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Grupo faz espetáculo sobre religiões africanas

Por que aprendemos a mitologia grega e não mitologias dos orixás, da cultura do povo negro, que foi formadora da na nossa nação?”, questiona o diretor da companhia artística Treme Terra, João Nascimento. A crítica o motivou a pesquisar e promover espetácu

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Por que aprendemos a mitologia grega e não mitologias dos orixás, da cultura do povo negro, que foi formadora da na nossa nação?”, questiona o diretor da companhia artística Treme Terra, João Nascimento. A crítica o motivou a pesquisar e promover espetáculos para difundir as heranças culturais de seus ancestrais, por meio da dança contemporânea negra, com o grupo fundado há oito anos no Morro do Querosene, zona oeste de São Paulo. Com base nessa perspectiva, a companhia apresenta “Terreiro Urbano”, hoje e amanhã, em Belém, comentradagratuita.

Formada majoritariamente por negros, a companhia encampou a luta política em sua identidade, e para o espetáculo – que começou a ser pesquisado em 2009 e foi criado em 2012, aborda a relação entre religião e arte, com base no candomblé. “Terreiro Urbano” traz elementos da religião ressignificados, com movimentos de dança e batidas de tambor, não sendo apenas uma adaptação dos rituais de terreiro. A apresentação marca ainda o lançamento do disco de mesmo nome com canções autorais e outras de domínio público interpretadas pelo grupo.

“São nossas vivências e experimentações das culturas de matrizes africanas, que envolvem a questão religiosa e fazemos uma releitura e recriação desses elementos. Cada orixá tem uma característica e fomos em busca dos arquétipos para a construção dos movimentos da dança. Também fazemos uma relação com o contemporâneo, como o hip hop. Sabemos que a construção da identidade negra no Brasil surge a partir de uma visão de inferiorização, já fomos comparados a animais, que não tínhamos alma, por exemplo”, comenta o diretor.

Com direção também de Firmino Pitanga, o espetáculo aborda, por exemplo, o orixá exu – comumente é associado a uma entidade ruim - sob o viés da dança e da música. Os integrantes também se revezam nas funções, ora tocando, ora dançando, ora cantando – tal qual as tradiçõesafricanas.

“Na cultura negra não se separam as linguagens, então, ora os bailarinos atuam como músicos, ora são dançarinos, ora são puxadores, tocadores do disco, que lançamos em marçoapartirdoprópriouniverso das manifestações populares, mas com uma roupagemdiferente”, diz o diretor.

VEJA

Espetáculo "Terreiro Urbano", com Cia. Treme Terra (SP).
Quando: hoje, às 20h
Onde: Casarão do Boneco (rua 16 de Novembro, 815)

Quando: terça-feira (11)
Onde: Teatro Experimental Waldemar Henrique (Praça da República)

Quanto: gratuito.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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