Cena incrementadaProdução audiovisual brasileira cresce em volume e qualidade e desperta interesse internacional Criador e showrunner – a mente por trás de programas e séries de TV –, indicado ao Emmy Internacional por “Mothern” (GNT), o carioca Luca Paiva Mello também é responsável pelos sucessos “O Negócio” (HBO), “Julie e os Fantasmas” (Nickelodeon/Band), Descolados (MTV) e muitas outras produções. Em entrevista exclusiva ao Diário, ele comenta sobre essa produção brasileira, o papel da TV a cabo e a crescente realização no formato de séries. “Acho que se olharmos na linha do tempo, a produção audiovisual brasileira teve um incremento importante - tanto do ponto de vista de volume quanto de qualidade”, diz ele.
Como alguém que integra o júri do International Emmy Awards, sendo também consultor do Globo Lab e conselheiro permanente da Academia de Histórias Curtas (RBS/Globo), Luca destaca o papel central da Ancine nesse incremento da cena audiovisual no país. “Ela trouxe conquistas importantes para a produção independente, que se refletem na qualidade das obras produzidas. Mais especificamente na área onde atuo, a TV, vejo um crescente interesse do público pelas obras seriadas de ficção”, diz ele.
E esta tendência, ele acredita, deve se manter e gerar maior variedade de oferta, tanto de gêneros quanto de formatos.Entre os caminhos que o próprio roteirista apostaria para esta produção alcançar um público ainda maior está a iniciativa das coproduções com canais abertos e de TV paga. “Elas são um caminho que, acredito, deva se expandir. E as experiências mais recentes têm mostrado que não há canibalização de audiência e sim, uma interação sinérgica entre os canais, um colaborando para o aumento dos ratings do outro. Vejo esse modelo de negócio como uma catapulta para se alcançar audiências maiores”, comenta.
MERCADO
No ambiente televisivo “as séries trazem oxigênio para a dramaturgia”, retoma Luca Paiva Mello. Isso porque em uma novela com 140 episódios, a equipe trabalha num formato industrial de escrita e produção – e diariamente reagindo a como o público percebe a obra. Já as séries têm outra dinâmica. “De certa forma, elas se aproximam do formato de produção cinematográfica e, ao mesmo tempo, é uma construção onde criadores, produtores e canais trabalham a seis mãos para que a obra atinja objetivos artísticos, de audiência, de posicionamento, etc. É um trabalho colaborativo em muitos níveis – e isso é um aprendizado que o mercado de produção independente ainda está processando”, considera.
Para o realizador, as séries e a produção audiovisual em geral também vivem um tempo singular ao levar em consideração que as tecnologias baratearam equipamentos e meios de produção. Ao mesmo tempo, aponta Luca, “houve uma fragmentação de janelas, devices e formas de consumo desses conteúdos”. E com o mundo online, novos formatos, compradores e consumidores se somam ao mercado. “Vejo hoje a produção audiovisual desempenhando um papel crucial no que eu chamaria de ‘mercado do tempo livre’. Fisgar o público que migra, chaveia, troca de telas o dia todo é um grande desafio e uma oportunidade espetacular para o desenvolvimento de novas linguagens”, considera o roteirista.
(lLaís Azevedo/Diário do Pará)
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