O Porto do Sal, área portuária e periférica da capital paraense, será morada de artistas de Belém, São Paulo, Porto Velho e Recife a partir desta terça-feira. Eles foram selecionados por meio de edital contemplado pela Funarte, no projeto “Margens: Encontros e devires sobre o rio”, do Coletivo Aparelho.
Até o dia 5 de dezembro, o grupo estará imerso no efervescente arranjo social, humano e estético concentrado na região do Porto do Sal, inserido em um conjunto de paisagens complexas que refletem uma Amazônia contemporânea, a um só tempo urbana e ribeirinha.
A proposta da residência é somar novos artistas à experiência iniciada em fevereiro de 2015 pelo Coletivo Aparelho, que desenvolve um projeto de arte e cidadania no Mercado do Porto do Sal e seus arredores, promovendo atividades educativas com a comunidade e ocupações artísticas, com múltiplas linguagens. “Nossas ações são atravessadas pelo intuito de democratização da arte. Nosso interesse é provocar encontros que se desdobrem em trocas, inquietações”, diz a artista visual Elaine Arruda, que integra o coletivo ao lado de Josianne Dias, Vivian Santa Brígida, Verônica Limma, Débora Oliveira, Elisa Arruda, Raimundo Carvalho, Luiz Júnior e Manoel Pacheco.
RESIDENTES
Ao longo de quatro semanas, os artistas irão habitar uma casa na região do Porto do Sal e compartilhar experiências e processos criativos. Marie Carangi, de Recife (PE), é arquiteta e urbanista de formação, e trabalha com performance, vídeo, instalação e som. Ela conta que a sua vivência na Amazônia urbana será guiada, sobretudo, pelo som. “Meu trabalho tem se desenvolvido na relação entre corpo, som, arquitetura e objeto”.Gabriel Bicho é fotógrafo de Porto Velho (RO). “A fotografia estará presente no desenvolvimento da residência, seja para pesquisa de campo, como para construções de possíveis narrativas que possam traduzir e/ou resgatar aspectos importantes da vida do Porto do Sal”.Vindo de São Paulo (SP), Ulysses Boscolo trabalha há 16 anos com gravuras em metal, xilogravuras, pinturas, objetos e ilustrações de livros. “Meu objetivo é mergulhar no Porto do Sal e tentar extrair algumas estampas, imagens e relatos, algo deste arquivo que carregamos todos os dias nas ruas”.
Raphaella Marques, a Raphíssima, é de Belém. Vinda da Comunicação Social, a artista mantém a inquietação que a faz investigar a realidade da Amazônia. “Tudo que crio é consequência de infiltrações pelos caminhos de rato do abandono social de uma cidade à ribeira da história”.O acompanhamento dos processos será feito pela curadora-mediadora Ruli Moretti. O calendário de atividades do projeto inclui conversas e atividades públicas com os artistas residentes até os dias 3 e 4 de dezembro, quando eles participam da Ocupação Final do Porto do Sal com o resultadoda residência.
(Diário do Pará)
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