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Dona Onete brilha em turnê norte-americana

Faz pouco mais de três meses que Dona Onete lançou “Banzeiro”, seu segundo álbum. E além de ter sido muito bem recebida pelo público em Belém, formado principalmente por gente encantada com a jovialidade que ela exala no auge de seus 77 anos, a cantora ve

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Faz pouco mais de três meses que Dona Onete lançou “Banzeiro”, seu segundo álbum. E além de ter sido muito bem recebida pelo público em Belém, formado principalmente por gente encantada com a jovialidade que ela exala no auge de seus 77 anos, a cantora vem deixando um rastro de “chamegados” por ela no Brasil e no mundo. De volta de sua primeira turnê internacional, Dona Onete, que já era paparicada por figuras como Mestre Solano, Pio Lobato e Gaby Amarantos - rolou até declaração de amor da conterrânea em rede nacional de TV -, foi tietada por Caetano Veloso, a carioca Tereza Cristina e ninguém menos que David Byrne, após assistirem a um show da paraense em Nova York.

Na mesma selfie em que Caetano abre um sorriso ao lado dela, o músico, compositor e produtor musical norte-americano fundador dos Talking Heads e premiado com diversos Grammys também parece ter se rendido ao poder da “Jamburana”. “Eles vieram até o camarim depois do show. O Caetano ficou encostadinho na porta. Eu falei: ‘Vem aqui Caetano’. E ele veio todo sorridente. Elogiou minha voz e a minha disposição no palco com mais de 70. Depois ele publicou aquela foto no Instagram dele. Achei isso um grande presente!”, conta a nova revelação da música paraense.


França, Portugal, Inglaterra. Dona Onete conta que tem se cuidado para dar conta dessa agenda de demandas nacionais e internacionais. Diverte-se, deitada em sua rede, contando cada experiência. Só na última turnê, pelos Estados Unidos, passou pelas cidades de Cleveland, Chicago, Albuquerque e Nova York. “Eu estava preocupada por não falar inglês, mas me disseram: ‘eles querem saber da senhora e não se fala ou não inglês’. O calor humano foi muito bom, nos shows a música falava por mim. Gravei lá naquela rua, a Times Square”, diz Dona Onete, já sem titubear o nome americano da avenida mais conhecida do mundo.

Em breve, um DVD da rainha do carimbó chamegado deve ser lançado, incluindo entrevista e apresentações. Com uma carreira profissional de apenas quatro anos, ela e sua música dançante parecem não encontrar mais fronteira alguma. “Acabei de ser convidada para o São Paulo Fashion Week, vou fazer show lá”, conta animada. E se vai ter desfile com seu visual colorido e chamegoso, adornado por lenços e turbante? “Não, não, olha que os baianos ficaram apaixonados pelas minhas roupas”, diz ela, aos risos.

“Eles (baianos) já estavam até falando em Carnaval, de cantar em trio, sei não... A música do Pará agora, graças a Deus, conseguiu conquistar o Brasil e lá fora também. Quando solta um ‘Pitipiti’, uma ‘Jamburana’, a plateia é só uma. Eu fico louca lá em cima, sentada numa cadeira. Mas eu estou me cuidando, estou aqui, deitadinha na minha rede, que agora é que tem (shows)!”, avisa a dona da coisa toda.

EM LONDRES, LIA SOPHIA TEVE YOKO NA AUDIÊNCIA

Outro talento paraensíssimo chamou atenção de públicos estrangeiros recentemente. A cantora Lia Sophia voltou Belém depois de uma miniturnê em Londres, onde teve o prazer de ter visto Yoko Ono dançando carimbó enquanto fazia a passagem de som. A sua produtora, Taísa Fernandes, foi quem avistou a viúva de John Lennon no Chelsea Arts Club - um clube privado de artistas da capital inglesa.- e tratou de avisar a cantora. “Ela ficou me chamando e me mostrando, dizendo: ‘olha quem está ali, olha quem está ali’. Só depois que fui entender e falei para os meninos da banda para tocar melhor’”, relembra.

Uma das regras por lá, justamente para manter a privacidade dos artistas, é que se mantenha o celular desligado, por isso Lia Sophia lamenta não ter registrado o momento. Mas ela comemora que num domingo ensolarado e num momento despretensioso de ensaio tenha visto Yoko dançando ao som de sua música. Além deste, a cantora fez ainda mais dois shows, a convite da Embaixada Brasileira na Inglaterra, durante o evento “Brazil Day”, na Trafalgar Square, para 25 mil pessoas, e no restaurante Tia Maria London, de comida brasileira.

Ela conta que a experiência de ter tocado carimbó e guitarrada foi surpreendente. “Os estrangeiros conhecem a música brasileira como samba, forró, música baiana, então ficaram muito curiosos para saber o que a gente estava tocando. Algumas pessoas perguntaram depois dos shows e eu dizia que era carimbó, um ritmo do Pará e da Amazônia, e queriam saber como se dança. Acho isso importante e mostra a força da nossa cultura”, conta.

Ela conta que as apresentações também proporcionaram alguns contatos de produtores que poderão apresentar a música paraense no Canadá e na Eslovênia. “O povo londrino é todo cheio de regras, etiqueta, mas todo protocolo foi quebrado quando o carimbó começou. Os shows foram surpreendentes, fiquei muito feliz com a receptividade do público e com a chance de fazer shows internacionais. Torço para que isso aconteça mais vezes”, diz a cantora.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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