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Alexandre Taleb apresenta guia para moda masculina

Para Alexandre Taleb, as roupas refletem atitudes e intenções. “É por meio delas que dizemos ao mundo e às pessoas com quem nos relacionamos, quem somos, nossos valores, o que sentimos, onde chegamos ou onde queremos chegar”, afirma. Influencer digital, p

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Para Alexandre Taleb, as roupas refletem atitudes e intenções. “É por meio delas que dizemos ao mundo e às pessoas com quem nos relacionamos, quem somos, nossos valores, o que sentimos, onde chegamos ou onde queremos chegar”, afirma. Influencer digital, professor e consultor de imagem, ele veio a Belém recentemente para lançar “Imagem Masculina – Guia Prático para o Homem Contemporâneo”, pela Editora Senac, e falou com o Você sobre o perfil do homem contemporâneo, que está muito mais preocupado com a própria imagem, o mercado de moda masculina, estilo e as dúvidas frequentes dos homens quanto à moda.

Em sua publicação, Taleb busca atingir homens de todas as idades ao falar de etiqueta e elegância, ajuda o leitor a identificar seu estilo pessoal, traços físicos, pontos fortes e fracos, e ensina como passar uma mensagem correta de si mesmo. “Hoje o mercado profissional exige isso no ambiente de trabalho e fora dele”, diz o consultor, que hoje possui cerca de 100 mil seguidores em seu perfil no Instagram (@alexandretaleb) e desde 2014 faz parte do case da Caras Blog com seu site , sempre é recheado de informações que vão desde simples tratamentos a máquinas luxuosas.

Em entrevista, Taleb fala ainda do início. Filho de comerciantes de tecidos da Rua 25 de março, em São Paulo, o consultor de imagem trouxe nas veias o amor pela moda. Administrador por formação, se viu a frente dos negócios da família durante anos, se aventurou pelo mercado do turismo, em vendas na Empório Armani. “Assessoro pessoas e empresas, cuidando para que atijam autenticidade, credibilidade e autoconfiança através da imagem pessoal”, comenta Taleb sobre porque optou por essa carreira.

P:Mulheres historicamente são mais ligadas à moda, por isso o mercado sempre se voltou mais ao público feminino. Mas já há alguns anos isso vem mudando. O que mudou no perfil do homem contemporâneo, que está muito mais preocupado com a própria imagem?

R: Todo mundo acha que historicamente as mulheres eram mais ligadas, mas não. No passado, os homens eram muito mais antenados do que as mulheres. As maiores perucas eram dos homens. Os maiores sapatos eram dos homens. Os primeiros sapatos de salto alto eram masculinos, porque os homens que eram baixinhos, punham um salto pra ficarem mais altos. Então, o homem sempre foi muito vaidoso, só que na época da Revolução Industrial, ele parou, deu uma mudada e a mulher ficou mais vaidosa. Agora está voltando o homem a ficar mais vaidoso. O homem contemporâneo está mais preocupado porque ele sabe que se ele tiver uma imagem melhor, ele vai ganhar mais dinheiro no trabalho. Ele sabe que se ele tiver uma postura melhor, ele vai ter muito mais dinheiro no bolso, ele vai subir dentro da carreira, da empresa. Então, tá mudando? Está. O homem está muito mais preocupado.

P:Até algumas décadas atrás, a grosso modo, cuidados com a aparência estavam mais ligados ao mundo corporativo e às classes A e AA, enquanto que nas classes C, D e E se tratava esse assunto com muito preconceito, taxando inclusive quem se preocupava muito com a imagem como homossexual. Surgiram os metrossexuais, o mercado passou a olhar de outra forma para os cuidados com a aparência masculina, e hoje ter o cabelo da moda do jogador de futebol preferido, ou fazer a barba em barbearias especializadas virou algo corriqueiro até para quem não tem acesso a muita informação sobre moda e estilo. Os homens estão deixando o preconceito de lado?

R: O brasileiro é um pouco preconceituoso. Ele é tradicional, ele é conservador e tem preconceito, sim. Muito menos do que antigamente, tinha muito mais, o homem que se cuidava achavam que ele era homossexual. Hoje não. Tanto que como eu trato muito de homem corporativo, as pessoas me perguntam: ‘tem diferença entre o homem metro e homo?’. Quando se trata um homem corporativo, tem que colocar ele bem vestido, independente da orientação sexual dele. E assim, os homens mudaram muito, estão muito mais vaidosos. Preconceito ainda tem, em qualquer lugar do mundo. Mas certas pessoas se enganam. Certas mulheres são mais preconceituosas que o homem. As vezes eu estou tendendo um cliente, a mulher dele fala ‘poxa, mas isso não é roupa de homem’. O cara gostou, quer usar, e a mulher não quer. Assim, a mulher é preconceituosa, sim, às vezes mais do que o homem. Então, preconceito continua a ter, mas muito menos que antigamente.

P: O mercado já supre todas as necessidades desse homem antenado com os cuidados com seu estilo ou ainda há muito o que se ampliar neste sentido?

R: Está suprindo. Lógico que no mercado brasileiro, ainda falta muita coisa. O Brasil ainda está muito atrasado, mas cresceu muito, muito, muito.

P : O mundo corporativo ainda determina muitas regras de estilo ou já há mais liberdade para homens que têm estilos marcantes que fogem à regra?R O mercado corporativo ainda tem muitas normas, muitas regras. As empresas – lógico, elas estão um pouco mais abertas, estão um pouco mais informadas, elas estão mudando, mas ainda no mercado corporativo existem regras sim. Por exemplo, na empresa está lá: só pode ir com calça escura e camisa branca, está todo mundo assim, porque é a regra daquela empresa ‘x’.

P: O quanto crescer em meio à loja de tecido da tua família influenciou no teu interesse neste segmento?

R: Eu crescer dentro de uma loja de tecidos que o meu pai tinha, mudou muito a minha visão. Por isso que desde pequeno eu gosto muito de tecido, moda, porque isso eu vivi em casa com o meu pai. Meu pai, descendente de libaneses, tradicional, cabeça quadrada, e, trabalhava nesse meio, entendia muito. Isso aí me influenciou demais.P É fácil para um homem definir seu próprio estilo ou muitos têm dificuldade em se auto-compreender? As pessoas se enxergam como são no espelho ou há muita distorção?R Ele não sabe qual é o estilo dele. Tanto que quando eu atendo um cliente, ele vem falar pra mim ‘eu não tenho estilo’. Todo mundo tem estilo, o homem que não sabe identificar isso acaba errando. E aí quando eu atendo um cliente meu corporativo, eu ensino ele a achar o próprio estilo.

P: Quais são as maiores dúvidas do homens quando te procuram?

R: As principais dúvidas são: cor de sapato, cor de meia, cor de calça, camisa. As dúvidas são todas. O homem nasceu sem ter noção de nada. A mulher parece que já nasce tendo noção do que é bacana, do que não é. O homem nasceu numa bolha.

P: No seu livro você fala sobre como o estilo pode passar a imagem correta de si para o mundo. Nossa imagem determina às pessoas aquilo que somos ou queremos ser?

R: O nosso estilo fala quem somos, por onde andamos. Quando você tem o seu estilo determinado e coloca a roupa certa pra aquele seu estilo, você consegue passar para os outros quem você é – aí começa a ser a sua marca pessoal.

(Laís Azevedo/Diário do Pará)

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