligente da banda até hoje é uma lacuna que não foi preenchida no Brasil.
Discussões à parte, passados 20 anos os Mamonas seguem como um dos principais ícones da música brasileira e serão tema de uma série em cinco capítulos na TV Record. "Mamonas Assassinas - A Série" contará a história da banda e será lançada no segundo semestre deste ano. No próximo dia 11, estreará em São Paulo o musical "O Musical Mamonas", que também homenageia a banda.
Mais ainda: suas canções até hoje são destaques no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), em especial Pelados em Santos, Robocop Gay e Vira-Vira.
E para você, qual a principal lembrança da banda? Qual sua música favorita?
(DOL)
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