Da tela virtual para a tela da galeria: as imagens do Instagram de fotógrafos paraenses saíram do celular e foram emolduradas e postas na parede. A “5ª edição do Coletivo de Dezembro - Retrospectiva da Mostra Instagram”, ocorre na Kamara Kó Galeria neste domingo, durante o projeto Circular Campina – Cidade Velha, e traz imagens de Alexandre Sequeira, Anita Lima, Danielle Fonseca, Flavya Mutran, Irene Almeida, Ionaldo Rodrigues, Jorane Castro, Val Sampaio e Walda Marques, que apresentam seu olhar subjetivo do mundo.
São detalhes de casas, carros, cenários, viagens e outros recortes do cotidiano de cada artista. A cineasta Jorane Castro explica que tem o aplicativo de fotografias como parte de um processo de pesquisas imagéticas. “Para mim, o Instagram é um formato de estudo. Então, o que eu tento lá é para mim como se fosse um ensaio, para provavelmente levar para o cinema. E alguns resultados são legais, são interessantes. O legal é que é imediato, a gente faz a imagem, edita e posta. É um instrumento para quem trabalha com imagem possa ir experimentando”, comenta Jorane Castro.
As fotografias que foram pinçadas de sua conta fazem parte de uma série virtual chamada “Micronarrativas”, nas quais ela transforma em ficção registros documentais, com o acréscimo de textos. Como a da mulher correndo pela rua, fotografada no bairro do Guamá, em Belém.
Para a cineasta, o processo criativo é facilitado pela tecnologia e auxilia na busca por insigths para a realização audiovisual. “Isso é um pouco cinema também. Essa série, usei no meu longa-metragem. Olhamos as fotografias para que se desenvolvesse esse tipo de situação no vídeo, e veio do Instagram. É tudo processo criativo. E como a gente trabalha com isso, não faz como se fosse coisa corriqueira, a gente se envolve de alguma forma. São essas coisas que são muito legais no aplicativo, tem algo do contemporâneo também, não é uma foto trabalhada, mas é uma foto de autor. É uma polaroid de hoje, digital”, diz Jorane.
A fotógrafa Walda Marques acredita no potencial do aplicativo para chamar atenção das pessoas. “Faz com que as pessoas que gostam do Instagram fiquem curiosas de ver numa galeria. É uma porta que se abre, já que é uma rede social muito conhecida”, comenta.
Irene Almeida também destaca a proposta de trazer o formato para galeria. “São fotos feitas com o celular, é a possibilidade de ter um instrumento mais simples para fazer uma foto. Acho mais lúdico e mais fácil, com a agilidade que o celular proporciona. Não precisa de um equipamento maior, ficamos mais livres para fazer a foto”, acrescenta. Em exposição no salão da galeria, também estarão reunidas fotografias de Ana Mokarzel, Bob Menezes, Keyla Sobral, Miguel Chikaoka, Octavio Cardoso e Pedro Cunha.
(Domink Giusti/Diário do Pará)
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