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Consumo colaborativo cresce com grupos de troca

Quer viajar o mundo sem pagar hotel? Dá para trocar de casa com outra pessoa por um determinado período. E se enjoar de algo que você tem, como roupas e acessórios? Dá para trocar por outros, ou mesmo emprestar dos vizinhos que talvez você ainda nem conhe

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Quer viajar o mundo sem pagar hotel? Dá para trocar de casa com outra pessoa por um determinado período. E se enjoar de algo que você tem, como roupas e acessórios? Dá para trocar por outros, ou mesmo emprestar dos vizinhos que talvez você ainda nem conheça. Tendências como essas, de consumo colaborativo, estão crescendo amparadas pela internet, como indicador de um novo comportamento, mais preocupado em evitar o desperdício. Mais abrangentes ainda podem ser os grupos que se formam em redes sociais como o Facebook, iniciativas individuais que formam espécies de clubes on line de pessoas interessadas em trocar objetos como quadrinhos, roupas, livros e instrumentos musicais.

É o caso do grupo online “Venda ou Troca de Livros em Belém”, criado há cinco anos pelo estudante de Letras, Milton Rezende, um paraense apaixonado por livros. “A motivação foi reunir pessoas para que, através da troca, venda ou doação, nós pudéssemos fazer os livros circularem. Tudo começou muito timidamente e hoje temos quase 12 mil membros”, ele destaca sobre o grupo, que reúne leitores de toda a região metropolitana de Belém. “Tirar aquele livro guardado na estante, empoeirado inclusive, e dar uma nova vida, fazê-lo circular, parar em outras mãos, recriar o hábito de leitura” são alguns dos benefícios, completa Milton.

Os administradores do grupo não têm com precisão os números de troca e comercialização, mas afirmam que há época de boas vendas e trocas. “Tem muita gente que vai ‘na onda do momento’, que quer determinado autor porque está em evidência, tipo o John Green. Mas vez ou outra encontramos uma Clarice Lispector, um Nelson Rodrigues, Jorge Amado, Dalcídio Jurandir... Isso é o máximo”, diz o criador da página.

A busca por raridades, nesse caso, de jogos eletrônicos, é o que movimenta “Lord Vader” , codinome do jogador e colecionador de games Alexandre Augusto, de 21 anos, no Facebook. “No meu caso, busco mais jogos antigos, como os de Gameboy. Sou colecionador de jogos desse console da Nintendo e já encontrei no grupo lotes de jogos por um preço bem abaixo do mercado, pois a pessoa estava querendo tirar o volume de casa para desapegar. Jogos de 3D também, as pessoas vendem a preços melhores que as lojas, pois não tem mais representante da Nintendo no Brasil. Além disso, os preços das lojas vão lá para cima porque não existem parâmetros oficiais para estimá-los”, diz ele, que ajuda a administrar o grupo “Venda e Troca de Jogos da Nintendo”, criado em 2013 pelo bancário Thiago “Link”, de 31 anos.


Internet ajuda a renovar hábito antigo


Apesar de os grupos de troca em rede parecerem algo novo, na verdade eles não passam de um hábito que ganhou novas ferramentas. É o que aponta o músico Kelber Arnaud, de 26 anos, criador de um grupo de troca e venda de instrumentos musicais. “Eu criei pensando em ajudar a divulgar quem tem interesse em trocar ou vender algum instrumento, mas antes isso rolava entre os músicos no boca-a-boca mesmo. É muito comum, por exemplo, encontrar gente que compra instrumentos usados e melhora ou adapta o instrumento e vende mais caro ou troca por um do seu interesse. Acredito que a internet surgiu para ajudar esse que já era um hábito entre músicos”, diz ele.

Hoje, Kelber tem quatro guitarras e todas chegaram às suas mãos através de compra ou troca no grupo repleto de membros bem conhecidos da cena musical paraense, como a cantora Sammliz e o músico Pedro Vianna. “Uma guitarra que poderia custar R$ 1 mil na loja, eu posso comprar em torno de R$ 500 no grupo, dependendo do estado físico e preservação. No momento, tem tido poucas compras, até pela crise, mas ainda é muito comum haver trocas”, aponta o dono da página.

Para Milton Rezende, criador do grupo para troca livros, isso também não é nenhuma novidade. “Essa troca de livros é antiga, acho que para todos, no hábito de emprestar o livro para alguém. Tanto que em determinadas situações, nunca mais temos os livros de volta. E isso também não deixa de ser uma troca”, diz ele.

Outro sintoma de que as redes apenas resgataram e facilitaram um hábito antigo é o fato desses grupos, em alguns casos, promoverem um retorno ao corpo a corpo. Foi o que ocorreu com o grupo de Milton, que acabou dando origem à “Feira de Troca de Livros”, realizada a cada dois meses na Praça da República nos últimos dois anos, como conta o pedagogo Thyago Santos, de 28 anos. “Um amigo meu perguntou no grupo online se eles topariam se encontrar em um lugar para vendermos e trocarmos livros entre nós mesmos”. Na época, houve dezenas de respostas e comentários positivos.

“Eu era uma dessas pessoas que ficaram entusiasmadas com a ideia, me uni a esse amigo e passei a ajudá-lo, e juntos fizemos o primeiro evento, que reuniu umas 30 pessoas”. Como o evento cresceu, o grupo conta com a ajuda de muitos colaboradores. Os principais organizadores são Thiago Coral, Ingrid Souza, Juliana Castro e o próprio Thyago. Os jovens entre 13 e 20 anos de idade são os que mais participam da feira, “mas temos leitores de todas as idades participando. Desde crianças, levadas pelos pais leitores, a pessoas de 50 a 60 anos. É uma experiência muito boa passar a manhã na praça no meio de pessoas que têm a mesma coisa em comum: o hábito de ler, o amor pela leitura”, diz ele.

Dicas de segurança

Como negociantes experientes, os organizadores de grupos de trocas sempre orientam – inclusive na lista de regras dessas comunidades – para que as pessoas sejam atentas na hora de realizar trocas e vendas. “Eu sempre procuro verificar a procedência e reputação de quem está anunciando. Teve gente retirada por uma reputação ruim no grupo, recebo denúncias de outros membros e isso sempre ajuda. Ver a reputação de quem anuncia é sempre importante”, reforça o músico Kelber Arnaud. Já Augusto “Lord Vader” lembra que na hora de encontrar com a outra pessoa ao vivo, para trocar ou comprar material, o ideal é sempre marcar em locais públicos, como shoppings. “Em compras de outros estados, procuro usar ferramentas de proteção de pagamento, como ‘MercadoLivre’, nada de depósito em conta”, alerta.

Agende-se

Feira de Troca e Venda de Livros Belém Quando: Dia 12 de fevereiro, das 8h30 às 13h.Onde: Praça da República, em frente ao Theatro da Paz (Avenida Presidente Vargas, Campina).

Saiba mais

Feira do Livro da Praça da República, espaço para troca e venda de livros, que promove encontros agendados e abertos, divulgados pelo Facebook.www.facebook.com/feiradolivronapracadarepublica
TrocaCasa, comunidade virtual que reúne pessoas dispostas a ceder suas casas para viajantes e experimentar a hospedagem na casa de outras pessoas pelo mundo. www.trocacasa.com
Tem Açúcar?, plataforma que estimula o empréstimo de objetos entre vizinhos, que calcula as pessoas próximas a você e media o que cada um está disposto a (ou necessita) compartilhar.www.temacucar.com
Enjoei, para venda e troca de roupas, acessórios, objetos de decoração e até móveis. www.enjoei.com.br

(Laís Azevedo/Diário do Pará)

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